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Edição 2082

15 de outubro de 2008
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Assuntos mais comentados
20 anos da Constituição — 26
Crise global (capa) — 21
Stephen Kanitz — 17
Tecnologia da informação — 9
Diogo Mainardi — 6

Crise global

O Brasil estaria imune à crise se vivêssemos numa redoma, com uma economia isolada e auto-suficiente, sem tomar conhecimento do mundo exterior. Mas essa não é a realidade, estamos muito mais inseridos na economia mundial do que dizem as autoridades. Hoje, o espirro americano, o asiático ou o da zona do euro atingem os mais recônditos países, por insignificantes que sejam ("O inferno são os outros", 8 de outubro).
Valdomiro Nenevê
São José dos Pinhais, PR

Um grito ecoa nos céus de Wall Street: "Socorram os tubarões do mercado imobiliário! Não deixem faltar o seu principal alimento, que são os peixinhos incautos e indefesos do tenebroso oceano do capital selvagem".
Levi Bronzeado dos Santos
Guarabira, PB

A crise financeira que agora acomete o mundo, tantas vezes negada por um obtuso Lula da Silva, não explodirá no colo do "malvado Jorgí Buxi", como acham os esquizofrênicos ideológicos e analfabetos econômicos que insistem que o problema "éduzamericanú". Vai detonar, isto sim, como sempre, primeiro as economias européias e convulsionar seus governos, uma vez que todos esses países estão penduradíssimos em empréstimos nos bancos americanos. É só a velha história se repetindo de roupa nova. Quando os EUA ficam resfriados, os europeus pegam gripe e o resto do mundo vai com pneumonia para a UTI, de onde só sai graças a fortes doses de FMI na veia.
Paulo Boccato
São Carlos, SP

A presente crise teve duas origens: a incúria do governo americano e do Federal Reserve ao não frear a alavancagem dos bancos americanos; e, ainda mais fundamental, o conservadorismo dos detentores de reservas em dólares (China, Comunidade Européia, países árabes) ao destinar maciçamente suas aplicações em títulos do Tesouro americano e em depósitos remunerados. Os bancos americanos e as agências hipotecárias entraram numa acirrada concorrência, movida pelo excesso de liquidez, o que resultou em diminuição da rentabilidade das operações, pela menor taxa de juros, e em elevação dos limites de risco. Se boa parte desse dinheiro tivesse como destino títulos públicos, agências de desenvolvimento ou bancos de países emergentes, certamente a crise que já está se transformando de financeira em econômica não teria existido.
Roberto de Castro Rios
São Paulo, SP

"Um buraco negro foi criado, não pelo acelerador de partículas, como previam alguns, mas pela irresponsabilidade de gestores incompetentes."
José Luiz de Carvalho
Rio de Janeiro, RJ

 

Gilberto Tadday

A BOLHA ASSASSINA
José Alexandre Scheinkman,
economista: "Todos sabiam
da bolha imobiliária"

 

Constituição Cidadã

Parabéns a VEJA pela reportagem em homenagem aos vinte anos da Constituição Federal de 1988 ("Constituição – 20 anos", 8 de outubro). Pode-se dizer, sem medo de errar, que durante os seus vinte anos de idade a Constituição Cidadã jamais foi tão bem mapeada e historicamente justificada como na matéria dos notáveis jornalistas Fabio Portela e Diego Escosteguy. Lendo a reportagem, que prima por trazer à baila as duas faces da moeda, o leitor atento, ainda que leigo no assunto, pôde encontrar respostas às perguntas que lhe vêm à mente ao abrir o jornal. A justificativa histórica para o tratamento constitucional dado às questões políticas, sociais e econômicas que diariamente são mencionadas pelos meios de comunicação foi abordada com clareza, de maneira didática, acessível a qualquer brasileiro disposto a aprender e compreender a nossa Carta de Direitos. 
Daniela de Almeida Pascini
Procuradora da Fazenda Nacional
Belo Horizonte, MG

A comemoração dos vinte anos da Constituição Federal é também uma celebração da estabilidade política a partir da restauração democrática. Nunca antes na história republicana os brasileiros haviam conhecido uma fase tão longa de convivência pautada pelo respeito às instituições. A nova Carta é, sobretudo, um símbolo dessa passagem à maturidade política.
Murilo Augusto de Medeiros
Guará II, DF

A Carta Magna não pode ser tida como mera carta de intenções. É fundamental que o Poder Judiciário disponibilize para todos, sem distinção, a efetividade plena dos princípios por ela assegurados. A aplicação das garantias fundamentais de forma universal infelizmente ainda é utópica. Na prática, os reais destinatários de tais garantias ainda são uma minoria, composta essencialmente de corruptos e criminosos de colarinho branco. A eles, parece-me que a Constituição dá ainda mais proteção. Algo deve estar errado!
João Marcelo Araujo
Curitiba, PR

