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Edição 1982 . 15 de novembro de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
VEJA.com
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Cartas

 



"Presidente, o senhor foi perdoado pelo povo, não foi absolvido; portanto, reconheça seus erros e se recupere."
Luiz Moura
Fortaleza, CE


Lula é como um piloto de avião em pleno vôo. Você pode não gostar dele, mas torce para que ele aterrisse bem.
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Espero que os sete compromissos destacados por VEJA sejam efetivamente cumpridos. Caso contrário, continuaremos com políticas assistencialistas de bases frágeis e, conseqüentemente, insustentáveis, além de termos de nos conformar com índices medíocres de crescimento.
Luiz Augusto Wargha
Rio de Janeiro, RJ

 

O segundo governo Lula

Lula é como um piloto de avião em pleno vôo. Você pode não gostar dele, mas torce para que ele aterrisse bem ("A encruzilhada", 8 de novembro).
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Espero que os sete compromissos destacados por VEJA sejam efetivamente cumpridos. Caso contrário, continuaremos com políticas assistencialistas de bases frágeis e, conseqüentemente, insustentáveis, além de termos de nos conformar com índices medíocres de crescimento.
Luiz Augusto Wargha
Rio de Janeiro, RJ

Não desejo sorte ao presidente. Desejo, sim, melhor gestão pública, diminuição de gastos, crescimento econômico real e compatível com o nível de outros países, redução na carga tributária, melhorias na educação e, principalmente, na ética. Que os próximos quatro anos sejam dedicados ao país e ao seu povo, independentemente de interesses partidários e "companheirísticos".
Dalton Normando Cabral
Manaus, AM

Vamos todos torcer para dar certo. A desinformação da camada mais pobre da população, principalmente aquela de regiões menos favorecidas em termos econômicos e culturais, reconduziu o PT, apesar dos escândalos, a mais um governo populista. Esperamos decisões que aumentem a riqueza do povo, em vez de ações do tipo Bolsa Família, que lembra o quadro Quem Quer Dinheiro, do Silvio Santos.
Antonio Carlos Rodrigues dos Santos
São José dos Campos, SP

Que o presidente Lula aproveite a nova oportunidade que o eleitor lhe deu e faça, enfim, um excelente governo no campo da ética, da transparência e da moralidade.
Antônio José dos Anjos Brito
Salvador, BA

Embora ele tenha sido reeleito com 60% dos votos válidos deste país, os outros 40% acompanharão este governo bem de perto e não permitirão golpismos de nenhuma espécie. Para tanto, contam com a ajuda de uma imprensa investigativa, destemida e libertadora.
Aurea Correia
São Paulo, SP

Por mais boa vontade que eu tenha para com Lula e seu segundo mandato, não consigo afastar a impressão do "apertem o cinto, o piloto reassumiu".
Carlos Bruni Fernandes
São Paulo, SP

 

Liberdade de imprensa

A Associação Paulista de Imprensa (API), indignada com os abusos perpetrados contra o império da lei e da ordem de que foi vítima a revista VEJA, na pessoa de seus repórteres Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, comparece para hipotecar sua solidariedade e apoio. É incompatível falar de Estado democrático – a duras penas conquistado – e atitudes grosseiras, brutais e truculentas de ameaça à imprensa livre e soberana. O que o país, perplexo e estarrecido, contemplou foi a tentativa nem um pouco sutil de amordaçamento da verdade, quando esta contraria interesses escusos de poderosos. Não há que esquecer, jamais, que "todos são iguais perante a lei" – aí incluída a Lei de Imprensa –, assim como a já conhecida realidade de que, quando iniciada a batalha contra os valores morais e éticos de uma nação, a primeira vítima é a verdade! A segunda, a liberdade de proclamá-la! ("Nuvens escuras no horizonte" e "A sociedade reage", 8 de novembro).
J.B. Oliveira
Presidente da Associação Paulista de Imprensa
São Paulo, SP

