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Diplomacia
7 perigos de dar uma
banana para a Alca

Euripedes
Alcântara
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A
frase do estadista francês Georges Clemenceau (1841-1929)
segundo a qual "a guerra é uma coisa muito séria para
ser confiada aos generais" ganhou uma nova aplicação
no Brasil. As relações exteriores, dominadas atualmente
pelas questões comerciais, tornaram-se muito sérias,
complexas e técnicas para ser deixadas apenas nas mãos
dos diplomatas do Itamaraty. Em uma reunião precedida de
almoço no Palácio do Planalto na semana passada, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou resultados práticos
dos negociadores brasileiros envolvidos com a Área de Livre
Comércio das Américas (Alca) e a Organização
Mundial do Comércio (OMC). Lula permitiu que o principal
personagem das cobranças no almoço, o chanceler Celso
Amorim, fosse o único a dar uma versão pública
do encontro, que reuniu também Antonio Palocci, ministro
da Fazenda, e Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento. Outra peça
vital, Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, que arriscou
o pescoço ao fazer a primeira crítica à condução
das negociações pelo Itamaraty, não pôde
comparecer. Estava em viagem oficial ao Uruguai (veja
entrevista de Rodrigues).
Resultou
do almoço a versão oficial de que os ministros vão
evitar novos "mal-entendidos". Foi mais do que isso. Lula quebrou
o monopólio dos diplomatas na condução do comércio
exterior, advertiu-os sobre os exageros triunfalistas e exigiu que,
a partir de agora, os ministros que integram a Câmara de Comércio
Exterior (Camex) passem a participar do processo de negociação
na Alca e na OMC. Nos Estados Unidos, desde sempre se separou o
comércio exterior da diplomacia. O Departamento de Estado
cuida dos assuntos diplomáticos. O comércio tem seu
próprio organismo com status de ministério, hoje dirigido
por Robert Zoellick. A reportagem que se segue lista sete perigos
a que o Brasil se arrisca caso opte por não embarcar no trem
da Alca.
A
Área de Livre Comércio das Américas (Alca)
visa a abolir as tarifas alfandegárias entre 34 países
do continente. A posição brasileira tem sido adiar
o acordo. O Brasil está certo?
1. BRAVATAS
Tiram o foco do árduo trabalho técnico
de negociação
A
seguir, o exemplo mexicano de como substituir as frases de efeito
por trabalho árduo e produtivo. Para negociar sua entrada
no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta),
efetivada em 1994, o México reuniu, em 1991, uma equipe de
técnicos altamente especializados, a maior parte deles com
título de Ph.D. e doutorado. A equipe se dividiu em doze
grupos, sob o comando da Secretaria de Economia do Ministério
da Indústria e Comércio. O México montou uma
engrenagem tecnicamente forte para tentar se sair bem na discussão
do acordo. A idéia de simplesmente dizer não a americanos
e canadenses foi considerada seriamente. O ponto de partida dos
negociadores foi a produção de mais de 160 monografias
com o diagnóstico de cada setor da economia mexicana, trabalho
este elaborado pelas entidades empresariais.
"Lidar
com os americanos foi difícil, mas a negociação
com cada setor privado mexicano produziu muitas batalhas", disse
a VEJA o economista mexicano Fernando de Mateo Venturini, encarregado
da coordenação do grupo de serviços do Nafta.
Venturini ocupa a posição de principal negociador
mexicano na Alca para a América Latina e Europa. "Só
íamos para as reuniões depois de discutir exaustivamente
cada item de nossa proposta com os empresários", lembra o
economista. Depois do Nafta, o México quase triplicou suas
exportações. As vendas externas tiveram um ganho de
qualidade. Em 1994, o valor agregado às exportações
mexicanas aumento de valor produzido pelas transformações
e beneficiamentos efetuados pela indústria somava
29 bilhões de dólares. Em 2002, bateu a casa dos 73
bilhões de dólares.
Dida Sampaio/AE
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| Lula
com Palocci: o presidente está de olho e quer ver resultados
práticos muito rapidamente |
2.
ERRO
DE CÁLCULO
O Brasil pode não aderir, mas é
incapaz
de impedir a formação da Alca
Os diplomatas fazem aquilo para que são treinados e é
um tremendo erro de cálculo do governo esperar deles mais
do que sua formação pode permitir. Muitas vezes o
que parece ser uma vitória diplomática pode resultar
em um fracasso do ponto de vista econômico. Novamente nos
socorre a experiência mexicana. O México conduziu-se
nas discussões do Nafta (e agora repete na Alca) de maneira
profissional. A ideologia conta pouco ou nada quando se trata de
fazer contas e analisar os impactos dos acordos em cada um dos interesses
nacionais contrariados ou beneficiados por eles. No Brasil, a coordenação
esteve sempre a cargo do Itamaraty. "A diplomacia ajuda na negociação,
mas as discussões têm de ser fundamentalmente técnicas",
diz Sérgio Werlang, diretor do Banco Itaú e ex-diretor
do Banco Central. "É necessário saber onde está
o ganho e a perda de cada proposta. Se isso já é difícil
para bons economistas, imagine para os diplomatas", diz. O grupo
de trabalho do Itamaraty para a Alca tem apenas cinco pessoas. É
claro que eles vão buscar ajuda de outros funcionários
do ministério quando deparam com questões muito específicas.
