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É
o bicho
Dar bom-dia a crocodilo já
virou
coisa normal na TV
Marcelo
Marthe
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| Irwin
e um "amigo": intimidade e mordidas |
Desde
a década de 60, os programas sobre a vida selvagem seguem uma receita
criada pelos documentaristas da rede inglesa BBC e da sociedade americana
National Geographic. A idéia é captar com o mínimo
de interferência o comportamento dos animais em seu hábitat.
Só de vez em quando o âncora aparece, discretíssimo.
Nos últimos anos, contudo, surgiu um tipo de documentário
que subverte essa regra: os apresentadores são os astros porque interagem
loucamente com a bicharada. O principal expoente do estilo é o australiano
Steve Irwin, que está à frente do hilário O Caçador
de Crocodilos, exibido no Brasil pelo canal pago Animal Planet. Ele
é o que se pode chamar de documentarista hiperativo. Se o assunto
são os lêmures de Madagáscar, não hesita em trepar
nas árvores como eles que, claro, ficam assustadíssimos.
Filho de biólogos, Irwin cedo aprendeu a não ter medo de nada.
Quando encontra uma serpente, ele a agarra e puxa conversa: "Oi, amiga,
tudo bem? Eu sou da Austrália". Crocodilos são ninados como
se fossem poodles. Lançado em 1997, seu programa é o maior
sucesso do gênero nos Estados Unidos. Irwin já foi citado nos
seriados Friends e Seinfeld e fez uma ponta no filme Dr.
Dolittle 2. Bonecos do apresentador e de sua mulher e parceira, Terri,
encontram-se à venda. Assim como roupas inspiradas em seu modelito
um conjuntinho cáqui que ele não tira nem para mergulhar.
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| O'Shea:
um inglês que ama cobras |
O
Caçador de Crocodilos fez escola dentro do Animal Planet. Pertencente
ao Discovery e à BBC, o canal resolveu apostar em produções
que misturam vida selvagem e aventura. Uma delas é a série
que leva o nome do especialista em répteis Mark O'Shea, um inglês
que adora cobras venenosas. O sexteto de aventureiros Aquanautas, por
sua vez, encara de perto tubarões e outros bichos perigosos do
mar. As águas também são o cenário do bizarro
Contato Radical, comandado pelo cubano Manny Puig que aparece,
só de tanguinha, contracenando com arraias e tubarões. Essas
atrações quebram a monotonia, mas causam protestos entre
os naturalistas. "Essas intervenções estressam os animais
e dão uma visão equivocada da natureza", critica o documentarista
brasileiro Lawrence Wahba. Isso para não falar dos riscos. "Nunca
façam como meu marido. É preciso experiência para
segurar uma cascavel pelo rabo", recomenda a mulher de Steve Irwin. E
às vezes nem tarimba basta. Meses atrás, ele não
escapou da dentada de um crocodilo.

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