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Edição 1982 . 15 de novembro de 2006

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André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• ELEIÇÕES 2006

O grande doador
O empresário Eike Batista foi o maior doador pessoa física da campanha eleitoral deste ano. Ecumênico, fez contribuições de 4,5 milhões de reais, divididos basicamente entre PT, PSDB, PMDB e PFL. Todo mundo teve o seu quinhão. Na próxima eleição, pode-se imaginar o tamanho da fila de políticos na porta do escritório de Eike pedindo uns trocados...

Tradição familiar
A propósito, a maior doadora pessoa física da campanha de Lula em 2002 foi a ex-modelo Luma de Oliveira, ex-mulher de Eike.

 

• GOVERNO

Momentos de tensão
Aos mais próximos, José Sarney não esconde o desagrado por sua filha, Roseana, ainda não ter sido convidada para ser ministra de Lula. Publicamente, no entanto, ele continuará falando que não faz questão de ministério.

Grassi e Gil
Os petistas da área de cultura estão em campanha cerrada para que o ator Antonio Grassi suceda a Gilberto Gil no Ministério da Cultura. Gil não participa dessa campanha.

Jobim, o ex-favorito
No Ministério da Justiça, ouve-se que Sepúlveda Pertence tem chances reais de ser o sucessor de Márcio Thomaz Bastos no comando da pasta. Sepúlveda tem de se aposentar compulsoriamente do Supremo Tribunal Federal em novembro de 2007, mas já chegou a afirmar a emissários de Lula que aceitaria antecipar a aposentadoria para assumir o Ministério da Justiça. Antes favorito ao cargo, Nelson Jobim já começa a desconfiar das suas chances de ser ministro da Justiça. Em conversas com amigos, tem dito que o cargo será de Sepúlveda Pertence ou continuará com Thomaz Bastos. Por via das dúvidas, Jobim trabalha para ser presidente do PMDB ou ocupar uma pasta política no governo federal.

 

Diários de motocicleta no feriadão


Aécio, no Maranhão: Easy Rider

O feriado de Finados de Aécio Neves foi atípico para um político. Lula, por exemplo, embarcou no avião presidencial para uns dias de praia na Bahia. José Serra visitou o Banco Mundial, em Washington. Já Aécio rodou 700 quilômetros de motocicleta pelo Nordeste. Junto com cinco amigos, ele saiu de Jericoacoara, no Ceará, atravessou o litoral piauiense – incluindo o paradisíaco delta do Rio Parnaíba – e chegou aos Lençóis Maranhenses. A aventura foi planejada há três meses, com a ajuda da internet. O governador reeleito de Minas Gerais fez a viagem sem ajudante-de-ordens, chefe-de-gabinete ou qualquer integrante do estafe de governo.

 

• GAMES

No Brasil, o bem vence o mal
Lançados no ano passado, os RPGs Cidade dos Heróis e seu co-irmão Cidade dos Vilões viraram enorme sucesso em jogos on-line, com 200.000 jogadores pagantes em todo o mundo. Os jogos na verdade são um só: em uma cidade chamada Paragon City o usuário pode escolher se atua como super-herói ou vilão, podendo criar seu visual. No mundo todo os vilões dão goleada, mas no Brasil – por incrível que possa parecer – aconteceu o contrário. O jogo foi lançado em agosto e já conta com 5.000 assinantes brasileiros. Desses, 58% preferem os mocinhos, contra 29% que jogam como bandidos. O Brasil é surpreendente.

 

• PARTIDOS

Debandada geral
O resultado das eleições na Bahia continua tirando o sono da cúpula do PFL. Em 2004 o partido elegeu o prefeito em 154 dos 416 municípios daquele estado. Mas, com a derrota da campanha do governador Paulo Souto à reeleição, há um grande temor de que boa parte desses prefeitos, de olho nas verbas do governo estadual, venha em pouco tempo a se tornar petista.

 

• TELECOMUNICAÇÕES

A força de cada um
Na prática, o comando da Vivo está cada vez mais nas mãos de Manoel Amorim, presidente do conselho de administração, e menos nas de Roberto Lima, presidente da empresa.

Os pré-pagos têm preferência
Última semana de novembro. Essa é a data a partir da qual a Vivo vai disponibilizar os telefones da tecnologia GSM para os clientes pré-pagos. A razão de a empresa privilegiar esse grupo primeiro: é nele que a empresa tem perdido mais clientes para a concorrência. Os usuários de telefones pós-pagos deverão ser atendidos a partir de fevereiro ou março.

 

• LIVROS

Invasão chinesa
A China nos invade por todos os poros: catorze editoras de diferentes países uniram-se para rodar lá o Guia Ilustrado Vinhos do Mundo Todo. São cerca de 700 páginas ilustradas com informações sobre uvas, produtores e dicas de harmonização. A "impressão compartilhada" é uma nova tendência entre as editoras para reduzir custos. Toda a aplicação de cor e fotos é feita conjuntamente. Depois cada editora imprime o texto no idioma que quiser. O livro chegará à praça pela editora Zahar por 64 reais – se fosse impresso no Brasil, não sairia por menos de 160 reais.

 

• TELEVISÃO

O novo programa do deputado Clodovil
A rede CNT estréia em fevereiro a nova atração do deputado e costureiro Clodovil. Nome do programa: Por Excelência. Concorrerá com o horário do Fantástico, entre 8 e 10 da noite. Se Clodovil já tem a língua solta como apresentador, imagine com imunidade parlamentar o que deve aprontar. Ele fechou um salário fixo de 30.000 reais por mês, mais 20% de participação nos anúncios. Estima-se que uns 100.000 reais irão para a sua conta-corrente mensalmente.

 

Onda afegã – até quando?

A onda afegã que tomou conta da lista dos livros mais vendidos no Brasil tem produzido um raro milagre da multiplicação do dinheiro. Veja o exemplo da Record, que lançou há cinco meses O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad (um dos campeões de venda). A editora pagou 2 000 dólares pelos direitos do livro, que acaba de bater a marca das 100 000 cópias. Isso significa um faturamento de 3 milhões de reais. Desse total, uns 750 000 reais foram parar nos cofres da Record. Difícil algum investimento no Brasil ter rendido tanto de junho para cá. Entre os livros de ficção, o número 1 durante 37 semanas é O Caçador de Pipas. Já vendeu 500 000 exemplares. Outro negócio de Midas: seus direitos foram comprados por 15 000 dólares pela Nova Fronteira. O livro faturou 15 milhões de reais – e um quarto disso é a parte da editora. Na semana que vem, a Nova Fronteira lança Minha Guerra Particular, de Masuda Sultan, numa tentativa de surfar na mesma onda. Resta saber até quando ela dura.

 

Com Jan Theophilo. Colaborou Otávio Cabral
E-mail: ljardim@abril.com.br

 

 


 
 
 
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