Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Radar

GOVERNO

Menos quatro...
A reforma ministerial será também sinônimo de enxugamento. O governo pretende extinguir quatro ministérios. Um deles é a Secretaria Especial de Pesca, uma invenção que não colou.

...E mais um
É pule de dez nos gabinetes que interessam no Planalto a recriação do Ministério da Administração. O novo nome de batismo seria Ministério de Administração e Recursos Humanos.

 
Elogios a rodo e nenhum dinheiro

Joedson Alves/AE
Amorim: para o governo ele é bom e barato?


O ministro Celso Amorim vive uma situação peculiar. A política externa que ele comanda é exaltada aos quatro ventos por Lula como um dos pontos altos de seu governo. Paradoxalmente, o Itamaraty vive a maior pindaíba de sua história: estão atrasados os salários dos funcionários das embaixadas mundo afora, há ameaças de greve e os auxílios-moradia não são pagos há quatro meses. Em meio ao caos, há um embaixador que está menos preocupado que os outros com a falta de dinheiro de sua tropa – Itamar Franco. Todos os assessores levados para a Itália pelo ex-presidente estão com seus auxílios em dia. Ao que parece, ficou instituída, assim, uma espécie de primeira classe e classe econômica na embaixada brasileira em Roma.

 

PARTIDOS

Toca verde
Fernando Gabeira vai mesmo desembarcar no Partido Verde. Já combinou com a direção do PV que fica uns dois meses sem partido e depois cai nos braços dos verdes.

 

BRASIL

Um retrato da deficiência
Na cidadezinha de São Gonçalo, no Piauí, 33% dos habitantes são portadores de algum tipo de deficiência física ou mental. É o maior porcentual do país, muito acima da média nacional, que é de 14,5%. No extremo oposto, em Fernando de Noronha, apenas 0,5% da população tem o mesmo problema. Esses dados constam de um estudo inédito, coordenado pelo economista Marcelo Néri, da FGV/RJ, que será lançado na quinta-feira. É o mais completo e detalhado mapa do universo dos brasileiros portadores de deficiência já produzido no país.

 

CPI

A aflição continua
A CPI do Banestado, que teria até quinta-feira para concluir seus trabalhos, será prorrogada por mais seis meses.

 

ECONOMIA

Negócio à vista
Finalmente, depois de dois anos de namoro, deve ser anunciada até o fim do ano a venda da Latasa, a maior fabricante de latas de alumínio do Brasil. Quem está comprando é a inglesa Rexan, num negócio em torno de 400 milhões de dólares.

Oi, Milene
negociação ainda está no início, mas se for concretizada será uma curiosa concorrência entre marido e mulher. Milene Domingues pode vir a ser garota-propaganda da Oi. O fenomenal Ronaldinho, como se sabe, tem contrato com a TIM.

Prontas para o risco
Empresas de seguro americanas e, principalmente, européias que passaram por momentos difíceis nos últimos tempos estão apresentando balanços com bons resultados. E, então, o que temos a ver com isso? Muito. Segundo um ex-presidente do BC, essa recuperação aumenta a disposição para apostar nos riscos dos mercados emergentes.

A todo o gás
As gigantescas reservas de gás natural descobertas neste ano na Bacia de Santos podem ser mais portentosas ainda. As prospecções que estão sendo feitas no local indicam que novas boas notícias poderão vir a público nos próximos meses.

Cartéis, tremei
Está para explodir uma bomba de alta voltagem. Será lançada por um empresário que participava de um pesado cartel em seu setor e foi apanhado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE). Fechou-se, então, um acordo inédito: em troca do abrandamento da pena e da possibilidade de voltar a participar de licitações públicas, o empresário contou todo o esquema combinado com seus pares para determinar a elevação artificial dos preços.

Canteiros parados
O ano será inesquecível para as grandes empreiteiras brasileiras. Em duas das gigantes do ramo, o faturamento deste ano comparado com o de 2002 terá sofrido a maior queda já ocorrida na história das empresas. Numa delas, o faturamento de 2003 será o equivalente a 10% do registrado em 1981.

 

ESPORTE

Índio quer apito e...
prancha de surfe

Muito já se falou na mobilidade social brasileira. Mas veja este caso de mobilidade cultural. A nova sensação do surfe na Paraíba é Diana Cristina, de 13 anos. A menina é descendente de índios da tribo potiguara, que fica na reserva da Baía da Traição. Nesta semana, estará competindo no Rio de Janeiro. Com patrocínio, veja só, da Funai e tudo.

 

CONSUMO

Quanto mais prático, melhor
Até no prosaico ato de tomar iogurte a transformação de hábitos de consumo surpreende. Pesquisa inédita do Latin Panel/Ibope mostra que, enquanto os iogurtes líquidos (em garrafa) estão vendendo mais, aqueles que têm de ser comidos com colher – ou seja, os tradicionais – vêm perdendo espaço. Essa virada deu-se neste ano, sobretudo na Região Sudeste. Na Grande São Paulo, o segmento de iogurte em garrafa já lidera. E no Grande Rio o mercado vai pelo mesmo caminho.

 

SEXO

Tudo azul
Pelo menos um nicho da economia embarcou na onda do espetáculo do crescimento, anunciado por Lula há alguns meses. Quem botar uma lupa nas vendas dos produtos contra impotência sexual (Viagra & cia.) verá que esse mercado cresceu 35% entre março e setembro. Os três fabricantes estão faturando cerca de 10 milhões de dólares mensais.

Elogios a rodo e nenhum dinheiro
O ministro Celso Amorim vive uma situação peculiar. A política externa que ele comanda é exaltada aos quatro ventos por Lula como um dos pontos altos de seu governo. Paradoxalmente, o Itamaraty vive a maior pindaíba de sua história: estão atrasados os salários dos funcionários das embaixadas mundo afora, há ameaças de greve e os auxílios-moradia não são pagos há quatro meses. Em meio ao caos, há um embaixador que está menos preocupado que os outros com a falta de dinheiro de sua tropa – Itamar Franco. Todos os assessores levados para a Itália pelo ex-presidente estão com seus auxílios em dia. Ao que parece, ficou instituída, assim, uma espécie de primeira classe e classe econômica na embaixada brasileira em Roma.

 

Um problema milionário


Cesar Alves
Miriam Monteiro/Strana
Accioly: prestes a vender seu brinquedo predileto

Um item da reforma tributária em especial está tirando o sono dos milionários brasileiros. É o que institui a cobrança de IPVA para helicópteros e jatos executivos. A taxa é pesada, mesmo para os endinheirados. O empresário carioca Alexandre Accioly, por exemplo, já decidiu que se o novo imposto passar no Congresso venderá seu Dauphin 135, avaliado em 5 milhões de dólares. Feitas as contas, ele pagaria 250.000 dólares anuais – ou seja, 5% do valor do helicóptero. Acha que não vale a pena. Mas a maioria, segundo especialistas em tributação, deve seguir por outra rota para escapar do imposto. Essa turma pode fazer o seguinte: transfere a propriedade do jatinho para uma empresa aberta no Uruguai, por exemplo, mas usa o brinquedo para voar por aqui mesmo.

 

Lauro Jardim
email: ljardim@abril.com.br

 

Foto: Photodisc


 
 
 
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