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Vittorio Gassman e outros atores tarimbados
brilham em O Jantar, do italiano Ettore Scola

Isabela Boscov

 
Christophel
O Jantar: no mesmo espírito do celebrado O Baile

O cineasta italiano Ettore Scola é um trabalhador incansável. Aos 69 anos, já fez quase quarenta filmes, muitos deles magistrais. É o caso, por exemplo, de O Baile, lançado em 1983. Nessa fita inimitável, Scola acompanhava – sem diálogos – os dramas de vários personagens presentes a uma festa, numa alegoria dos percalços políticos da Europa no século XX. O Jantar (La Cena, Itália/França, 1998), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro, segue a mesma linha, mas sem as metáforas de seu trabalho mais famoso. O diretor mostra uma noite de um pequeno restaurante romano e, desta vez, deixa os intérpretes falarem. Muito.

Há, por exemplo, o professor de filosofia que anda de caso com uma aluna bem mais jovem e atirada do que ele. Em outro canto, uma família de japoneses encharca de ketchup o seu espaguete. Noutra mesa, uma moça convida seus vários namorados a um "esclarecimento". Pouco adiante, um rapaz solitário vira presa de um vidente. No entrecho mais comovente de todos, uma beldade que está envelhecendo se desespera quando sua filha anuncia que deseja tornar-se freira. Às vezes os pequenos dramas se misturam, por conta das vozes exaltadas ou da interferência de um freguês antigo (Vittorio Gassman, morto há poucos meses), que janta sozinho e observa a todos. Sem ser muito original no formato ou nos enredos, O Jantar tem seu ponto alto no olhar piedoso do diretor e nas atuações. Além de Gassman, brilham nomes tarimbados, como Giancarlo Giannini e Stefania Sandrelli. Não é tudo o que se pode esperar de um filme, mas bem mais do que a maioria deles tem a oferecer.

 

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