De fato, nossa Constituição é extensa e, muitas vezes, trata de assuntos que não deveria tratar. Não obstante, acredito que ficou de fora a exigência de alguns requisitos mínimos para o ingresso na carreira política, tal como diploma de curso superior. É um orgulho viver em uma democracia, mas nossos políticos são uma vergonha.
Aline Corsetti Jubert Guimarães
São Paulo, SP

Por mais que se intitule cidadã, a Constituição de 1988 não logrou incutir na consciência dos políticos a ética, guardiã asseguradora dos princípios geradores da igualdade e da justiça, pressupostos básicos da cidadania, conforme sugere o preâmbulo da Carta Magna.
Elizio Nilo Caliman
Jacarezinho, PR

Nossa última Constituição guardou um dispositivo eficaz, capaz de poupar tempo e garantir a contínua mudança de nossa nação: as medidas provisórias. Essa possibilidade de flexibilidade constitucional é sem dúvida o que alavanca nosso país para a tão sonhada posição de nação desenvolvida. Parabéns, brilhantes pensadores do Brasil do século XX.
Anderson Luiz de Paula
Brasília, DF

Triste retrato deixaram de si mesmos os constituintes de 1988, imprimindo à Carta Magna disposições que já nasceram obsoletas. Muito barulho por nada fizeram ao chamar de "cidadã" uma Constituição que necessita de uma emenda a cada quatro meses para garantir as mínimas condições para o bem-estar público. Enquanto isso, a Constituição espanhola, de 1978, que em dezembro completará seu trigésimo aniversário, uma década mais velha que a brasileira, sofreu uma única emenda, em 1992, com a finalidade de adequá-la ao Tratado da União Européia (Maastricht).
Helga Maria Saboia Bezerra
Oviedo, Astúrias, Espanha

 

Carta ao leitor

Sinteticamente respondo à pergunta formulada por VEJA em sua Carta ao Leitor ("Sim, mas quem paga?", 8 de outubro). Quem paga a conta somos nós, classe média, que não temos acesso a serviços públicos de qualidade, apesar da alta carga tributária que nos é imposta. Ao confundirem liberdade política com direitos de cidadania, criaram uma situação insustentável, na qual os ricos continuam muito bem e os pobres são enganados com cestas básicas, além de educação e assistência à saúde de péssima qualidade. Como bem assinalou VEJA, em momentos de crise externa gravíssima como a que vivemos uma reforma constitucional torna-se urgente.
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu, PR

 

Eleições 2008

Acho que os eleitores de São Paulo estão preparando a cama para a candidata Marta "relaxar e gozar" ("Urnas escaldantes", 8 de outubro).
Silvio Juliano Luchi
Florianópolis, SC

 

Stephen Kanitz

Stephen Kanitz fez em sua coluna ("As vantagens da democracia negativa", 8 de outubro) as mesmas considerações que faço sobre o atual sistema democrático. A figura de um administrador de cidades seria indispensável para nossas prefeituras. O amadorismo que vemos é de pasmar. 
Gerson Maahs
Por e-mail

Compartilho dessa sensação de imperfeição da nossa democracia, um tanto populista e festiva em minha opinião. Acredito que um número cada vez maior de brasileiros pensa dessa forma. A questão é como sair desse poço em que nos metemos se, para os políticos, que fazem as leis, essa forma é excelente e prática.
Ricardo Kauffmann
Por e-mail

A cada eleição nossa desilusão aumenta, tanto que perdemos, muitas vezes, a vontade de votar. Concordo plenamente que os candidatos deveriam, no mínimo, ter formação administrativa, como em qualquer profissão. Isso deveria ser condição necessária para o registro da candidatura. Afinal, qualquer candidato a concurso público, e mesmo para trabalhar em muitas empresas privadas, deve ter formação específica na área.
Fabiana Pereira Proença
São Paulo, SP

 

Tecnologia da informação

Cumprimento VEJA pela reportagem "O Brasil da inovação" (8 de outubro), sobre os avanços no ramo da tecnologia da informação e como esse mercado de trabalho vem progredindo. Por ser uma estudante do curso de TI, a matéria despertou o meu interesse de um ponto de vista diferente. Amo a área tecnológica e busco sempre novos meios de manter-me atualizada sobre o assunto, pois com a globalização as coisas mudam muito depressa. Se antes eu já era apaixonada pelo tema, agora, depois de ler a magnífica reportagem, tenho certeza do que quero. A matéria trouxe-me a idéia que faltava, a confirmação de um mercado que tem espaço para mim.
Iris Ribeiro dos Santos, 15 anos
Camaçari, BA

