Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

Índice
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
VEJA on-line
Autor-retrato
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs


Divulgação
O Dia do Gafanhoto: olhar impiedoso com um quê de histeria sobre Hollywood


O Dia do Gafanhoto
(The Day of the Locust,
Estados Unidos, 1975. Paramount) – Quando o americano Nathanael West lançou seu romance homônimo, em 1939, Hollywood ainda era o oásis com que todos sonhavam em meio à Grande Depressão – daí o livro ter sido um completo fiasco. Em meados da desiludida década de 70, quando a versão cinematográfica de O Dia do Gafanhoto estreou, a história já fazia mais sentido para a platéia: na Los Angeles dos anos 30, fracassados e desesperados de todo tipo acorrem para o brilho do cinema, atrás de uma chance milagrosa, como mariposas para uma lâmpada. E não terão destino melhor do que elas. O inglês John Schlesinger dirige o filme com um olhar impiedoso e um quê de histeria, que fazem de Hollywood uma espécie de cidade de pesadelo.

The Kids Are Alright, The Who (de Jeff Stein; Inglaterra, 1979. BMG) – Esse é um melhores documentários já realizados sobre o dia-a-dia de uma banda de rock. O diretor Jeff Stein gravou um show do Who para um público restrito e fez entrevistas hilárias com os integrantes do quarteto (a melhor é a do baterista Keith Moon, que dá seu depoimento enquanto é chicoteado por uma mulher em trajes sadomasoquistas). Além disso, Stein completou o material com raridades saídas do arquivo da banda. O resultado mostra por que The Who foi uma das maiores bandas do rock inglês. Eles eram músicos fantásticos e tinham um humor afiadíssimo. Essa edição especial traz mais de 1 hora de material inédito, além de ter uma sonoridade impecável.

Divulgação
Twin Peaks: TV como nunca se viu


Twin Peaks – A Primeira Temporada
(Estados Unidos, 1990. Paramount) – Um sórdido mundo subterrâneo de prostituição, drogas, desvios freudianos e eventos sobrenaturais é o que o agente federal Dale Cooper encontra ao rumar para a bela e pacífica cidadezinha de Twin Peaks, a fim de investigar o assassinato da jovem Laura Palmer. O diretor David Lynch, de Veludo Azul e Cidade dos Sonhos, fez uma série de TV como nunca havia existido antes (ou depois): uma mistura indivisível de kitsch e sublime, de inovação e de homenagem aos melodramas dos anos 50, que tem na trilha de Angelo Badalamenti sua tradução exata. A má notícia: os capítulos restantes da série, aqueles em que o crime é resolvido, só chegam às lojas em meados do ano que vem.

 

DISCOS

Up at the Lake, The Charlatans (Universal) – O quinteto de Manchester parece sofrer com a mesma maldição que assombra a seleção inglesa de futebol. Os Charlatans são um time de craques que nunca vence o campeonato, ou seja, jamais chega ao topo da parada na Inglaterra. Pouco importa. Comandados pelo vocalista Tim Burguess, uma versão remoçada de Mick Jagger, eles fazem discos que estão bem acima da média do rock atual. Up at the Lake, seu último lançamento, traz canções influenciadas pelo psicodelismo e pelo folk americano. A melhor faixa é o rockão High up Your Tree, mas as outras dez músicas não ficam longe em vibração. Ouça o disco


Jorge Rosenberg
Herbie Hancock: entre o jazz e o pop

Blue Note Plays, vários intérpretes (EMI) – Um dos selos de jazz mais tradicionais dos Estados Unidos, o Blue Note vem se esforçando para renovar seu catálogo e seu público. Essa série de três discos se enquadra nessa proposta. Ela compila releituras jazzísticas feitas ao longo dos anos para o rock dos Beatles, o soul de Stevie Wonder e o "pop chic" de Burt Bacharach. Da versão incendiária do tecladista Richard "Groove" Holmes para a plácida Do You Know the Way to San Jose à elegância do guitarrista Grant Green em I'll Never Fall in Love Again, o disco dedicado a Bacharach é o que apresenta o melhor conjunto. Mas os outros álbuns têm seus pontos altos, como o pianista Herbie Hancock interpretando Summer Soft, de Wonder, ou Buddy Rich submetendo Norwegian Wood, dos Beatles, à sua big band.

 

LIVROS

O Xará, de Jhumpa Lahiri (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 334 páginas; 43 reais) – Jhumpa Lahiri nasceu em Londres, cresceu em Rhode Island, nos Estados Unidos, e tem pais indianos. É a escritora ideal para falar do estranhamento cultural dos imigrantes nas grandes cidades americanas. Primeiro romance da autora – seu livro de estréia, a coletânea de contos Intérprete de Males, lhe valeu o Prêmio Pulitzer de 2000 –, O Xará narra a formação de um filho de imigrantes indianos que, por engano, foi batizado como Gogol, o mesmo nome do escritor russo de O Capote e O Nariz. A história vai de 1968, quando Gogol nasce, até 2000, quando ele se forma arquiteto. E em nenhum momento desse largo período o personagem consegue se sentir à vontade com seu cruzamento cultural. Leia trecho.

A Ciência na Vida Cotidiana, de Jay Ingram (tradução de Claudia Gerpe Duarte; Ediouro; 280 páginas; 34,90 reais) – Lembra-se dos desenhos animados clássicos do Papa-Léguas? Volta e meia o Coiote, vilão do programa, corria em linha reta sobre um abismo – e só começava a desabar depois de olhar para baixo e dar falta do chão sob seus pés. Âncora do Discovery Channel no Canadá e autor de divulgação científica, Jay Ingram constata, em um dos divertidos ensaios desse livro, que essa concepção fantasiosa dos movimentos corresponde a idéias da física medieval. Em textos curtos e bem-humorados, Ingram examina a ciência que se oculta no dia-a-dia – da direção em que a água gira no ralo de nossa pia à aerodinâmica do vôo dos gansos.

 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinenses; Goiânia: Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura.
 
 
 
topo voltar