Carta ao Leitor
O
povo não é bobo
Patricia
Santos/AE
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APROVAÇÃO Gilberto
Kassab, de São Paulo: exemplo de que a maioria dos brasileiros sabe, sim,
votar |
O primeiro turno
das eleições municipais demonstrou, outra vez, que a esmagadora
maioria dos brasileiros sabe, sim, votar, ao contrário do que ainda insistem
em propalar os descrentes na democracia nacional (felizmente, poucos). A face
mais evidente dessa capacidade de fazer boas escolhas foi a reeleição
de prefeitos cuja administração primou pela austeridade fiscal e
pela realização de obras de real interesse público. É
o caso de Beto Richa, de Curitiba, que ganhou novo mandato com mais de 70% dos
votos. Outro exemplo vem de São Paulo. Gilberto Kassab chega ao segundo
turno com um índice de aprovação na casa dos 60%, o que o
torna um dos políticos mais bem avaliados do país. Kassab só
não será reeleito se ocorrer um cataclismo durante sua campanha.
Um segundo fato a ser festejado foi a recusa dos eleitores em comportar-se como
manada dirigida por políticos com altos índices de popularidade.
Saiu machucada, enfim, a teoria de que uma personalidade carismática tem
o dom de transferir votos até mesmo para um poste. Fernando Gabeira passou
ao segundo turno, no Rio de Janeiro, depois de vencer um candidato bancado pelo
governo federal mais aplaudido da história do Brasil. E, o que é
melhor, Gabeira chega ao segundo turno com chance real de se tornar prefeito,
o que seria o reconhecimento de sua intransigente defesa da ética na Câmara
dos Deputados, em Brasília.
Uma
reportagem da presente edição de VEJA mostra mudanças também
na topologia partidária. O PMDB, esse caldo que mistura alhos e bugalhos,
continua o mais votado do Brasil. O PT, um partido gestado nos grandes centros
urbanos, desta vez viu-se mais apoiado nas regiões mais distantes, impulsionado
pela farta distribuição de dinheiro dos programas assistencialistas
do governo federal. Embora tenha conquistado mais prefeituras do que quatro anos
atrás, não houve a "maré vermelha", como anunciavam
os petistas. Não basta para um partido qualquer um contar
só com a força de um presidente da República bem avaliado
e simpático. É preciso muito mais. O povo não é bobo.