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O exterminador

Coréia do Sul liquida empresas endividadas,
acerta contas e a economia volta a crescer

 
AFP
Funcionários da Daewoo: arrasados com a falência

Quem soube da falência da montadora coreana Daewoo, na semana passada, pode ter achado que a Coréia do Sul está à beira de um desastre semelhante ao que enfrentou em 1997, no rolo da crise asiática. A impressão é falsa. A Coréia está completando três anos de uma dura reforma interna. O país quebrou porque suas empresas cresceram rápido demais, apoiadas em empréstimos que não podiam pagar e que foram mal aplicados. Agora, essas megacompanhias estão sendo reestruturadas. Uma parte delas já foi vendida. A Kia passou para as mãos da Hyundai e a divisão de automóveis da Samsung agora é da francesa Renault. Outro bloco de companhias, que não encontra comprador, está quebrando. Foi isso o que aconteceu com a Daewoo e com o Korea Merchant Banking nas últimas semanas. O serviço de limpeza está no começo. Calcula-se que apenas 20% do mundo empresarial coreano tenha sido saneado até agora. As companhias ainda acumulam dívidas estimadas em 600 bilhões de dólares, cerca de 160% do PIB do país. Mas os números mais gerais da Coréia do Sul são extremamente positivos.

Para se ter uma idéia, a nação cresceu mais de 10% na primeira metade deste ano. Em dezembro, a taxa deve fechar em 8,9%. A inflação é inferior a 3%. As reservas internacionais, que estavam minguadas em 1997 (eram de apenas 4 bilhões de dólares), hoje chegam a 90 bilhões de dólares. E o desemprego está na casa dos 4%. É o melhor desempenho registrado entre os Tigres Asiáticos e vem sendo obtido assim, com medidas duras. O governo tem se recusado a socorrer companhias que não conseguem ser lucrativas e pagar suas dívidas sozinhas. "Devemos acabar com as incertezas do mercado eliminando as empresas endividadas, que têm sido um grande fardo para nossa economia", disse o presidente coreano, Kim Dae Jung, na semana passada.

Kim Dae Jung, de 76 anos, foi eleito no final de 1997, no auge da crise ute;tica. Era um líder da oposição ao governo que passou as décadas de 70 e 80 preso, foi torturado e exilado. Assumiu o poder nos braços do povo e tem executado direitinho a tarefa de sanear a economia do país. Está pagando um preço alto pelo serviço. Sua popularidade está em queda, o número de greves salta a cada semana e, a dois anos do final do mandato, ele enfrenta a desconfiança de investidores internacionais, que têm dúvida sobre sua força para manter o ritmo das reformas. A reação é normal. Afinal, a Coréia está sendo virada pelo avesso. Antigos costumes e tradições estão sendo questionados. O povo, que durante dez anos seguidos experimentou um enriquecimento explosivo, está mais pobre. Mas atenção: a renda per capita dos coreanos é de 17.000 dólares – cerca de cinco vezes maior que a dos brasileiros. E a Daewoo, que acaba de quebrar, deverá ser comprada, nos próximos dias, pela montadora americana General Motors. Quer dizer, a história coreana tem boa chance de um final feliz.

 

Gigante quebrado

Os números da Daewoo

17 fábricas no mundo

63 000 funcionários

10 000 fornecedores

20 000 empregados em fornecedoras de peças

10 bilhões de dólares em patrimônio

19 bilhões de dólares em dívidas

 

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