 

Diogo Mainardi

Ao ler o texto "Uma reforma mais radical" (8 de outubro), encontrei o primeiro e único ponto positivo da tão comentada reforma ortográfica: o prazer incontestável de apreciar a maestria de Diogo Mainardi ao abordar esse assunto tão importante para a população brasileira. Ele está corretíssimo quando afirma que por aqui não se sabe escrever sem reforma ortográfica, muito menos com ela.
Ruth Franco
Jataí, GO

 

Connie Hedegaard

Os estudos sobre mudanças no clima acertam no diagnóstico, mas erram no remédio. Não falam da causa maior: o crescimento populacional. Deste resulta a crescente demanda por alimentos, moradia, energia, transporte, bens de consumo em geral. A corrida para alcançar o crescimento da demanda já está sendo perdida mundo afora. Não há como não incluir nas políticas de governo o controle demográfico. Haverá resistências, inclusive religiosas, mas deve-se começar por aí. A próxima reunião mundial sobre o clima será na Dinamarca, por acaso um país onde existe controle demográfico, mais cultural do que imposto, o que explica a qualidade de vida dos povos nórdicos (Amarelas, 8 de outubro).
Alan Carvalho
Uberlândia, MG

 

Aids

Achei incrível a trajetória do vírus da aids durante seus 100 anos de vida, como pudemos ver na reportagem "Ele tem 100 anos" (8 de outubro). É extremamente interessante como uma doença que surgiu nos confins da África, a partir de macacos, pôde se espalhar pelo mundo e se tornar conhecida como "O mal do século". Muito interessante também é o fato de o comum consumo de macacos pelos africanos estar tão relacionado ao surgimento do HIV, o que nos mostra que os atos mais banais podem ter as mais variadas conseqüências.
Pedro Henrique Guimarães Costa
Belo Horizonte, MG

 

Novelas

A reportagem "A vida sexual das heroínas" (8 de outubro) caracterizou bem a vida sexual das mocinhas das telenovelas. Ivani Ribeiro e Geraldo Vietri, mestres na arte da teledramaturgia, escreviam histórias sem grande conotação sexual, mostrando que fizeram grande sucesso por seus textos impecáveis e por construírem personagens impagáveis sem nenhuma apelação, a exemplo de Antonio Maria ou Ruth e Raquel. Assim, seria de bom alvitre que os jovens autores aprendessem com os grandes mestres e, em vez de se preocuparem com a vida sexual de seus personagens, se interessassem mais na construção de uma história inteligente, com emoção e conteúdo.
Ruvin Ber José Singal
São Paulo, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo escreveu um texto antológico, de pura filosofia da história, no ensaio "A vã corrida atrás da história" (8 de outubro). Sobrepondo-se ao ruído ensurdecedor dos falsos profetas que anunciam solenemente o fim do liberalismo, do neoliberalismo, do capitalismo, de um certo capitalismo, da hegemonia americana, de um modo de vida e de um modo de encarar o mundo, ele vai ao ponto quando escreve que alguns anunciam o fim do mundo por ideologia, outros "pelo irresistível impulso de avançar o sinal da história". Roberto faz lembrar os versos do poeta espanhol Antonio Machado: "Acaben los ecos / empiecen las voces". Para ficar só na conclusão de sua matéria, Pompeu diz tudo o que é preciso dizer ao enunciar este primor de perspicácia e independência intelectual: "O problema é que a história é tão exasperadamente lenta em manifestar-se que só se percebem seus movimentos décadas ou séculos depois". Com efeito, a corrida atrás da história é vã, porque corremos não atrás da história, com seu poder inesperado de inovação, mas da sombra do presente projetada no futuro.
Gilberto de Mello Kujawski
São Paulo, SP

 

Arte

Brilhante a reportagem sobre Van Gogh ("O espetáculo noturno", 1º de outubro). Uma aula de história da arte. Felizmente não foi escrita por um crítico. E a maior lição vem para os artistas "contemporâneos" do Brasil: fazem cursinho de arte moderna em seis meses e ficam com uma arrogância que Van Gogh e outros gênios jamais teriam. Contratam logo uma assessoria de imprensa, marcam o vernissage e entram no tal mercado de arte, com marchand e tudo.
João Carlos Moura de Souza
Rio de Janeiro, RJ

 

Correção: a pintura La Liberté Guidant le Peuple, de Eugène Delacroix, que ilustrou a reportagem "Pequeno guia das constituições" (8 de outubro), é alusiva à Revolução de 1830, que depôs o rei Carlos X, e não à Revolução Francesa de 1789.



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