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Música
A
vitória do contra
A
banda Los Hermanos faz sucesso
sem seguir a cartilha das gravadoras

Sérgio
Martins
Claudio Rossi
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| Hermanos:
Cara Estranho, a nova canção do grupo,
não tem refrão, mas não sai das rádios
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Para
um diretor de gravadora, não existe nada mais anticomercial
do que uma canção sem refrão. Se a tal música
sem refrão tiver dois solos de guitarra seguidos, pior ainda.
Se ela for escolhida como canção de trabalho
aquela que vai tocar nas rádios , é sinal de
que a gravadora está em apuros. Pois a banda Los Hermanos
provou que as exceções existem. Autores de Anna
Júlia, balada que virou hit do Carnaval baiano e foi
gravada até pelo ex-beatle George Harrison, eles têm
repudiado a fórmula do sucesso com resultados positivos.
Cara Estranho, a tal canção sem refrão
e com dois solos, não sai das rádios-rock do país.
Ventura, terceiro disco do grupo, chegou à marca de
42.000 cópias vendidas. É
pouco se comparado ao CD de estréia, que trazia Anna Júlia
e chegou aos 300.000 exemplares, mas
muito bom para o atual momento do mercado. Há, além
disso, a questão inefável do prestígio. Os
Hermanos têm fãs entre os artistas do primeiro time
da MPB e entre a moçada emergente. Caetano Veloso até
vestiu uma barba postiça, à la Hermanos, para apresentar
o grupo na mais recente premiação da MTV. "Foi um
gesto até bonito, mas ele não precisava pagar aquele
mico", diz o tecladista Bruno Medina.
A
principal estratégia de marketing dos Hermanos é não
ter estratégia. Ou melhor, fingir que não têm
estratégia. Apesar de serem todos de classe média
alta, eles se vestem de maneira relaxada e não dispensam
a camiseta furada, item obrigatório em bandas ditas alternativas.
Três deles usam barba que os credenciaria como figurantes
de filmes bíblicos. A justificativa vai do queixo fino do
cantor e guitarrista Marcelo Camelo a barba esconderia essa
imperfeição à preguiça de usar
a navalha. O toque final fica por conta de uma postura de quem é
alheio ao sucesso. "Não fazemos músicas para passar
mensagens ou revolucionar o mercado. Nossos CDs não servem
para nada a não ser para serem tocados", diz o guitarrista
Rodrigo Amarante. Os Hermanos são uma das raras bandas brasileiras
que não imitam a mescla de funk e rock consagrada por artistas
como Charlie Brown Jr. Também não apelam às
letras escatológicas. Pelo contrário: muitas de suas
composições trazem uma certa melancolia que lembra
os sambas antigos. As apresentações do grupo costumam
atrair um público bastante diverso, que chega às lágrimas
durante as passagens mais românticas das canções.
Os fãs nem sequer reclamam da ausência de Anna Júlia,
há tempos vetada das turnês dos Hermanos. "A gente
até gosta dela, mas a canção não cabe
mais no roteiro", justificam.
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