Fiquei estarrecido com o teor das argüições feitas pelo delegado da Polícia Federal em São Paulo, Moysés Eduardo Ferreira, aos jornalistas de VEJA. Lembrei-me, analogamente, dos relatos de interrogatórios que eram executados na Operação Bandeirantes nos anos de chumbo, nos quais havia a tão temida versão oficial, em que as autoridades ratificavam o que lhes conviesse. A imprensa às vezes incorre, de fato, em erros. Mas nada justifica seu aparelhamento pelo Estado nem sua fiscalização. A população já o faz muito bem. Minha solidariedade aos jornalistas de VEJA.
Robson Marques de Oliveira
Belo Horizonte, MG

A agressão aos repórteres de VEJA é o preço que se paga pela independência e pela honradez. Em breve, quando o governo desferir agressões aos jornalistas cooptados, pode ser que a imprensa se lembre de que já foi considerada o quarto poder. Que isso não faça arrefecer o destemor dessa revista, dizendo ao nosso povo o que pouca gente tem coragem de dizer.
Geraldo de Almeida Ramos
Alcobaça, BA

Com a reeleição, a serpente sobrevive e continua a procriar seus filhotes, algozes da liberdade democrática que agora se voltam contra um dos pilares da democracia, a imprensa. É de causar calafrios! OAB, ABI e a mais alta corte de Justiça do país! Preparem-se que vem chumbo grosso por aí!
Osmir José do Nascimento
Porto Velho, RO

Mais do que a necessária solidariedade aos profissionais de VEJA, sobretudo aos repórteres Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, quero manifestar claro repúdio aos constrangimentos sofridos por esses jornalistas durante os depoimentos à Polícia Federal narrados nesta semana pela revista. Tais atos antidemocráticos são inaceitáveis no mundo contemporâneo, sobretudo os praticados numa instituição que deve servir à sociedade e obedecer ao Estado de Direito dos cidadãos. A imprensa brasileira, bem como nossas instituições de representação da sociedade, construiu ao longo dos últimos 26 anos uma história de avanços e conquistas democráticas de grande solidez. Permanecem, portanto, inabaláveis o rigor editorial de VEJA e o pleno direito da população à informação.
Aécio Neves da Cunha
Governador do estado de Minas Gerais
Belo Horizonte, MG  

Secretaria de Democratização das Comunicações combina com constrangimento a jornalistas na Polícia Federal. Manifestação pós-eleitoral dessa natureza significa espírito de conspiração e golpe que desaceleram a nossa esperança do Brasil democrático que sonhamos.
Walter Feldman
São Paulo, SP  

Relembrei os anos 70, quando trabalhava na Rádio Bandeirantes de São Paulo, em cujo departamento de jornalismo existia um mural da Polícia Federal proibindo determinadas notícias. Será que estamos revivendo aquela era negra em que o jornalismo era sufocado pela ditadura deslavada? O que fizeram com os jornalistas da VEJA tem de ser repudiado por toda a sociedade. Censura nunca mais!
Pedro Sergio Ronco
Presidente da Rádio Bom Jesus FM
Diretor responsável do Jornal Agosto
Ribeirão Bonito, SP  

Senhores, o Brasil deve muito a vocês. Não fosse o excelente jornalismo investigativo que promovem, a sujeira continuaria sob o tapete. A imprensa livre é ponto fundamental de controle da corrupção estatal. Mas também devemos muito à Polícia Federal pelas ações que levaram ao desbaratamento de inúmeras quadrilhas de corruptos. Daí ser inacreditável que um organismo policial de tal nível se vergue à idéia de se submeter ao controle político. Não acredito que se desoriente a esse ponto e se iguale ao antigo Dops do período ditatorial. Como brasileiro, lamento a ação intimidatória do delegado.
Mauro Regis S. Moura
Porto Alegre, RS  

VEJA é a nossa reserva moral. Moral que não se corrompe, não verga nem quebra. O cidadão de bem do Brasil não se cala, apesar de minoria. Quintino Carvalho
Contagem, MG  

Há cinco anos meu esposo e eu somos leitores de VEJA e, mais uma vez, renovaremos nossa assinatura. O que nos motiva é o compromisso sério de uma revista que sempre está do lado da verdade. Muito me impressiona a charge do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Se algumas das cabeças pensantes do país têm tal opinião sobre os fatos que rodeiam o presidente Lula, imaginem então os beneficiados pelo Bolsa Família.
Adélia Belas Santos do Vale
Darcinópolis, TO  

