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Brasil O PMDB emerge das
urnas com mais de 18 milhões
Se há um partido com razões de sobra para festejar o resultado das eleições municipais, é o PMDB. A legenda saiu das urnas como a mais votada do país, refestelada sobre um patrimônio de 18,4 milhões de votos, 30% superior ao que obteve em 2004. Com isso, os peemedebistas conquistaram 1 195 cidades 20% dos municípios brasileiros. O poder de fogo da agremiação ainda se concentra nas cidades com menos de 200 000 eleitores, onde o partido colheu quase 70% de seus votos, mas avançou em centros urbanos de maior porte. Fez a festa no Centro-Oeste, reelegendo Iris Rezende em Goiânia e Nelsinho Trad em Campo Grande. Também foi para o segundo turno no Rio, em Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Porto Alegre e Belém. Em todas essas capitais, tem chances de vitória. Nem a cúpula do partido esperava um desempenho tão exuberante. Pretendia apenas manter o número de votos de 2004, quando só ficou atrás do PT e do PSDB. Ao acordar muito maior do que tinha ido dormir na noite anterior, o PMDB não demorou a exibir seus novos bíceps. O primeiro passo foi arrancar de Lula a promessa de não intervir nas campanhas em que o partido tivesse o PT como adversário. A saber: Porto Alegre e Salvador. Na capital gaúcha, o prefeito José Fogaça enfrenta a petista Maria do Rosário, que já tem o apoio dos ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Tarso Genro, da Justiça. O PMDB sonha em derrotar o trio e estrangular o fôlego petista no estado. Na Bahia, a situação é ainda mais delicada. O candidato do PMDB é o prefeito de Salvador, João Henrique, que busca a reeleição sob a tutela do ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional. Do outro lado está o petista Walter Pinheiro, que viabilizou sua candidatura graças ao governador Jaques Wagner, também do PT. Se João Henrique vencer, estará armada uma bomba-relógio para a base governista na Bahia em 2010. Fortalecido, Geddel deverá tentar tomar o governo baiano de Jaques Wagner, candidato à reeleição.
O PT, por sua vez, saiu das urnas de 2008 com uma pontinha de desconfiança sobre as eleições de 2010. A agremiação dava como favas contadas a transferência de votos de Lula para qualquer um que envergasse uma camisa vermelha e botasse uma estrela no peito. Não foi assim. Campanhas em que Lula se empenhou tiveram resultados muito diferentes dos que ele esperava. As estrelas do partido foram Luizianne Lins, que se reelegeu em Fortaleza, e João da Costa, novo prefeito do Recife. Eles consolidaram a força do PT no Nordeste, mas não precisaram de Lula para chegar lá. No cômputo geral, o partido recebeu 16,5 milhões de votos, apenas 1% a mais do que em 2004. O número de prefeituras do partido, no entanto, aumentou, porque os petistas estão conquistando os grotões. Em cidades com menos de 10 000 eleitores, o PT fez a festa. Outras agremiações da base de Lula também contaram vitórias importantes. O PP ganhou em Maceió, com Cícero Almeida, que teve a maior votação proporcional do país: 81%. O PSB engordou ao redor de Pernambuco, seu quartel-general, espraiando-se pela Paraíba, pelo Rio Grande do Norte e pelo Piauí. Com 1,7 milhão de votos, o PCdoB dobrou seu pequeno eleitorado e ganhou 39 prefeituras, um aumento e tanto para quem só havia arrebanhado dez cidades em 2004.
Feitas as contas, o primeiro turno deixou algumas lições. A primeira: a transferência de votos é uma história da carochinha. Do alto da sua enorme popularidade, Lula não conseguiu influir nas eleições. O mesmo aconteceu com o governador mineiro Aécio Neves. A segunda: existe, sim, transferência de rejeição. As pesquisas diárias feitas pela campanha de Beto Richa indicaram que o candidato Carlos Moreira, do PMDB, teria mais votos em Curitiba se não estivesse associado a Roberto Requião. A terceira: eleição municipal nada tem a ver com a de presidente da República. Brasília está muito distante da realidade do eleitor, que não relaciona os problemas cotidianos de uma cidade aos destinos do país. O cientista político Jairo Nicolau resume bem todos esses aspectos: "Enquanto a eleição presidencial é capaz de produzir um terremoto, a eleição municipal apenas mexe nas placas tectônicas". Mas que foi uma boa mexida, isso lá foi.
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