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VEJA
Recomenda
DVD
Paramount Pictures
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| Lua
de Papel: ainda um prazer |
Lua de Papel (Paper Moon, Estados Unidos, 1973. Paramount)
Com seu vozeirão incomum para uma garota de 9 anos
e seu humor afiadíssimo, Tatum O'Neal causou sensação,
há trinta anos, no papel de Addie, uma órfã
que se junta ao trambiqueiro Moses (intepretado por seu pai, Ryan
O'Neal) nos Estados Unidos da Grande Depressão. A princípio,
Moses só quer saber de se livrar da companhia indesejável.
Depois, como Addie é um bocado esperta e multiplica seus
lucros, ele aceita tentar um acordo de convivência. De pouco
em pouco, os sentimentos dos dois vão evoluir para algo mais
profundo e recíproco. Que a história de Lua de
Papel seja previsível (e é) está longe
de constituir um problema. O prazer e o cuidado com que o diretor
Peter Bogdanovich filmou esse encontro de Addie e Moses são
até hoje palpáveis, e mais do que compensam a sessão
até porque o filme permanecia inédito em vídeo
no Brasil. "Acho que Lua de Papel não ficou datado
porque ele já era, de certa forma, um filme à antiga",
pondera Bogdanovich ele próprio sempre uma atração
à parte, pela inteligência e elegância
num dos extras.
LIVROS
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| Encantamento:
contos ingleses |
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Encantamento,
de Kevin Crossley-Holland (tradução de Hildegard
Feist; Companhia das Letrinhas; 128 páginas; 32,50 reais)
Especialista em literatura inglesa arcaica, Kevin Crossley-Holland
vem se devotando desde os anos 70 a adaptar as narrativas folclóricas
britânicas para o público infantil atual. Essa antologia
é uma excelente amostra de seu trabalho. Contém vinte
histórias provenientes da Inglaterra, Escócia, Irlanda
e País de Gales, acompanhadas de ilustrações
da premiada artista Emma Chichester Clark. O elo entre essas histórias
é o sobrenatural. Numa delas, uma princesa em apuros é
ajudada por três cabeças mágicas que habitam
um poço. Em outra, um garoto morto tem de convencer uma minhoca
a devorar seu cadáver, sob pena de vagar eternamente pelo
mundo dos vivos.
Nani Gois
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| Trevisan:
fiel à boa literatura |
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Capitu
Sou Eu, de Dalton Trevisan (Record; 112 páginas;
19 reais) Aos 78 anos, o paranaense Dalton Trevisan continua
fiel a seus princípios: não concede entrevistas, não
posa para fotos e comunica-se com sua editora por telegramas. No
que diz respeito à sua literatura, a (alta) qualidade também
continua intacta. É o que se comprova nos dezenove contos
e três poemas reunidos nesse novo livro. Cada um deles tem
de duas a doze páginas, o que é um tanto caudaloso
para um autor conhecido pelo estilo minimalista. Tema recorrente
em sua obra, a perversão moral e sexual dá
mote a todos. No conto-título, uma professora tem um caso
doentio com um aluno rebelde, embalado por discussões sobre
a célebre personagem de Machado de Assis. Para Trevisan,
um conto deve ser preciso como uma picada de agulha e agulhadas
não faltam nessas histórias carregadas de pedofilia,
incesto e assassinato. Leia
trecho do livro.
DISCOS
Life
for Rent, Dido (BMG) Há dois anos, a cantora
inglesa era uma séria candidata ao anonimato isso
até o rapper Eminem utilizar o trecho de uma canção
de Dido, Thank You, para bolar outra de suas ladainhas malcriadas.
A forcinha de Eminem fez com que No Angel, disco de estréia
de Dido, vendesse mais de 12 milhões de cópias no
mundo inteiro. Life for Rent, seu mais recente lançamento,
atesta que a inglesa não precisa mais de rapper algum para
ser sucesso. Como letrista, ela traz qualidades comparáveis
às de compositoras do quilate de uma Carole King: canta sobre
problemas amorosos e fatos do dia-a-dia como se estivesse batendo
papo com um velho amigo. A vantagem é que sua voz é
docinha, o que pode render momentos relaxantes. Os destaques são
as baladas Do You Have a Little Time e See the Sun.
1959
Milano Sessions, Chet Baker (Trama) Quem assistiu
a O Talentoso Ripley deve se lembrar da cena em que os personagens
de Jude Law e Matt Damon tocam, sem brilho, My Funny Valentine,
do repertório do trompetista Chet Baker (1929-1988). Pois
1959 Milano Sessions tem o sabor daquele trecho do filme,
com a vantagem de que é o próprio Chet quem está
em ação aqui. O disco nasceu de uma atribulada parceria
entre o músico, cujo toque suave lhe rendeu o epíteto
de "mestre do cool jazz", e a gravadora italiana Pacific Jazz. O
detalhe é que Chet foi preso por porte de drogas às
vésperas da gravação e o disco foi planejado
por meio de cartas trocadas pelos executivos com o músico
na prisão. The Song Is You e a versão para
Autumn
in New York mostram que a espera foi mais do que
válida.
EXPOSIÇÃO
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| Harpa
do Congo: arte africana |
Cadeira
angolana: além do trivial
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Arte
da África (a partir desta segunda-feira, no Rio de
Janeiro) As 300 peças reunidas nessa mostra promovida
pelo Centro Cultural Banco do Brasil carioca provêm de um
dos mais importantes acervos de arte africana do mundo, o do Museu
Etnológico de Berlim. No começo do século XX,
a instituição alemã foi um ponto de referência
para os pintores modernistas europeus especialmente os expressionistas
, que basearam muito de sua estética inovadora no estudo
desses objetos. Para a exposição brasileira, o curador
Peter Junge selecionou peças produzidas em 31 países
entre os séculos XV e XX. Entre elas inclui-se, claro, uma
bela quantidade de máscaras e esculturas figurativas. Mas
o que se oferece é um painel muito mais abrangente. Entre
as preciosidades figuram instrumentos musicais, como uma harpa feita
de madeira, couro e fibras vegetais, originária do Congo
e datada do fim do século XIX. Vinda de Angola e aproximadamente
do mesmo período, há uma cadeira ricamente ornamentada,
exemplo dos objetos decorativos tribais. Nos próximos meses,
versões reduzidas da exposição deverão
ser levadas a São Paulo e Brasília.
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