Imagem da Semana
Benza-o deusa!
Maquiada e mimada,
menina é adorada
como divindade no Nepal enquanto durar

Vilma Gryzinski
Binod Joshi/AP
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O que é mais difícil de acreditar: um país
que tem uma menina de 3 anos venerada como deusa ou um primeiro-ministro
maoísta? O Nepal preenche as duas categorias. A nova
menina-deusa, ou kumari, foi apresentada em toda a sua infantil
glória na semana passada.
A escolha de Matani Shakya como encarnação
da deusa residente de Katmandu seguiu um ritual que leva em
conta a casta, o mapa astral e 32 sinais da perfeição
esperada de uma divindade.
As kumaris há mais duas, em outras cidades
vivem em templos hinduístas cercadas de mimos e,
literalmente, de adoração. Em troca, precisam
ter um comportamento de uma artificialidade impossível
de imaginar numa criança. Qualquer chorinho, tombo
ou amuo é interpretado como presságio de terríveis
conseqüências. À primeira menstruação,
as pequenas deusas perdem tudo e são devolvidas à
família. Apesar da beleza, sofrem com a superstição
segundo a qual quem se casa com uma ex-kumari morre cedo.
A tradição sobrevive às pragas que assolaram
o Nepal nos últimos anos: guerrilha comunista, mais
de 10 000 mortos, o tétrico homicídio em massa,
praticado pelo príncipe herdeiro, que exterminou a
família real e acabou provocando o fim da monarquia
e a mudança de regime. O que nos leva ao primeiro-ministro,
o ex-líder guerrilheiro conhecido pelo nome de guerra
de Prachanda, ou O Temível. O pensamento maoísta
do camarada Prachanda é surrealisticamente inspirado
no Sendero Luminoso, do Peru. Haja deusas para proteger o
Nepal.