|
|
VEJA Recomenda
DVDs
Divulgação
 |
| O Dia do Gafanhoto: olhar impiedoso
com um quê de histeria sobre Hollywood |
O Dia do Gafanhoto (The Day of the Locust, Estados Unidos,
1975. Paramount) Quando o americano Nathanael West lançou
seu romance homônimo, em 1939, Hollywood ainda era o oásis
com que todos sonhavam em meio à Grande Depressão
daí o livro ter sido um completo fiasco. Em meados
da desiludida década de 70, quando a versão cinematográfica
de O Dia do Gafanhoto estreou, a história já
fazia mais sentido para a platéia: na Los Angeles dos anos
30, fracassados e desesperados de todo tipo acorrem para o brilho
do cinema, atrás de uma chance milagrosa, como mariposas
para uma lâmpada. E não terão destino melhor
do que elas. O inglês John Schlesinger dirige o filme com
um olhar impiedoso e um quê de histeria, que fazem de Hollywood
uma espécie de cidade de pesadelo.
The Kids Are Alright, The Who
(de Jeff Stein; Inglaterra, 1979. BMG) Esse é um melhores
documentários já realizados sobre o dia-a-dia de uma
banda de rock. O diretor Jeff Stein gravou um show do Who para um
público restrito e fez entrevistas hilárias com os
integrantes do quarteto (a melhor é a do baterista Keith
Moon, que dá seu depoimento enquanto é chicoteado
por uma mulher em trajes sadomasoquistas). Além disso, Stein
completou o material com raridades saídas do arquivo da banda.
O resultado mostra por que The Who foi uma das maiores bandas do
rock inglês. Eles eram músicos fantásticos e
tinham um humor afiadíssimo. Essa edição especial
traz mais de 1 hora de material inédito, além de ter
uma sonoridade impecável.
Divulgação
 |
| Twin Peaks: TV como nunca se viu |
Twin Peaks A Primeira Temporada (Estados Unidos,
1990. Paramount) Um sórdido mundo subterrâneo
de prostituição, drogas, desvios freudianos e eventos
sobrenaturais é o que o agente federal Dale Cooper encontra
ao rumar para a bela e pacífica cidadezinha de Twin Peaks,
a fim de investigar o assassinato da jovem Laura Palmer. O diretor
David Lynch, de Veludo Azul e Cidade dos Sonhos, fez
uma série de TV como nunca havia existido antes (ou depois):
uma mistura indivisível de kitsch e sublime, de inovação
e de homenagem aos melodramas dos anos 50, que tem na trilha de
Angelo Badalamenti sua tradução exata. A má
notícia: os capítulos restantes da série, aqueles
em que o crime é resolvido, só chegam às lojas
em meados do ano que vem.
DISCOS
Up
at the Lake, The Charlatans (Universal) O quinteto
de Manchester parece sofrer com a mesma maldição que
assombra a seleção inglesa de futebol. Os Charlatans
são um time de craques que nunca vence o campeonato, ou seja,
jamais chega ao topo da parada na Inglaterra. Pouco importa. Comandados
pelo vocalista Tim Burguess, uma versão remoçada de
Mick Jagger, eles fazem discos que estão bem acima da média
do rock atual. Up at the Lake, seu último lançamento,
traz canções influenciadas pelo psicodelismo e pelo
folk americano. A melhor faixa é o rockão High
up Your Tree, mas as outras dez músicas não ficam
longe em vibração.
Ouça
o disco
Jorge Rosenberg
 |
 |
| Herbie Hancock: entre o jazz e
o pop |
Blue Note Plays, vários
intérpretes (EMI) Um dos selos de jazz mais tradicionais
dos Estados Unidos, o Blue Note vem se esforçando para renovar
seu catálogo e seu público. Essa série de três
discos se enquadra nessa proposta. Ela compila releituras jazzísticas
feitas ao longo dos anos para o rock dos Beatles, o soul de Stevie
Wonder e o "pop chic" de Burt Bacharach. Da versão incendiária
do tecladista Richard "Groove" Holmes para a plácida Do
You Know the Way to San Jose à elegância do guitarrista
Grant Green em I'll Never Fall in Love Again, o disco dedicado
a Bacharach é o que apresenta o melhor conjunto. Mas os outros
álbuns têm seus pontos altos, como o pianista Herbie
Hancock interpretando Summer Soft, de Wonder, ou Buddy Rich
submetendo Norwegian Wood, dos Beatles, à sua big
band.
LIVROS
O
Xará, de Jhumpa Lahiri (tradução de
José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 334 páginas;
43 reais) Jhumpa Lahiri nasceu em Londres, cresceu em Rhode
Island, nos Estados Unidos, e tem pais indianos. É a escritora
ideal para falar do estranhamento cultural dos imigrantes nas grandes
cidades americanas. Primeiro romance da autora seu livro
de estréia, a coletânea de contos Intérprete
de Males, lhe valeu o Prêmio Pulitzer de 2000 ,
O Xará narra a formação de um filho
de imigrantes indianos que, por engano, foi batizado como Gogol,
o mesmo nome do escritor russo de O Capote e O Nariz.
A história vai de 1968, quando Gogol nasce, até
2000, quando ele se forma arquiteto. E em nenhum momento desse largo
período o personagem consegue se sentir à vontade
com seu cruzamento cultural. Leia
trecho.
A
Ciência na Vida Cotidiana, de Jay Ingram (tradução
de Claudia Gerpe Duarte; Ediouro; 280 páginas; 34,90 reais)
Lembra-se dos desenhos animados clássicos do Papa-Léguas?
Volta e meia o Coiote, vilão do programa, corria em linha
reta sobre um abismo e só começava a desabar
depois de olhar para baixo e dar falta do chão sob seus pés.
Âncora do Discovery Channel no Canadá e autor
de divulgação científica, Jay Ingram constata,
em um dos divertidos ensaios desse livro, que essa concepção
fantasiosa dos movimentos corresponde a idéias da física
medieval. Em textos curtos e bem-humorados, Ingram examina a ciência
que se oculta no dia-a-dia da direção em que
a água gira no ralo de nossa pia à aerodinâmica
do vôo dos gansos.
|