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Edição 1 713 - 15 de agosto de 2001
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Férias das arábias

O bilionário xeque do Catar
leva cinco esposas e 23 filhos
para viagem inesquecível a Roma

Todo turista sabe que em Roma se pode comprar o que há de melhor no mundo da moda – mas também que é preciso cautela, pois os preços são salgados. Imagine uma turma de turistas endinheirada o bastante para comprar tudo o que vê nas lojas romanas. Assim foram as férias da família de Hamad bin Khalifa Al-Thani, xeque do Catar e um dos homens mais ricos do mundo. Durante 21 dias, suas cinco mulheres e 23 filhos aproveitaram o verão europeu para uma orgia de consumo e extravagâncias. Cada esposa recebia 45.000 dólares por dia para gastar em compras, o que fez lojas como Bulgari, Cartier, Valentino, Armani e Fendi estender o tapete vermelho para elas. Durante o tempo em que zanzaram por Roma, torraram quase 5 milhões de dólares, quantia que faz a diferença até para um comércio acostumado a ricaços.

Dinheiro não é problema para o xeque Al-Thani. Estima-se que sua fortuna pessoal seja de 5 bilhões de dólares, o suficiente para colocá-lo na lista dos 100 homens mais ricos do mundo. Em Roma, forçado pela rivalidade entre as esposas, ele foi obrigado a alojá-las em hotéis diferentes, todos de alto luxo. Em cada um deles, fechou um andar inteiro para garantir o conforto e a privacidade da família. Os quartos foram especialmente adaptados e decorados, em estilo árabe, para que ninguém sentisse saudade de casa. O séquito real era composto de criadas, babás e cozinheiros, que mudaram a rotina dos demais hóspedes. Dentro e fora dos hotéis circulava um exército de guarda-costas contratado pelo xeque que impedia qualquer acesso às esposas e aos príncipes.

Quem conseguiu olhar além da barreira de brutamontes de terno e gravata viu meninos vestidos com roupas de grife entrando e saindo de lojas de brinquedos. Para agradar aos herdeiros, as mães encheram sacolas e mais sacolas com bonecas, animais de pelúcia e videogames. Quase nada diante do que esses garotos já têm em casa. O mais novo nem completou 1 ano e já possui a própria limusine, com motorista. Em certas ocasiões, elas tiveram de usar a imaginação para distrair os filhos nas tardes quentes de Roma. Uma delas contratou um show de mágica para divertir os pimpolhos no hotel.

Somente na terceira semana é que todos ganharam a companhia do xeque, que chegou no avião particular. A dolce vita do governante do Catar resumiu-se a sair de manhã para passear por locais históricos e a passar as tardes no hotel, em companhia de algumas das esposas. Ele só ficou furioso com a divulgação dos detalhes da gastança pela imprensa italiana. No Catar, os jornalistas sabem que o nababesco estilo de vida do governante é um assunto que deve ser tratado com discrição. Apesar disso, Hamad Al-Thani goza de boa reputação entre os súditos. Seis anos atrás, ele tomou o poder ao depor o próprio pai. Mostrou-se um adepto da modernidade: relaxou a censura, organizou eleições municipais, permitiu o voto feminino e se tornou uma figura popular. Conseguiu forjar uma imagem de filantropo ao criar uma fundação que financia projetos científicos e educacionais. Mas ainda não descobriu como levar a família para passar férias sem chamar a atenção de meio mundo. Grande parte de sua fortuna se confunde com a riqueza da própria nação. Mesmo sendo minúsculo – do tamanho de metade do Estado de Sergipe –, o Catar tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo. Quase 90% de suas exportações são de óleo cru. Se os preços do produto continuarem em alta, estima-se que a economia do país tenha crescimento superior a 15% em 2001. A renda per capita já é quatro vezes maior que a brasileira, e o padrão de vida da população é um dos melhores da região. Bom para o xeque, que assim pode continuar pagando férias dignas de família real.

   
 
   
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