Mas há uma diferença entre contar com técnicos
dedicados em tempo integral à montagem de um acordo e socorrer-se
de técnicos que estão envolvidos em várias
outras tarefas.
O Itamaraty, por orientação do Planalto, tem buscado
a cooperação de setores da sociedade civil e do empresariado.
Mas essa relação é tímida, desajeitada
e até ideológica. Uma operação amadorística
quando comparada à equipe profissional, trabalhando em tempo
integral, montada pelo México para dar conta da empreitada
de negociar com as raposas americanas. A escolha brasileira gera
absurdos. Como reclamou ao presidente Lula o ministro do Desenvolvimento,
Luiz Fernando Furlan, a Câmara de Comércio Exterior
(Camex) não foi sequer consultada na preparação
da fatídica reunião de Trinidad e Tobago. Mas representantes
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Rebrip, ONG
que se dedica à integração dos povos indígenas,
duas entidades contrárias a qualquer versão da Alca,
foram a Trinidad e Tobago com os diplomatas brasileiros. O economista
Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação
Getúlio Vargas, resume: "As coisas vão acontecer com
ou sem nossa presença. O que temos de saber é onde
queremos ganhar e onde admitimos perder".
3. ISOLAMENTO
Os vizinhos, até os do Mercosul, estão
loucos para se acertar com os EUA
O
Chile desfruta atualmente seis acordos bilaterais com os Estados
Unidos e tem fortes laços comerciais com os países
do Pacífico. Os chilenos não querem ouvir falar de
confronto com os americanos. A Costa Rica e o Uruguai anunciaram
oficialmente sua recusa em seguir a liderança brasileira
na Alca. O Uruguai faz parte do Mercosul, a aliança comercial
do Cone Sul da América Latina, que resistiu à liberação
do câmbio brasileiro em janeiro de 1999 mas não tem
como se manter íntegra caso os americanos joguem pesado,
oferecendo vantagens comerciais específicas a cada um dos
membros. A Colômbia já pulou fora do G-22, grupo de
países alinhados com o Brasil na Organização
Mundial do Comércio (OMC). A África do Sul também.
As adesões de Índia e China ao Brasil na OMC têm
a consistência de papel. Sobre a resistência da diplomacia
brasileira a negociar a formação da Alca, diz Marcos
Sawaya Jank, da Universidade de São Paulo e um dos mais respeitados
especialistas brasileiros em comércio exterior: "Tentar reformar
o clube sem participar do clube é um atalho para o isolamento".
Jank vê um problema básico na atitude da diplomacia
brasileira na Alca em especial e, de modo mais geral, na OMC. "O
Brasil parece não saber o que quer e, em sendo assim, perde
o fio condutor das negociações", afirma Jank.
Reuters
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| Militantes
queimam bandeira americana nas ruas de Cancún, no México: protecionismo
em alta |
Os
especialistas alertam para o fato de o tempo das meganegociações
ter se esgotado. Os países mais bem-sucedidos em seus acordos
comerciais internacionais não deixam que idiossincrasias
ideológicas se sentem à mesa com seus negociadores.
Diz Jank: "É um erro colocar temas monolíticos e muito
abrangentes. Mesmo a agricultura não pode ser discutida em
bloco. Há muitos acordos pequenos e localizados que podem
satisfazer interesses econômicos entre dois países".
Não é outra a razão pela qual o comércio
exterior se tornou uma questão séria e complexa demais
para ser deixada a cargo dos diplomatas. Do ponto de vista de alguns
diplomatas brasileiros conhecidos em Brasília como "as viúvas
de Stalin", que estavam tendo exagerada e indevida influência
nas negociações comerciais, tudo o que afaste o Brasil
dos Estados Unidos é considerado um triunfo. O isolamento
comercial seria apenas o preço a pagar para livrar o povo
brasileiro da "anexação" ao império americano.
Até a semana passada, tolices dessa magnitude estavam tendo
curso livre no Itamaraty do governo petista.
