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Televisão
Vai
um boi aí?
De
gado a máquinas de waffles, os
programas de vendas oferecem de
tudo. Até uma musa eles têm

Ricardo
Valladares
Oscar Cabral
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| Viviane:
receitas queimadas e cachê de 15 000 reais |
Há
tempos os programas de vendas vêm ganhando espaço nas
emissoras. A novidade é que a clientela já se tornou
tão fiel que elegeu até uma musa: a paulistana com
forte sotaque carioca (ela foi criada no Rio de Janeiro) Viviane
Romanelli, de 41 anos, contratada do canal Shoptime. Viviane apresenta
receitas ao vivo um mero pretexto para utilizar os produtos
que vende no programa TV UD e é uma recordista,
com marcas como a venda de 500 máquinas de waffles em 90
minutos. O mais impressionante: 49% do seu público é
composto de homens. "Ela é muito persuasiva, e fisga o telespectador
mesmo quando fala sem olhar para a câmera", diz Marlene Mattos,
diretora da Rede Globo e empresária da vendedora. Quando
faz palestras ou se apresenta em feiras de utilidades domésticas,
Viviane ganha cachê de celebridade: de 12.000
a 15.000 reais por três horas de
trabalho. O segredo de sua popularidade, acredita ela, é
o jeito íntimo com que trata o espectador. "É como
se ele estivesse ali na cozinha comigo", diz Viviane, que jura testar
os produtos antes de mascateá-los no ar e faz o gênero
estabanada (ela é especialista em queimar receitas ao vivo).
"Esse é o charme do programa", diz Carlito Camargo, o diretor
do Shoptime, que faturou 140 milhões de reais no ano passado.
Reprodução de tv
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| O
Canal do Boi: aqui, basta um animal limpo e gordo |
Nem
todas as lojas eletrônicas precisam de balconistas tão
glamorosas quanto a do TV UD. No Canal do Boi, por exemplo,
basta mostrar um animal limpo e gordo. Com sede em Campo Grande
e oitenta funcionários, o canal existe há sete anos
(nos últimos quatro, tem ido ao ar 24 horas por dia) e é
recebido pela DirecTV ou por parabólica. A programação
é simples: exibem-se leilões de gado, reportagens
sobre pecuária ou eventos especiais com criadores de gado.
O canal conta com cerca de 60.000 criadores
cadastrados para participar dos leilões. Eles fazem seus
lances com base em imagens dos animais e algumas especificações
estampadas na tela a procedência do boi, sua circunferência
escrotal e seu peso. Os valores ficam entre 4.000
e 250.000 reais, e o orgulho do dono
do Canal do Boi, José Cláudio Godoy, é o índice
de inadimplência entre seus inscritos: 0%, segundo ele.
Curioso
também é o 1.001
Noites, programa exibido madrugada adentro pela CNT e que realiza
leilões de tapetes, jóias e quadros. Em Curitiba,
onde é gerado desde 1995, o programa ganhou o apelido de
"serial killer", por causa da maneira como mostra suas jóias
com o foco fechado nas mãos, pescoço e orelhas
de suas modelos, sem que se possa ver a quem pertencem. A medida
é muito econômica: as modelos freqüentemente são
as próprias funcionárias da produtora, ou "quem estiver
passando pelo estúdio", brinca o dono do programa, Paulo
César Caleffe.
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