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Auto-retrato
Carolina Herrera
Divulgação
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| Avenezuelana María
Carolina Josefina Pacanins y Niño, de 64 anos, é
dona de um império de roupas, acessórios e perfumes
sediado em Nova York. Eleita a estilista do ano de 2004, uma
espécie de Oscar da moda americana, ela também
é considerada uma das mulheres mais elegantes do mundo.
Em meio à correria para a apresentação
de sua nova coleção na semana de moda de Nova
York, Carolina conversou com a repórter Anna Paula Buchalla.
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QUAL É A ESSÊNCIA DO SEU ESTILO?
A combinação de clássico
e moderno. Minhas criações são muito femininas
e pouco vanguardistas. Por isso as peças que desenho nunca
perdem a atualidade. O meu conceito de sofisticação
está associado à simplicidade. Evito qualquer enfeite
barroco e dou ênfase aos tecidos e aos acabamentos que conferem
distinção.
O QUE
FAZ SUAS ROUPAS AGRADAR A MULHERES DE DIFERENTES IDADES? Acho
que o fato de elas fazerem a mulher parecer uma mulher de verdade.
Com as mudanças de comportamento verificadas a partir da
década de 60, as mulheres quiseram se igualar aos homens
até no modo de se vestir. Hoje, existe um movimento que busca
resgatar a feminilidade. Eu, particularmente, não consigo
entender a moda unissex. Aliás, não gosto de nada
unissex nem roupa, nem perfume. Homens e mulheres não
deveriam competir em nada, muito menos na forma de se vestir.
A SENHORA
É CONHECIDA COMO A MULHER QUE VESTE AS MULHERES QUE SABEM
SE VESTIR. Não é verdade. Muitas das mulheres
que visto gostariam de aprender a se vestir bem. E elas acabam aprendendo
comigo.
A SENHORA
COMEÇOU A ATUAR NO MUNDO DA MODA AOS 40 ANOS. A IDADE, NESSE
CASO, AJUDOU OU ATRAPALHOU? Nem uma coisa nem outra. Senso de
beleza independe da idade. Sempre me impressionei com mulheres que
sabem exibir o melhor de seus atributos. Cresci vendo as lindas
peças da alta-costura francesa vestidas por minha mãe
e minha avó. Foi por meu senso estético que Diana
Vreelend (famosa editora de moda das revistas americanas Harper's
Bazaar e Vogue) me encorajou a criar minha própria
coleção.
NO FIM
DA VIDA, JACQUELINE ONASSIS PRATICAMENTE SÓ VESTIA ROUPAS
CRIADAS PELA SENHORA. ELA TEVE ALGUMA INFLUÊNCIA EM SEU TRABALHO?
Fiz várias peças para Jacqueline nos seus últimos
doze anos de vida. Sem dúvida, ela foi uma grande inspiração
para mim. Jacqueline tinha um gosto impecável e um grande
talento o de perceber o que lhe caía bem. Algo que
a maioria das mulheres não tem.
QUAL
A CHAVE PARA SE MANTER ELEGANTE? A chave é ter consistência.
É preciso ser consistente em seu estilo. Costumo dizer que
ser elegante é também ter senso de humor.
O QUE
UMA MULHER NÃO PODE FAZER JAMAIS? Cometer excessos. Excessos
em acessórios, em maquiagem, em cabelo, em tudo. Há
muitas coisas que uma mulher não deveria fazer, como usar
miniblusa quando já passou da idade, ou minissaia se não
tem pernas para isso. A mulher tem de aprender a mudar com o tempo.
O que você usa aos 15 anos não funciona quando você
tem 30. Nada pior do que uma mulher tentando ser uma menininha.
QUAL
É O ACESSÓRIO INDISPENSÁVEL? O espelho.
Todo mundo deveria ter um enorme em casa, para ver o que está
vestindo e o que deveria tirar ou colocar.
A SENHORA
CRIOU UMA PERFUMARIA FEMININA E MASCULINA QUE FAZ MUITO SUCESSO
NO BRASIL. QUE DICAS DARIA PARA QUEM USA PERFUMES? Eu uso muito
perfume, e não me incomodo. Não incomodo os outros
também, acredito, porque escolho bem as fragrâncias.
É claro que não usaria patchuli em excesso... Um perfume
tem de ser uma marca pessoal. Por isso é importante usar
sempre o mesmo, de manhã até a noite. Não se
pode usar um de manhã, um à tarde e outro à
noite. Não faz sentido. Se ele for muito forte, é
só usar um pouco menos durante o dia.
A MODA
É SUPÉRFLUA? Sim, absolutamente supérflua,
porém necessária. A moda é para os olhos.
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