Reunião do Conselho de
Ética do Senado: Renan Calheiros deve explicações
a seus pares
Na semana passada,
VEJA revelou que o senador Renan Calheiros, além de
ter usado os serviços de um lobista para pagar suas
despesas pessoais e de ter favorecido uma cervejaria às
voltas com problemas fiscais, é o dono oculto de uma
empresa de comunicações em Alagoas, pela qual
pagou em dinheiro vivo, não declarado. Em vez de apresentar
uma explicação para o fato, o que fez o senador?
Recorreu ao velho artifício de muitos poderosos pegos
com a boca na botija: atacou o mensageiro, acusando o Grupo
Abril, que publica VEJA, de realizar uma associação
ilegal de sua operadora de TV por assinatura, a TVA, com o
Grupo Telefônica. A acusação leviana é
fruto do desespero de Renan Calheiros, que pode ser apeado
da presidência do Senado e ter seu mandato cassado por
falta de decoro. O Grupo Abril reitera que a parceria em questão
está rigorosamente dentro da lei e já foi aprovada
pelo Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), após nove meses de tramitação
e análise.
VEJA se tornou
a maior e a mais respeitada revista semanal do país
porque desde 1968, quando foi lançada, sempre informou
corretamente seus leitores. Ao longo de quase quarenta anos,
VEJA dedica tempo, recursos e coragem para desmascarar aqueles
que abusam do poder conferido pelos eleitores com o objetivo
de enriquecer ilicitamente ou obter vantagens que colidem
com a lei. É fundamental ressaltar que, ao seguir nesse
caminho, VEJA não extrapola seu papel. Quem julga,
absolve ou condena os denunciados em reportagens da revista
são as autoridades. No caso de Renan Calheiros, a tarefa
está a cargo do Conselho de Ética do Senado,
da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal
Federal. É sobre os olhos de seus integrantes que o
senador quer lançar uma cortina de fumaça na
tentativa de encobrir seus desvios de conduta. Diante dos
numerosos e fortes indícios existentes contra o senador,
essas instâncias não demoraram a abrir investigações.
É a elas e ao país que Renan deve explicações.