Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

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Auto-retrato
Carolina Herrera


Divulgação
Avenezuelana María Carolina Josefina Pacanins y Niño, de 64 anos, é dona de um império de roupas, acessórios e perfumes sediado em Nova York. Eleita a estilista do ano de 2004, uma espécie de Oscar da moda americana, ela também é considerada uma das mulheres mais elegantes do mundo. Em meio à correria para a apresentação de sua nova coleção na semana de moda de Nova York, Carolina conversou com a repórter Anna Paula Buchalla.


QUAL É A ESSÊNCIA DO SEU ESTILO? A combinação de clássico e moderno. Minhas criações são muito femininas e pouco vanguardistas. Por isso as peças que desenho nunca perdem a atualidade. O meu conceito de sofisticação está associado à simplicidade. Evito qualquer enfeite barroco e dou ênfase aos tecidos e aos acabamentos que conferem distinção.

O QUE FAZ SUAS ROUPAS AGRADAR A MULHERES DE DIFERENTES IDADES? Acho que o fato de elas fazerem a mulher parecer uma mulher de verdade. Com as mudanças de comportamento verificadas a partir da década de 60, as mulheres quiseram se igualar aos homens até no modo de se vestir. Hoje, existe um movimento que busca resgatar a feminilidade. Eu, particularmente, não consigo entender a moda unissex. Aliás, não gosto de nada unissex – nem roupa, nem perfume. Homens e mulheres não deveriam competir em nada, muito menos na forma de se vestir.

A SENHORA É CONHECIDA COMO A MULHER QUE VESTE AS MULHERES QUE SABEM SE VESTIR. Não é verdade. Muitas das mulheres que visto gostariam de aprender a se vestir bem. E elas acabam aprendendo comigo.

A SENHORA COMEÇOU A ATUAR NO MUNDO DA MODA AOS 40 ANOS. A IDADE, NESSE CASO, AJUDOU OU ATRAPALHOU? Nem uma coisa nem outra. Senso de beleza independe da idade. Sempre me impressionei com mulheres que sabem exibir o melhor de seus atributos. Cresci vendo as lindas peças da alta-costura francesa vestidas por minha mãe e minha avó. Foi por meu senso estético que Diana Vreelend (famosa editora de moda das revistas americanas Harper's Bazaar e Vogue) me encorajou a criar minha própria coleção.

NO FIM DA VIDA, JACQUELINE ONASSIS PRATICAMENTE SÓ VESTIA ROUPAS CRIADAS PELA SENHORA. ELA TEVE ALGUMA INFLUÊNCIA EM SEU TRABALHO? Fiz várias peças para Jacqueline nos seus últimos doze anos de vida. Sem dúvida, ela foi uma grande inspiração para mim. Jacqueline tinha um gosto impecável e um grande talento – o de perceber o que lhe caía bem. Algo que a maioria das mulheres não tem.

QUAL A CHAVE PARA SE MANTER ELEGANTE? A chave é ter consistência. É preciso ser consistente em seu estilo. Costumo dizer que ser elegante é também ter senso de humor.

O QUE UMA MULHER NÃO PODE FAZER JAMAIS? Cometer excessos. Excessos em acessórios, em maquiagem, em cabelo, em tudo. Há muitas coisas que uma mulher não deveria fazer, como usar miniblusa quando já passou da idade, ou minissaia se não tem pernas para isso. A mulher tem de aprender a mudar com o tempo. O que você usa aos 15 anos não funciona quando você tem 30. Nada pior do que uma mulher tentando ser uma menininha.

QUAL É O ACESSÓRIO INDISPENSÁVEL? O espelho. Todo mundo deveria ter um enorme em casa, para ver o que está vestindo e o que deveria tirar ou colocar.

A SENHORA CRIOU UMA PERFUMARIA FEMININA E MASCULINA QUE FAZ MUITO SUCESSO NO BRASIL. QUE DICAS DARIA PARA QUEM USA PERFUMES? Eu uso muito perfume, e não me incomodo. Não incomodo os outros também, acredito, porque escolho bem as fragrâncias. É claro que não usaria patchuli em excesso... Um perfume tem de ser uma marca pessoal. Por isso é importante usar sempre o mesmo, de manhã até a noite. Não se pode usar um de manhã, um à tarde e outro à noite. Não faz sentido. Se ele for muito forte, é só usar um pouco menos durante o dia.

A MODA É SUPÉRFLUA? Sim, absolutamente supérflua, porém necessária. A moda é para os olhos.

 
 
 
 
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