Isso que é
fria
Um
filme que o próprio estúdio
quis esconder
Isabela
Boscov
Foi
constrangedor. Apesar de ter investido numa cenografia caprichada
e nos cachês de Richard Gere e Winona Ryder, o estúdio
que produziu Outono em Nova York (Autumn in New
York, Estados Unidos, 2000) decidiu "esconder" o filme dos críticos
americanos. Pois se tivesse publicado anúncios discorrendo
sobre os defeitos deste drama romântico (que estréia
nesta sexta-feira no Brasil) o efeito não teria sido mais
devastador. A estratégia deixou o público desconfiado,
as resenhas todas publicadas com o almejado atraso
demoliram o filme e os ingressos encalharam na bilheteria. De nada
adiantaram os protestos de Gere e Winona, que foram à imprensa
falar em prol da fita. Não que houvesse o que defender. O
cinqüentão e a moçoila interpretam, com sua habitual
vacuidade, um casal mal emparelhado. Ele é um solteirão
namorador. Ela faz chapéus estranhos e tem uma enorme alegria
de viver além de um doença fatal no coração.
Para um mulherengo verdadeiramente incorrigível, seria a
deixa para o adeus. Os roteiristas, porém, quiseram que o
romance continuasse, a fim de aproveitar as paisagens outonais de
Manhattan, os figurinos caros e os olhos de Bambi da estrela. Obrigaram,
enfim, a que o amor falasse mais alto, sem que tivesse muito a dizer.
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