Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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DVD


Paramount Pictures
Lua de Papel: ainda um prazer


Lua de Papel
(Paper Moon, Estados Unidos, 1973. Paramount) – Com seu vozeirão incomum para uma garota de 9 anos e seu humor afiadíssimo, Tatum O'Neal causou sensação, há trinta anos, no papel de Addie, uma órfã que se junta ao trambiqueiro Moses (intepretado por seu pai, Ryan O'Neal) nos Estados Unidos da Grande Depressão. A princípio, Moses só quer saber de se livrar da companhia indesejável. Depois, como Addie é um bocado esperta e multiplica seus lucros, ele aceita tentar um acordo de convivência. De pouco em pouco, os sentimentos dos dois vão evoluir para algo mais profundo e recíproco. Que a história de Lua de Papel seja previsível (e é) está longe de constituir um problema. O prazer e o cuidado com que o diretor Peter Bogdanovich filmou esse encontro de Addie e Moses são até hoje palpáveis, e mais do que compensam a sessão – até porque o filme permanecia inédito em vídeo no Brasil. "Acho que Lua de Papel não ficou datado porque ele já era, de certa forma, um filme à antiga", pondera Bogdanovich – ele próprio sempre uma atração à parte, pela inteligência e elegância – num dos extras.

 

LIVROS

 
Encantamento: contos ingleses  

Encantamento, de Kevin Crossley-Holland (tradução de Hildegard Feist; Companhia das Letrinhas; 128 páginas; 32,50 reais) – Especialista em literatura inglesa arcaica, Kevin Crossley-Holland vem se devotando desde os anos 70 a adaptar as narrativas folclóricas britânicas para o público infantil atual. Essa antologia é uma excelente amostra de seu trabalho. Contém vinte histórias provenientes da Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales, acompanhadas de ilustrações da premiada artista Emma Chichester Clark. O elo entre essas histórias é o sobrenatural. Numa delas, uma princesa em apuros é ajudada por três cabeças mágicas que habitam um poço. Em outra, um garoto morto tem de convencer uma minhoca a devorar seu cadáver, sob pena de vagar eternamente pelo mundo dos vivos.

 
Nani Gois
Trevisan: fiel à boa literatura  

Capitu Sou Eu, de Dalton Trevisan (Record; 112 páginas; 19 reais) – Aos 78 anos, o paranaense Dalton Trevisan continua fiel a seus princípios: não concede entrevistas, não posa para fotos e comunica-se com sua editora por telegramas. No que diz respeito à sua literatura, a (alta) qualidade também continua intacta. É o que se comprova nos dezenove contos e três poemas reunidos nesse novo livro. Cada um deles tem de duas a doze páginas, o que é um tanto caudaloso para um autor conhecido pelo estilo minimalista. Tema recorrente em sua obra, a perversão – moral e sexual – dá mote a todos. No conto-título, uma professora tem um caso doentio com um aluno rebelde, embalado por discussões sobre a célebre personagem de Machado de Assis. Para Trevisan, um conto deve ser preciso como uma picada de agulha – e agulhadas não faltam nessas histórias carregadas de pedofilia, incesto e assassinato. Leia trecho do livro.

 

DISCOS

Life for Rent, Dido (BMG) – Há dois anos, a cantora inglesa era uma séria candidata ao anonimato – isso até o rapper Eminem utilizar o trecho de uma canção de Dido, Thank You, para bolar outra de suas ladainhas malcriadas. A forcinha de Eminem fez com que No Angel, disco de estréia de Dido, vendesse mais de 12 milhões de cópias no mundo inteiro. Life for Rent, seu mais recente lançamento, atesta que a inglesa não precisa mais de rapper algum para ser sucesso. Como letrista, ela traz qualidades comparáveis às de compositoras do quilate de uma Carole King: canta sobre problemas amorosos e fatos do dia-a-dia como se estivesse batendo papo com um velho amigo. A vantagem é que sua voz é docinha, o que pode render momentos relaxantes. Os destaques são as baladas Do You Have a Little Time e See the Sun.

1959 Milano Sessions, Chet Baker (Trama) – Quem assistiu a O Talentoso Ripley deve se lembrar da cena em que os personagens de Jude Law e Matt Damon tocam, sem brilho, My Funny Valentine, do repertório do trompetista Chet Baker (1929-1988). Pois 1959 Milano Sessions tem o sabor daquele trecho do filme, com a vantagem de que é o próprio Chet quem está em ação aqui. O disco nasceu de uma atribulada parceria entre o músico, cujo toque suave lhe rendeu o epíteto de "mestre do cool jazz", e a gravadora italiana Pacific Jazz. O detalhe é que Chet foi preso por porte de drogas às vésperas da gravação e o disco foi planejado por meio de cartas trocadas pelos executivos com o músico na prisão. The Song Is You e a versão para Autumn in New York mostram que a espera foi mais do que válida.

 

EXPOSIÇÃO

 
Harpa do Congo: arte africana

Cadeira angolana: além do trivial

Arte da África (a partir desta segunda-feira, no Rio de Janeiro) – As 300 peças reunidas nessa mostra promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil carioca provêm de um dos mais importantes acervos de arte africana do mundo, o do Museu Etnológico de Berlim. No começo do século XX, a instituição alemã foi um ponto de referência para os pintores modernistas europeus – especialmente os expressionistas –, que basearam muito de sua estética inovadora no estudo desses objetos. Para a exposição brasileira, o curador Peter Junge selecionou peças produzidas em 31 países entre os séculos XV e XX. Entre elas inclui-se, claro, uma bela quantidade de máscaras e esculturas figurativas. Mas o que se oferece é um painel muito mais abrangente. Entre as preciosidades figuram instrumentos musicais, como uma harpa feita de madeira, couro e fibras vegetais, originária do Congo e datada do fim do século XIX. Vinda de Angola e aproximadamente do mesmo período, há uma cadeira ricamente ornamentada, exemplo dos objetos decorativos tribais. Nos próximos meses, versões reduzidas da exposição deverão ser levadas a São Paulo e Brasília.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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