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Edição 1 713 - 15 de agosto de 2001
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Quase bom

Memórias Póstumas acerta
o difícil e erra o fácil

Isabela Boscov

 
Valéria Simões
Reginaldo Faria: no tom certo

É preciso coragem para se propor a tarefa de adaptar um romance como Memórias Póstumas de Brás Cubas – não só por causa da reverência que cerca essa que é uma das obras-primas de Machado de Assis, mas também por suas complexidades narrativas. Trata-se, afinal, da autobiografia de um defunto que, tendo passado desta para melhor, se sente à vontade para discorrer sobre os feitos medíocres de sua vida com todo o cinismo e o despojamento que eles pedem. Pois André Klotzel, diretor do Memórias Póstumas (Brasil, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, utilizou um recurso óbvio, mas que funciona bem: materializar o narrador numa figura de carne e osso que, à margem da ação, comenta os fatos que se desenrolam nela. Reginaldo Faria, que faz esse Cubas em sua fase pós-morte, logo encontra o tom a um tempo galhofeiro e melancólico do autor, e é dele que vêm os melhores momentos do filme. Já o restante do elenco (à parte as boas exceções de praxe, como Stepan Nercessian) não demonstra nenhum talento. Sonia Braga, por exemplo, está particularmente equivocada no papel da prostituta Marcela. É um problema sério que termina por acentuar outras falhas – como a falta de clima na reconstituição de época e a fotografia monótona. Não fosse por isso, Memórias Póstumas poderia deixar de ser o filme apenas correto e agradável que é para se tornar uma adaptação de fato inesquecível.

   
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