Qual máquina
é
mais mortífera?
Pentágono
escolhe o
avião
de combate que
vai equipar
todas
as suas forças
Fotos divulgação
 |
Fotos divulgação
 |
|
O X-32B da Boeing e,
à direita, o X-35B da Lockheed: decolagem em pista curta e
pouso vertical |
O
Departamento de Defesa dos Estados Unidos tem uma decisão difícil
para tomar até outubro. Precisa escolher o avião supersônico
que substituirá os atuais caças-bombardeiros, alguns deles
em atividade há quase trinta anos. É um meganegócio
de 200 bilhões de dólares, com a produção
estimada de 3.000 aviões a partir de 2007. Só há
dois concorrentes, o X-32B da Boeing e o X-35B da Lockheed Martin. Ambas
já deram por concluída a fase mais importante de testes
e anunciaram que seu avião conseguiu realizar com sucesso a manobra
exigida pelos militares americanos: decolar em pista curtíssima,
ultrapassar a velocidade do som e descer na vertical. Cada empresa recebeu
do governo americano cerca de 600 milhões de dólares para
o desenvolvimento desses primeiros protótipos. Eles são
a concretização de um projeto chamado JSF, cujo objetivo
é a criação de um avião de guerra versátil
o bastante para ser usado pela Marinha, Força Aérea e Fuzileiros
Navais dos Estados Unidos e também pela Marinha e Força
Aérea inglesas.
Criar um avião para atender a necessidades militares tão
diferentes é um enorme desafio de engenharia. A Força Aérea
precisa de um bombardeiro de longo alcance para substituir a frota de
envelhecidos F-15 e F-16. Os fuzileiros navais querem uma aeronave capaz
de pairar no ar e pousar verticalmente. A Marinha deseja um modelo leve,
que não seja detectado por radares inimigos e decole de pistas
curtas. Os Harrier ingleses já decolam e pousam verticalmente,
mas são antigos e sem capacidade supersônica. O JSF pretende
ser a solução de todos os problemas. Só precisa de
150 metros de pista para decolar, dispõe de tecnologia stealth,
que o torna invisível aos radares, atinge velocidades acima de
1.200 quilômetros por hora e pode transportar 4 toneladas de bombas.
Projetados sob medida para atender às características estipuladas
pelo Pentágono, os aviões da Boeing e da Lockheed Martin
são clones virtuais. Custam cerca de 75 milhões de dólares
cada um. É um monte de dinheiro, mas ainda assim 8 milhões
a menos que um V-22 Osprey o projeto fracassado de um avião
de decolagem vertical dos Fuzileiros Navais americanos e 125 milhões
mais barato que um F-22, o novo bombardeiro da Força Aérea
dos Estados Unidos. Estima-se que uma frota unificada poderá poupar
aos cofres do Pentágono 60 bilhões de dólares em
manutenção durante a vida útil dos aviões.
Há três semanas, o piloto inglês Simon Hargreaves experimentou
o X-35B Lockheed Martin e deu um show: parou o aparelho no ar durante
quase meio minuto, sustentando-o com o sistema de pouso vertical (na mesma
situação, o X-32B pairou por mais de dois minutos). Em seguida
deu uma forte arrancada e executou uma pirueta de 360 graus. Feita a manobra,
pousou suavemente na vertical.
Ambos os protótipos dispõem de um sistema de computação
com capacidade de processamento equivalente à de uma rede de 100
PCs comuns. Graças a um sistema que junta dados de satélite,
de bases terrestres e de outras aeronaves, os pilotos identificam facilmente
tanques, mísseis e outros detalhes táticos. Em teoria, o
JFS é capaz de voar, pousar e decolar no escuro total. "Nunca se
havia feito algo assim", diz Marshall Williams, o técnico da Boeing
responsável pelo desenvolvimento da cabine do X-32B. "Muitos videogames
eram melhores que os sistemas dos aviões que estão hoje
em uso." Como escolher entre duas máquinas tão mortíferas?
|