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O totó é meu
Donos separados disputam
a "guarda" dos bichinhos
Antonio Milena
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Regiane, com Ted e Nick: acordo para
não "separar os irmãos"
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Já se passaram quase dois anos, mas o promotor Zenon Tertius não se esquece
de uma separação que arbitrou em Mogi Mirim, interior de São Paulo. O
casal, cada qual com seu advogado, conversou e chegou a bom termo sobre
divisão de bens, guarda dos filhos e pensão. Mas perdeu a classe na hora
de decidir quem ficava com o cachorrinho da família. "O resto, tudo
bem, mas o cachorro é meu", arrepiou-se o marido, pronto para o litígio.
"Acabamos aplicando a lei sobre guarda das crianças, e o cão ficou
com ela", recorda-se Tertius. A disputa conjugal transposta para
o reino animal parece piada para quem não se liga em bichinhos de estimação.
Separar-se do lulu, no entanto, pode ser um problema de verdade, em geral
contornado em acordos informais – ao contrário
dos Estados Unidos, onde a coisa chega a virar caso de polícia. Lá, a
guarda dos bichinhos é tratada tão a sério quanto a de um filho nos processos
de divórcio.
Alexandre Tokitaka
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Érica: fotos de Fogão na cabeceira da cama
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Por aqui, cada um se ajeita como pode. A designer Érica Pinotti tem fotos
de seu cachorro, "Fogão", na cabeceira da cama e no escritório,
mas priva-se de vê-lo com muita freqüência, para que "sofra menos".
Nesse arranjo, quem sofre é Érica – por ter
tomado a iniciativa de sair de casa, deixou-o com o ex-marido. "Entrei
em crise. Tive a mesma sensação de uma mãe que abandona o filho",
lembra. Já os labradores "Nick" e "Ted" vivem com
Regiane Mancini, mas passam o sábado com seu ex-marido, Peter Cheng, que
também comparece com metade dos 1.000 reais mensais de sustento da dupla. Por que não ficou
cada um com um cão? "Seria muito doloroso separar os irmãos",
argumenta Regiane. Nem sempre a transição é tranqüila. O zootecnista Alexandre
Rossi, chamado a tratar da depressão de um cão cujos donos se separaram,
teve de bancar a babá. Como os ex não se falavam, era Rossi quem levava
o bicho da casa dela para as visitas na dele. Sem contar outros atritos
inerentes à natureza humana. "Tem gente que estimula o cão a latir
para o ex", diz a carioca Claudia Pizzolatto, especialista em comportamento
animal.
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