Lula e a ala racional do governo perceberam o perigo do isolamento
do Brasil e tomaram a decisão, ainda não anunciada,
de afastar o ideólogo do confronto com os Estados Unidos,
Samuel Pinheiro Guimarães, atual secretário-geral
do Itamaraty, segundo posto da hierarquia diplomática brasileira.
Guimarães, mantido no freezer durante todo o governo FHC,
foi ressuscitado no governo Lula. Ele se prepara agora para outro
período de hibernação. O presidente ofereceu-lhe
transferência para a embaixada na Argentina. Guimarães
recusou. De qualquer modo, não deve ficar em posto de comando
na chancelaria.
4.
IRRELEVÂNCIA
Com 0,89% do comércio mundial o
Brasil se arrisca a ficar menor
Depois
do fiasco na reunião de Trinidad e Tobago, a arriscada trajetória
de confronto imprimida por parte da diplomacia brasileira foi apelidada
em Brasília de "estratégia Kubanacan". Coisa de novela.
Levada a suas últimas conseqüências, ela seria
uma paródia da diplomacia de Cuba, país que passou
os últimos quarenta anos denunciando os males do capitalismo
dos EUA e, contraditoriamente, pondo a culpa de suas misérias
no isolamento comercial imposto à ilha pelos americanos.
Fidel Castro não perde a chance de denunciar o "bloqueio".
O velho líder reconhece aquilo que os manuais econômicos
capitalistas são unânimes em apontar: o comércio
internacional é a maneira mais eficiente de produzir riqueza.
Pela eloqüência com que se queixa do bloqueio comercial,
Fidel está involuntariamente informando que considera o comércio
com os EUA positivo para os interesses nacionais de Cuba. Tem mais:
Cuba fez passar a lei de investimentos estrangeiros mais neoliberal
do mundo. Investidores estrangeiros podem ser únicos donos
das empresas que abrirem na ilha e repatriar sem impostos 100% de
seus lucros. Repatriação de lucros no Brasil é
taxada, e seu limite é de 27%.
Pena que as delegações brasileiras em visita à
ilha de Fidel tendam a perder o senso crítico, enxergando
nos comunistas caribenhos virtudes revolucionárias há
muito sepultadas pelos realistas dirigentes cubanos. Caso prevaleça
no Itamaraty a linha de esquecer as oportunidades da Alca e só
enxergar seus riscos, o que a esta altura felizmente parece menos
provável, o Brasil se arrisca à irrelevância
no panorama econômico mundial. O país hoje responde
por apenas 0,89% de todas as transações de compra
e venda realizadas no planeta. É uma fatia tão pequena
que deveria servir de alerta à diplomacia brasileira. Fora
da Alca e com os vizinhos participando do bloco, o Brasil ficaria
ainda menor no mercado planetário de bens e serviços.
Além de perder oportunidades de negócio, teria de
se despedir para sempre de sua justa e merecida liderança
política no continente latino-americano. Pergunta a economista
Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas:
"Que espécie de líder seria o Brasil com interesses
diferentes dos dos países que pretende representar ?".
Dida Sampaio/AE
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AFP
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| Amorim
e o americano Zoellick: intransigência dos dois lados
levaram a Alca a um impasse |
5.
FECHAR A ECONOMIA
O mercado interno não
resolve tudo
A euforia dos mercados financeiros na semana passada é uma
prova de que o Brasil é um país cuja vida econômica
é fortemente influenciada pelos mercados globais. De um lado,
os bons indicadores, como a valorização recorde dos
títulos da dívida brasileira e a queda do risco-país,
refletem a solidez da política econômica do governo
Lula. De outro, eles mostram que, com os menores juros da história
nos Estados Unidos e na Europa, os investidores estrangeiros estão
buscando avidamente remuneração melhor para seu dinheiro.
Neste momento, com 42% de ganhos acumulados no ano, o mercado de
ações do Brasil é um dos destinos mais atraentes.
O Brasil representa mais de 50% da economia da América do
Sul e 49% da população da região. Os Estados
Unidos colocaram no Brasil, na última década, cinco
vezes mais dinheiro do que na China entre 1995 e 2000 foram
35 bilhões de dólares em investimentos em fábricas
e compra de empresas. Por esses motivos, muitos diplomatas brasileiros
e economistas de esquerda acreditam que os Estados Unidos não
formariam a Alca sem o Brasil. Esses números podem sugerir
também que o Brasil é uma economia que pode viver
muito bem com seu mercado interno. É ilusão. Esse
seria, talvez, o maior perigo envolvido nas vacilações
brasileiras a respeito da Alca. Não existem mais países
ostras. Talvez nunca tenham existido. Um estudo recente do Laboratório
Nacional Brookhaven, dos Estados Unidos, mostrou que o império
soviético desabou no começo da década de 90
também sob o peso de uma crise recessiva global que cortou
quase pela metade os recursos obtidos com exportações
para o Ocidente.
