Salve
a rainha
Julia
Roberts é a
primeira mulher a liderar
a lista que avalia os astros como "produtos"

Isabela Boscov
Julia Roberts vale mesmo 20 milhões de dólares? Sylvester
Stallone compensa a dor de cabeça que provoca ao invadir
o set de filmagens com a sua comitiva de "amigos"? Robert De Niro
é tão mal-humorado quanto dizem? E será que
o salário de Nicolas Cage não anda alto demais? As
respostas para essas e outras questões que tiram o sono dos
produtores de Hollywood estão numa publicação
muito peculiar que, a cada doze meses, aterrissa na mesa desses
executivos, com detalhes sobre a carreira e os hábitos de
mais de 1.800 atores e diretores. Agora, pela primeira vez, ela
ganhou também uma versão resumida, com 200 nomes,
destinada aos "leigos" o público, que não pode
contratar John Travolta, mas adora ler sobre os astros de Hollywood.
Elaborada regularmente há dez anos, a chamada Hot List,
do jornalista James Ulmer, entrega tudo: diz se o profissional se
comporta bem ou é dado a fricotes, dá notas para a
sua disposição em tourear os jornalistas e promover
seus filmes, avalia o cacife dos astros no mercado internacional
(de onde o cinema americano tira hoje cerca de metade dos seus rendimentos)
e coteja a maneira como eles administram a sua carreira. É
uma espécie de compêndio da fofoca.
O curioso é que as fontes junto às quais Ulmer recolhe
esses dados preciosos são os seus próprios clientes:
produtores, diretores, agentes, recrutadores de elenco e até
companhias de seguro. Protegidos pelo anonimato, eles falam coisas
de arrepiar os cabelos. "Ninguém suporta Gwyneth Paltrow.
Ela é malcriada e usa as pessoas", diz um dos informantes
do jornalista, desfazendo a imagem de princesa da ex-namorada de
Brad Pitt. "Se Kevin Costner se apaixonasse pelos roteiros com a
mesma intensidade com que ele adora a si próprio, talvez
fizesse algo decente", alfineta outro. Demi Moore, que foi parar
lá no número 57 do ranking, ganha um veredicto implacável:
"Ela quer tomar todas as decisões no set, mas não
tem nenhum discernimento". Por causa de sua mania de fazer exigências
disparatadas, Demi é conhecida no seu mundinho por um apelido
pouco lisonjeiro: "Gimme More", ou "Dê-me mais".
A parte mais nobre da Hot List é o item que Ulmer
batizou de "bancabilidade". Trata-se de uma simples nota, como aquela
que se ganha numa prova de colégio. Mas traduz uma preocupação
crucial da indústria: tendo apenas um determinado ator como
garantia, quais são as chances de atrair investimentos para
uma grande produção? Neste ano, Ulmer apresentou uma
tremenda surpresa: o único nome a totalizar um "100" redondo
em "bancabilidade" foi o de Julia Roberts. Por isso, sim, ela vale
aqueles 20 milhões de dólares (mais uma porcentagem
da bilheteria) que cobra para fazer um filme. É a primeira
vez que uma mulher encabeça a lista, deixando até
Tom Cruise para trás. É claro que nisso há
um tanto de entusiasmo e de aposta, assim como aquela que
cerca também o novo filme de Tom Hanks, Cast Away,
em que o segundo da lista fará um náufrago isolado
numa ilha deserta. Cruise continua sendo o mais poderoso do pedaço,
já que seus filmes ainda rendem bilheterias bem superiores
aos da colega. Mas ele é rei há tempo, e Julia acaba
de ser coroada, graças ao sucesso inesperado de Erin Brockovich,
o terceiro filme consecutivo da atriz a faturar mais de 100 milhões
de dólares nos Estados Unidos. Esse inédito poder
feminino fez com que todas as listas do gênero dessem o topo
do pódio à atriz.
"Sujeito
mesquinho" Na companhia de Cruise, Hanks, Mel Gibson
e Bruce Willis, Julia integra o grupo classificado pelo autor como
"A+". Ulmer explica o que isso significa com uma analogia imobiliária.
Esse quinteto de felizardos é, por assim dizer, dono de Hollywood.
Já a turma da lista "A" por exemplo, Brad Pitt ou
Meg Ryan conseguiu comprar um belo terreno. E os outros não
passam de inquilinos do sucesso. É o caso de Sandra Bullock,
Hugh Grant ou mesmo Sharon Stone. Para quem alimenta a ilusão
de que os ícones do cinema são pessoas intocáveis,
o raciocínio é uma ducha de água fria. Mas,
logo de início, James Ulmer esclarece: astros são
uma mercadoria como outra qualquer. Têm de atender aos desejos
do consumidor e devem ser manufaturados, embalados e vendidos da
maneira correta. Para ajudar sua clientela a avaliar os "produtos",
portanto, ele atribui notas ao pessoal. Algumas são bastante
engraçadas. O odiado Val Kilmer, por exemplo, tirou nota
vermelha 19 em comportamento. "É um dos sujeitos
mais mesquinhos que o mundo já gerou", arrasa uma fonte.
A pontuação mais baixa de todas ficou com Marlon Brando:
9, no quesito disposição para promover seus filmes.
Um vexame perto da colega Jodie Foster, campeã de profissionalismo.
No primeiro lugar do ranking de talento artístico, deu outra
mulher: Meryl Streep. Elas estão com tudo.
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