VEJA tem se comprometido com seus leitores, com a verdade e a ética jornalística, que é denunciar publicamente aquilo que degenera a sociedade, as falcatruas e as mentiras de alguns maus políticos.
Vanderlei Júnior
São José, SC

Se VEJA está do lado do Brasil, eu estou do lado de VEJA.
Luciano Silva
Volta Redonda, RJ  

 

Diogo Mainardi

Os petistas estão conseguindo adormecer consciências, desmotivar a subversão, desmantelar instituições, mediante a implantação do conceito de relatividade ética. Embrenhados em nebuloso anacronismo, fazem assomar os perturbadores sentimentos atávicos que entusiasmaram nossos antepassados degredados. Os valores e regramentos de conduta conquistados pelos homens de bem estão prestes a ser sacrificados no altar erigido pelos cegos a um déspota obscurantista ("O delegado Moysés não é isento", 8 de novembro).
Lúcia Machado Castralli
Delegada de Polícia Federal
Salvador, BA

O aparelhamento do PT para suas tramóias é muito maior até mesmo do que pensa o procurador que denunciou a quadrilha.
Marcos Barbosa
São Paulo, SP  

Parabéns ao Diogo Mainardi pela sua exaltação do grande filósofo americano Henry David Thoreau ("Thoreau contra o lulismo", 1º de novembro). Seus escritos fazem parte, há várias décadas, dos meus livros de cabeceira. Recomendo, caso ainda não o tenha feito, a leitura da brilhante introdução de Michael Meyer, professor de literatura da Universidade de Connecticut, incluída na edição de 1983 da Peguin Books, de Walden and Civil Disobedience. Diogo, você não está só!
Luis Augusto Góes
Calmon de Barros Barreto
São Paulo, SP  

Esclarecemos que a nossa empresa, a VBC Marcon, não tem nenhuma relação com a VBC citada por Mainardi no artigo "Istoé, a mais vendida" (27 de setembro).
Irajá Marcon
Diretor-geral
Curitiba, PR  

Cumprimento VEJA pela excelente iniciativa de liberar o acesso às colunas de Diogo Mainardi, além de lhe abrir um canal (Podcast) de difusão de suas opiniões. Isso demonstra o amadurecimento da revista na nova concepção de divulgação de mídia e informação ­ internet. Os brasileiros que residem no exterior agradecem de joelhos.
Felipe Souza
Boston, Massachusetts, EUA

 

Apagão aéreo

Vivi a realidade do controle de tráfego aéreo por sete anos, trabalhando no Cindacta II (Curitiba-PR), que monitora os vôos do Sul e parte do Sudeste do Brasil. Por isso, tenho conhecimento de causa para assinar embaixo cada linha da reportagem "O apagão aéreo" (8 de novembro). E tenho certeza de que a matéria deu voz a muitos ex-colegas, impedidos de se manifestar em função da hierarquia e da disciplina militares. O controle de tráfego aéreo é algo muito gratificante, mas quando somos privados das ferramentas adequadas (freqüências VHF operantes, equipamentos confiáveis) a atividade se torna martirizante, desumana até, e não vale os baixíssimos salários pagos a esses nobres profissionais. Vale lembrar que, há sete anos, esta mesma VEJA já havia tocado no assunto ("Salvos no último minuto", 17 de novembro de 1999). É lamentável que 154 vidas tenham sido ceifadas para que essa triste realidade pudesse novamente vir à tona.
Bruno Brant Pereira
Santarém, PA  

Como leitor há muitos anos desta revista, da qual minha família é assinante, gostaria de cumprimentar os jornalistas Rafael Corrêa e Rosana Zakabi, responsáveis pela ótima matéria, pela clareza e profundidade necessárias para alcançar o entendimento dos leitores. E digo: os 100 anos do lendário vôo de Santos Dumont foram comemorados com glamour e à moda brasileira, com milhares de passageiros com seus bilhetes na mão querendo exercer o direito de voar e impedidos de embarcar. Era o apagão aéreo da aviação brasileira. A operação-padrão iniciada pelos controladores de vôo, que causou o caos nos aeroportos do país, infelizmente, mostrou para o mundo que o nosso controle aéreo pode ser realmente falho. Só espero que não seja esse o álibi, de um movimento que se inicia, para imputar às autoridades brasileiras a culpa pelo terrível acidente do boeing da Gol.
Flávio de Mattos Boechat Poubel
Niterói, RJ  

