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Edição 1 713 - 15 de agosto de 2001
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É o bicho

Dar bom-dia a crocodilo já
virou coisa normal na TV

Marcelo Marthe


Irwin e um "amigo": intimidade e mordidas
Desde a década de 60, os programas sobre a vida selvagem seguem uma receita criada pelos documentaristas da rede inglesa BBC e da sociedade americana National Geographic. A idéia é captar com o mínimo de interferência o comportamento dos animais em seu hábitat. Só de vez em quando o âncora aparece, discretíssimo. Nos últimos anos, contudo, surgiu um tipo de documentário que subverte essa regra: os apresentadores são os astros porque interagem loucamente com a bicharada. O principal expoente do estilo é o australiano Steve Irwin, que está à frente do hilário O Caçador de Crocodilos, exibido no Brasil pelo canal pago Animal Planet. Ele é o que se pode chamar de documentarista hiperativo. Se o assunto são os lêmures de Madagáscar, não hesita em trepar nas árvores como eles – que, claro, ficam assustadíssimos. Filho de biólogos, Irwin cedo aprendeu a não ter medo de nada. Quando encontra uma serpente, ele a agarra e puxa conversa: "Oi, amiga, tudo bem? Eu sou da Austrália". Crocodilos são ninados como se fossem poodles. Lançado em 1997, seu programa é o maior sucesso do gênero nos Estados Unidos. Irwin já foi citado nos seriados Friends e Seinfeld e fez uma ponta no filme Dr. Dolittle 2. Bonecos do apresentador e de sua mulher e parceira, Terri, encontram-se à venda. Assim como roupas inspiradas em seu modelito – um conjuntinho cáqui que ele não tira nem para mergulhar.


O'Shea: um inglês que ama cobras

O Caçador de Crocodilos fez escola dentro do Animal Planet. Pertencente ao Discovery e à BBC, o canal resolveu apostar em produções que misturam vida selvagem e aventura. Uma delas é a série que leva o nome do especialista em répteis Mark O'Shea, um inglês que adora cobras venenosas. O sexteto de aventureiros Aquanautas, por sua vez, encara de perto tubarões e outros bichos perigosos do mar. As águas também são o cenário do bizarro Contato Radical, comandado pelo cubano Manny Puig – que aparece, só de tanguinha, contracenando com arraias e tubarões. Essas atrações quebram a monotonia, mas causam protestos entre os naturalistas. "Essas intervenções estressam os animais e dão uma visão equivocada da natureza", critica o documentarista brasileiro Lawrence Wahba. Isso para não falar dos riscos. "Nunca façam como meu marido. É preciso experiência para segurar uma cascavel pelo rabo", recomenda a mulher de Steve Irwin. E às vezes nem tarimba basta. Meses atrás, ele não escapou da dentada de um crocodilo.

 

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  Animal planet
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