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Quase
bom
Memórias
Póstumas acerta
o
difícil e erra o fácil
Isabela Boscov
Valéria Simões
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| Reginaldo
Faria: no tom certo |
É
preciso coragem para se propor a tarefa de adaptar um romance como Memórias
Póstumas de Brás Cubas não só por
causa da reverência que cerca essa que é uma das obras-primas
de Machado de Assis, mas também por suas complexidades narrativas.
Trata-se, afinal, da autobiografia de um defunto que, tendo passado desta
para melhor, se sente à vontade para discorrer sobre os feitos
medíocres de sua vida com todo o cinismo e o despojamento que eles
pedem. Pois André Klotzel, diretor do Memórias Póstumas
(Brasil, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, utilizou
um recurso óbvio, mas que funciona bem: materializar o narrador
numa figura de carne e osso que, à margem da ação,
comenta os fatos que se desenrolam nela. Reginaldo Faria, que faz esse
Cubas em sua fase pós-morte, logo encontra o tom a um tempo galhofeiro
e melancólico do autor, e é dele que vêm os melhores
momentos do filme. Já o restante do elenco (à parte as boas
exceções de praxe, como Stepan Nercessian) não demonstra
nenhum talento. Sonia Braga, por exemplo, está particularmente
equivocada no papel da prostituta Marcela. É um problema sério
que termina por acentuar outras falhas como a falta de clima na
reconstituição de época e a fotografia monótona.
Não fosse por isso, Memórias Póstumas poderia
deixar de ser o filme apenas correto e agradável que é para
se tornar uma adaptação de fato inesquecível.
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