Como qualquer um, trabalhei na quarta-feira o dia inteiro, fui para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e lá fiquei das 19 horas às 8h30 do dia seguinte. Às 4 horas da manhã, mais de 200 pessoas, entre elas idosos, gestantes, crianças, mães com bebês de colo, estavam ao meu lado invadindo e quebrando o balcão da companhia aérea para logo depois tentar invadir um avião. Do nada apareceram os funcionários da Infraero e da companhia aérea, e só assim foi possível voltar para casa para ver nos jornais que o senhor Lula voou normalmente para a Bahia, sem atrasos, e estava na praia como se nada estivesse acontecendo.
Thiago Miglio de Souza Lima
Vila Velha, ES

 

Carta ao leitor

Venho apresentar-lhes meus efusivos aplausos pela magnífica Carta ao leitor contida na edição 1.981 ("Em 2006 como em 2002", 8 de novembro). Mais do que as propaladas reformas – política, tributária e previdenciária, entre outras tantas –, urge mesmo uma grande cruzada pela implantação definitiva em nosso amado Brasil da cultura da disciplina, da parcimônia, do respeito mútuo e, sobretudo, da ética em todas as nossas relações.
Mário Lúcio Moreira
Ibirité, MG

 

Radar on-line

Mais uma vez VEJA saiu na frente para dar a notícia aos seus leitores quando disponibilizou via celular (SMS) a seção Radar. Fiquei muito feliz por me cadastrar e receber as notícias rápidas. Parabéns pela iniciativa!
Paulo Cesar G. Posse
Rio de Janeiro, RJ

 

Nicholas Stern

A entrevista com o economista inglês Nicholas Stern (Amarelas, 8 de novembro) trouxe a consciência da importância do nosso Ministério do Meio Ambiente. De nada adianta termos crescimento econômico se não temos qualidade de vida. A ministra Marina da Silva vem exercendo um papel fundamental no incentivo às pesquisas sobre biocombustíveis e na preservação da nossa Floresta Amazônica. O presidente tem de pensar com muita seriedade na prioridade de um incentivo maior para o Ministério do Meio Ambiente.
Paula Beatriz Gallerani Cuter Rochel
Sorocaba, SP

A propósito dos modelos científicos que "sugerem que dentro de cinqüenta ou 100 anos a Amazônia pode secar e morrer", acho que não precisamos de tanta sofisticação. Com qualquer maquininha de calcular é só pegar a área total da floresta e dividir pelo tanto que a cada ano é devastado. Pode ser que aconteça antes disso. É só conferir.
Manoel Ambrósio de Oliveira
Uberlândia, MG  

O problema das mudanças climáticas tem grande importância na agenda internacional, política e ambiental. Entretanto, parece-me incorreto denominar o trabalho de Stern de "pioneiro". Isso seria desprestigiar diversos pesquisadores que empreenderam estudos sobre o cálculo dos custos e benefícios relacionados às mudanças climáticas e às ações tomadas para a mitigação delas. Especialmente quanto aos cálculos para os Estados Unidos, citam-se Nordhaus e Boyer, em estudo publicado em 2000, e Mendelsohn e Neumann, em 1999. Para uma relação mais completa e uma análise do tema, vale a pena conferir o capítulo "Global Climate Change and the Kyoto Protocol", do livro Environment and Statecraft: the Strategy of Environmental Treaty-Making, de Scott Barret, publicado em 2003.
Guilherme do Prado Lima
Brasília, DF  

Todos os dados divulgados pelo senhor Nicholas Stern são de extrema importância para que nós, seres humanos, tenhamos em mente que podemos, mesmo que individualmente, colaborar com o meio ambiente e com o futuro do mundo. O economista cita diversas vezes a cana-de-açúcar como matéria-prima para o biocombustível. Lembro também que, além da excelência da cana-de-açúcar, temos outras alternativas como fonte de energia, como a mamona, o girassol e a mandioca.
Gustavo Henrique Pereira
Engenheiro agrônomo
Palmital, SP