6.
ESTAGNAÇÃO
Sem comércio externo não há
crescimento. Todos concordam
Qual o maior interesse do Brasil na Alca? Essa é, na opinião
de calejados negociadores, a pergunta que deve ser feita pelos nossos
diplomatas. Trabalhar para inviabilizar a formação
do bloco não é uma estratégia factível.
Alain Belda, 59 anos, presidente da Alcoa, o maior produtor mundial
de alumínio e um dos mais bem-sucedidos executivos brasileiros
no exterior, não tem dúvida sobre como responder à
pergunta acima. "O Brasil tem um PIB de 1 trilhão de reais
e precisa ter 2 ou 3 trilhões para elevar a renda per capita
e melhorar as condições de vida dos brasileiros. O
resto é tudo conversa", diz Belda, que não tem dúvida
de que o comércio exterior é a única alavanca
disponível para atingir esse objetivo no prazo de oito anos.
Mas é preciso mesmo se entender com os Estados Unidos para
atingir esses objetivos? Teoricamente isso pode ser obtido, por
exemplo, aumentando-se o volume de comércio com China e Índia.
Na prática de outros países, ter acesso ao mercado
americano facilita as coisas.
O México obtém hoje 8 de cada 10 dólares de
suas exportações das vendas que suas empresas fazem
ao mercado americano. Os outros 2 vêm de trinta acordos bilaterais
fechados pelos mexicanos na Ásia, na América Latina
e na Europa graças ao acesso que o México tem ao poder
de compra externa dos Estados Unidos, que está em cerca de
1 trilhão de dólares por ano. "A chave para entender
o desempenho mexicano é o acordo de livre-comércio
com os Estados Unidos. Com as exportações, o país
cresceu e obteve os dólares para pagar a dívida externa",
diz Renato Baumann, diretor no Brasil da Cepal, o órgão
econômico das Nações Unidas voltado para a América
Latina e o Caribe. O Brasil conseguiria resultado semelhante com
a Alca? Nunca se saberá, se Brasília não negociar.
Beto Barata/AE
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| Euforia
na bolsa brasileira: país ainda vulnerável |
7.
PROTECIONISMO
O Brasil pode dar o pretexto para que
os ricos fechem mais seus mercados
Um dos grandes perigos suscitados pela posição brasileira,
até aqui, de fazer corpo mole nas negociações
da Alca na esperança de adiar a formação do
bloco e até mesmo inviabilizá-la é
colocar mais lenha na fogueira mundial do protecionismo. O economista
Martin Feldman, da Universidade Harvard, cita a "tentação
protecionista" como a maior ameaça à paz mundial nos
dias que correm. Feldman coloca o protecionismo à frente
do terrorismo quanto ao poder de destruição de riquezas.
"Para onde quer que se olhe, o protecionismo está ganhando
adeptos", diz o professor americano. Nos Estados Unidos, o clima
recessivo da economia e a migração de empregos de
alta tecnologia e serviços para países como Índia,
Irlanda e Paquistão estão engrossando as fileiras
dos movimentos contrários ao livre-comércio. Segundo
um levantamento do instituto de pesquisa Forrester, em 2015 mais
de 3 milhões de vagas desses setores que poderiam ter sido
abertas nos Estados Unidos terão migrado para as regiões
de salários mais baixos.
Dez em dez economistas, de todas as tendências, concordam
que o protecionismo empobrece e que sua disseminação
pelo mundo vai punir especialmente os países emergentes,
como o Brasil. A Europa gasta cerca de 1 bilhão de dólares
por dia em subsídios agrícolas e ainda existem estudiosos
que acham pouco. O governo brasileiro precisa superar rapidamente
a fase dos grandes planos e da megalomania em política externa
para ir buscar resultados caso a caso, país a país.
A Alemanha, por exemplo, compra 4,5% de tudo o que o Brasil exporta.
Seria um bom resultado se os alemães não representassem
8,5% de tudo o que o Brasil importa. Recentemente, a TAM comprou
1,5 bilhão de dólares em aviões de uma fábrica
em Hamburgo. O Brasil não vendeu sequer um avião da
Embraer para a Alemanha. O presidente Lula, felizmente, tem posição
muito mais realista do que sua diplomacia. Ele fechou a reunião
sobre a Alca na semana passada no Palácio do Planalto citando
esse exemplo das relações comerciais Brasil-Alemanha
e exigindo resultados. O Brasil agradece.
Ed Ferreira/AE
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| Furlan:
índios e CUT foram consultados sobre a Alca. Ele não
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Com
reportagem de Eduardo Salgado,
Maurício Lima e Ronaldo França
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