Eckhart e Catherine em Sem
Reservas: um romance de bom gosto
Sem Reservas(No Reservations,
Estados Unidos/Austrália, 2007. Desde sexta-feira em
cartaz no país) Catherine Zeta-Jones, aquele
vulcão, interpreta Kate, uma controladora, mal-humorada
e reprimida chef de cozinha em Nova York uma ótima
escolha, já que personagens assim funcionam melhor
quando se tem a sensação de que elas de fato
têm muito o que reprimir. Transformada do dia para a
noite em guardiã da sobrinha (Abigail Breslin, de Pequena
Miss Sunshine), a cozinheira tenta seduzi-la com preparações
elaboradas, que, claro, não surtem o menor efeito:
sem nenhuma experiência com crianças, não
lhe ocorre que um prato de espaguete, principalmente se acompanhado
de um bom abraço, seria a melhor receita para essa
faixa etária. A ajuda, porém, está a
caminho, na pessoa de Nick, o sous-chef de Kate, interpretado
por Aaron Eckhart a quem não faltam qualidades.
Versão do filme alemão Simplesmente Martha
(ao qual, aliás, é superior) e dirigido pelo
australiano Scott Hicks, de Shine, esse Sem Reservas
reutiliza o mais querido lugar-comum dos filmes românticos:
o do homem que entra na vida de uma mulher para transformá-las
ambas, a vida e a mulher. Mas o faz sem exageros sentimentais
e com humor e um bom elenco, em que se destaca ainda a participação
adorável de Bob Balaban como o analista da chef, que
só consegue tirar dela receitas, e nenhuma confissão.
Veja
cenas.
DVD
Divulgação
Inverno Despedaçado:
o vazio após
a perda
Inverno
Despedaçado(Tout un Hiver Sans
Feu, Bélgica/Suíça/Polônia,
2004. Europa) Seis meses depois de perder a filha pequena
num incêndio, um casal de fazendeiros se vê às
voltas com o silêncio terrível de sua casa
e com o frio, já que, em pleno inverno, falta-lhe coragem
para acender o fogo. Marido e mulher estão, também,
seguindo em direções opostas: ela, cada vez
mais fechada nas lembranças; ele, frustrado por não
conseguir se comunicar com ela e temeroso de sua falência
iminente. O polonês criado na Suíça Greg
Zglinski, também compositor, dirige essa história
como quem escreve uma peça de câmara. No lugar
dos instrumentos, excelentes atores, como Aurélien
Recoing, Marie Matheron e a polonesa Gabriela Muskala.
LIVROS
Divulgação
Nussimbaum: uma
vida de farsas
O Orientalista,de Tom Reiss (tradução
de Maria Alice Máximo; Record; 518 páginas;
62 reais) Proclamando-se descendente de príncipes
muçulmanos, Essad Bey fez sucesso nas rodas literárias
de Berlim, nos anos 30, com livros e artigos sobre o Oriente.
No fim da década, porém, teve de fugir da Alemanha,
depois que os nazistas descobriram sua identidade real: seu
nome verdadeiro era Lev Nussimbaum, nascido no Azerbaijão,
filho de magnatas do petróleo que fugiram da revolução
comunista e judeu. Mais tarde, na Áustria, Nussimbaum
tentaria criar uma nova persona: Kurban Said, autor do romance
Ali e Nino, sobre o amor de um muçulmano. Acabou
se exilando na Itália, onde morreu de uma infecção,
em 1942. Nessa biografia, o jornalista Tom Reiss reconstitui
a vida desse farsante contra o pano de fundo de sua época
conturbada. Leia
trecho.
Deus,
um Delírio, de Richard Dawkins (tradução
de Fernanda Ravagnani; Companhia das Letras; 528 páginas;
54 reais) Autor de clássicos da divulgação
científica como O Gene Egoísta, o biólogo
britânico Richard Dawkins é um defensor apaixonado
do darwinismo e um crítico feroz de toda forma
de religião. Deus, um Delírio é
tudo o que o título provocador promete: um ataque ao
fanatismo e à irracionalidade que, segundo o autor,
estão na base da crença em um ser divino. Em
muitos pontos, o livro tem um tom de escancarada diatribe.
Mas Dawkins, além de ácido, sabe também
ser sutil. Ele refuta argumentos teológicos de Santo
Tomás de Aquino e Pascal. E, num capítulo que
talvez surpreenda seus opositores, até defende o ensino
da Bíblia nas escolas mas só nas
aulas de literatura.
DISCOS
Frank,
Amy Winehouse (Universal) Lançado em 2003, o
disco de estréia da cantora ganhou resenhas elogiosas.
Porém, como não foi exatamente um sucesso de
vendas, ficou restrito à Inglaterra e a alguns países
da Europa. Somente agora, com o sucesso do CD Back to Black
(que está na lista dos dez mais vendidos da parada
americana), Frank está chegando aos outros continentes.
O disco tem uma sonoridade mais crua do que o álbum
mais recente, mas todas as características do trabalho
de Amy já se faziam presentes: composições
calcadas no rhythm'n'blues, a voz rouca e as letras em que
ela faz apologia de seu estilo de vida autodestrutivo. Nesse
quesito, o destaque é a faixa In My Bed. O público
brasileiro, porém, deve se deliciar com a guitarra
calcada na bossa nova de You Sent Me Flying.
Paulo Vitale
Roberta
Sá: um talento na voz e na melodia
Que
Belo Estranho Dia para Se Ter Alegria, Roberta Sá
(MP,B) Braseiro, o primeiro álbum da
cantora potiguar, foi um cartão de visitas e tanto.
Nele, Roberta Sá mostrou-se uma intérprete inspirada,
capaz de cercar-se de gente competente como o instrumentista
e produtor Rodrigo Campello , e desfilou um repertório
esmerado, que ia de Dorival Caymmi aos contemporâneos
Pedro Luís e Marcelo Camelo. Três anos depois,
Que Belo Estranho Dia..., seu novo CD, não apenas
mantém intactos os acertos do trabalho de estréia
como acrescenta a ele outras qualidades: o namoro discreto
com a eletrônica, em faixas como Alô Fevereiro
e Fogo e Gasolina; a presença de novos autores
(Edu Krieger e Rodrigo Maranhão, que assinam respectivamente
Novo Amor e Samba de um Minuto); e seu próprio
talento como compositora, demonstrado pela bela melodia de
Janeiros, criada em parceria com Pedro Luís.