 

Bolívia

Lendo a matéria "Morales ri do Brasil" (8 de novembro), não pude deixar de sentir vergonha por ter um "presidente" sem atitude, indignação por ter sido expropriado pelo governo boliviano, revolta pelo fato de o "presidente" Lula ter usado as privatizações na campanha para sua reeleição e deixado o patrimônio brasileiro ser roubado sem um mínimo de reação.
Alex Alvarez Garbino
Mauá, SP

 

Veja essa

É perfeitamente compreensível o sonho do presidente Lula "de fazer com que o Mercosul possa representar da Terra do Fogo à Patagônia todos os países latino-americanos" (Veja essa, 8 de novembro). Se tal fosse possível, com o Mercosul – indo de Ushuaia até mais ou menos Bariloche –, Lula ficaria livre das grosserias de Kirchner, já que Buenos Aires estaria ao norte do Mercosul, das humilhações de Evo Morales (a oeste) e das interferências, sem convite, de Hugo Chávez, a noroeste, nos interesses brasileiros.
Roberto Castro Rios
São Paulo, SP

 

 

STALIN E A FOTO MANIPULADA

Fotos reprodução
Lenin discursa em 1920: Trotsky e Kamenev desaparecem na segunda foto

Catorze leitores escreveram para a redação para comentar um detalhe da foto de Lenin manipulada pelos stalinistas publicada na reportagem "Nuvens escuras no horizonte" (8 de novembro). "As fotos publicadas por VEJA nessa edição são claramente diferentes uma da outra", escreveu Paulo Galvão, de São Paulo. É verdade. São duas fotos da mesma seqüência feita em 1920, diante do Teatro Bolshoi, em Moscou. O que se quis mostrar foi a manipulação da imagem, e isso só fica claro com a publicação das duas versões do mesmo instantâneo. É o que fazemos neste quadro, ilustrado pela foto na versão original, que mostra Lev Kamenev e Leon Trotsky à direita do palanque, e pela foto na versão manipulada, em que os dois foram suprimidos. Trotsky e Kamenev foram assassinados a mando de Stalin em 1940 e 1936, respectivamente.

 

A SEÇÃO DE CARTAS DE VEJA

Marcelo Tas publicou em seu blog cópia da carta que mandou a VEJA reclamando do tratamento dado a ele em uma nota. Tas externou uma segunda insatisfação: sua carta não foi publicada por VEJA. O episódio nos dá a oportunidade de esclarecer os critérios para publicação de cartas com reclamações ou reparos às reportagens da revista.

A seção de Cartas é destinada ao diálogo entre a revista e seus leitores.

É um espaço também acessível a pessoas e instituições que se sintam atingidas de alguma forma por uma notícia ou comentário feitos pela revista.

Nesses casos, a revista tem seus critérios.

VEJA publica cartas de reclamação quando:

• A revista reconhece que errou.

• A carta aborda a questão de um ângulo diferente do adotado pelo redator e, ao fazer isso, ilumina a questão de modo que o julgamento da revista já não parece mais tão correto.

• A revista não consegue estabelecer com certeza se houve erro da parte da redação, mas considera que a carta contém elementos que trazem dúvida razoável sobre a correção do que foi publicado. Na dúvida, publique-se.

• A revista não reconhece o erro. Reconhece, porém, que a reportagem fez críticas desproporcionais ao fato relatado e julga que a publicação da carta coloca a questão em seu contexto exato.

 

VEJA não publica cartas de reclamação quando:

• A carta tem como objetivo principal advertir a revista de que a pessoa que se sente atingida vai recorrer à Justiça em busca de reparação moral ou material. Um exemplo é a carta de Marcelo Tas, que termina assim: "Fico no aguardo de uma resposta e do cumprimento das solicitações acima, sem prejuízo de outras medidas extrajudiciais e judiciais que visem à reparação do dano causado".

• O autor da correspondência, antes, dá ampla divulgação à sua carta comprando espaço em jornais ou a divulgando por meio de blogs ou páginas de internet.

 
 
 
 
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