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Edição 2082

15 de outubro de 2008
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Benza-o deusa!

Maquiada e mimada, menina é adorada
como divindade no Nepal – enquanto durar


Vilma Gryzinski

Binod Joshi/AP


O que é mais difícil de acreditar: um país que tem uma menina de 3 anos venerada como deusa ou um primeiro-ministro maoísta? O Nepal preenche as duas categorias. A nova menina-deusa, ou kumari, foi apresentada em toda a sua infantil glória na semana passada.
A escolha de Matani Shakya como encarnação da deusa residente de Katmandu seguiu um ritual que leva em conta a casta, o mapa astral e 32 sinais da perfeição esperada de uma divindade.
As kumaris – há mais duas, em outras cidades – vivem em templos hinduístas cercadas de mimos e, literalmente, de adoração. Em troca, precisam ter um comportamento de uma artificialidade impossível de imaginar numa criança. Qualquer chorinho, tombo ou amuo é interpretado como presságio de terríveis conseqüências. À primeira menstruação, as pequenas deusas perdem tudo e são devolvidas à família. Apesar da beleza, sofrem com a superstição segundo a qual quem se casa com uma ex-kumari morre cedo. A tradição sobrevive às pragas que assolaram o Nepal nos últimos anos: guerrilha comunista, mais de 10 000 mortos, o tétrico homicídio em massa, praticado pelo príncipe herdeiro, que exterminou a família real e acabou provocando o fim da monarquia e a mudança de regime. O que nos leva ao primeiro-ministro, o ex-líder guerrilheiro conhecido pelo nome de guerra de Prachanda, ou O Temível. O pensamento maoísta do camarada Prachanda é surrealisticamente inspirado no Sendero Luminoso, do Peru. Haja deusas para proteger o Nepal.



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