Brasil
A zebra mineira
Antes anônimo,
Quintão pode atropelar
o candidato apoiado por Aécio

José Edward
Marcelo Aat’Anna/EM/D.A.Press
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| SURPRESA NAS ALTEROSAS
Quintão, do PMDB,
ameaça a hegemonia de Aécio Neves |
Alardeada
como um "laboratório para 2010", a aliança
tucano-petista idealizada pelo governador de Minas Gerais,
Aécio Neves, e pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando
Pimentel, não passou, pelo menos por enquanto, no teste
das urnas. Pelo contrário, produziu uma zebra. Tido
como favorito na corrida para a prefeitura da capital mineira,
o candidato apadrinhado por ambos, o empresário Marcio
Lacerda (PSB), de 62 anos, foi atropelado na reta final do
primeiro turno pelo candidato do PMDB, Leonardo Quintão,
de 33 anos. Apenas um mês antes da eleição,
Quintão era pouco conhecido e estava 30 pontos atrás
de Lacerda nas pesquisas. Na véspera do pleito, reduziu
a diferença para 11 pontos. Abertas as urnas, descobriu-se
que o abismo que os separava era de apenas 2,3 pontos, o equivalente
a 30 000 votos em um colégio de 1,8 milhão de
eleitores. As pesquisas telefônicas feitas na semana
passada sinalizam que o peemedebista já virou o jogo
para o segundo turno. Ele conseguiu tal façanha por
ter se mostrado mais simpático e aguerrido do que Lacerda.
Participou de 600 eventos, com destaque para debates promovidos
por estudantes. Lacerda privilegiou debates em TV, nos quais
teve desempenho sofrível. Quintão se saiu bem
em todos os confrontos, nos quais colou a pecha de candidato-fantoche
no rival. "A diferença é que eu sou preparado
e ele é treinado", tripudia o peemedebista.
Uma eventual vitória
de Leonardo Quintão fortalecerá a campanha de
seu correligionário Hélio Costa, ministro das
Comunicações, ao governo de Minas Gerais em
2010. Também beneficiará o ministro do Desenvolvimento
Social, Patrus Ananias, pré-candidato petista ao mesmo
cargo e opositor da aliança com o PSDB para eleger
Lacerda. Ananias age e torce para que Lacerda perca, porque
isso chamuscaria seu maior rival dentro do PT, Fernando Pimentel.
A derrota de Marcio Lacerda colocaria ainda em xeque a aura
de imbatível que até então pairava sobre
Aécio Neves em Minas Gerais. Além do revés
na capital, o governador também colheu derrotas nas
principais cidades do estado. Seu partido, o PSDB, entrou
na eleição com 170 prefeituras e saiu com apenas
159, a maioria delas de pequeno porte.