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Férias
das arábias
O
bilionário xeque do Catar
leva cinco esposas e 23 filhos
para viagem inesquecível a Roma
Todo turista sabe que em Roma se pode comprar o que há de melhor
no mundo da moda mas também que é preciso cautela, pois
os preços são salgados. Imagine uma turma de turistas endinheirada
o bastante para comprar tudo o que vê nas lojas romanas. Assim foram
as férias da família de Hamad bin Khalifa Al-Thani, xeque
do Catar e um dos homens mais ricos do mundo. Durante 21 dias, suas cinco
mulheres e 23 filhos aproveitaram o verão europeu para uma orgia
de consumo e extravagâncias. Cada esposa recebia 45.000 dólares
por dia para gastar em compras, o que fez lojas como Bulgari, Cartier,
Valentino, Armani e Fendi estender o tapete vermelho para elas. Durante
o tempo em que zanzaram por Roma, torraram quase 5 milhões de dólares,
quantia que faz a diferença até para um comércio
acostumado a ricaços.
Dinheiro não é problema para o xeque Al-Thani. Estima-se
que sua fortuna pessoal seja de 5 bilhões de dólares, o
suficiente para colocá-lo na lista dos 100 homens mais ricos do
mundo. Em Roma, forçado pela rivalidade entre as esposas, ele foi
obrigado a alojá-las em hotéis diferentes, todos de alto
luxo. Em cada um deles, fechou um andar inteiro para garantir o conforto
e a privacidade da família. Os quartos foram especialmente adaptados
e decorados, em estilo árabe, para que ninguém sentisse
saudade de casa. O séquito real era composto de criadas, babás
e cozinheiros, que mudaram a rotina dos demais hóspedes. Dentro
e fora dos hotéis circulava um exército de guarda-costas
contratado pelo xeque que impedia qualquer acesso às esposas e
aos príncipes.
Quem conseguiu olhar além da barreira de brutamontes de terno e
gravata viu meninos vestidos com roupas de grife entrando e saindo de
lojas de brinquedos. Para agradar aos herdeiros, as mães encheram
sacolas e mais sacolas com bonecas, animais de pelúcia e videogames.
Quase nada diante do que esses garotos já têm em casa. O
mais novo nem completou 1 ano e já possui a própria limusine,
com motorista. Em certas ocasiões, elas tiveram de usar a imaginação
para distrair os filhos nas tardes quentes de Roma. Uma delas contratou
um show de mágica para divertir os pimpolhos no hotel.
Somente na terceira semana é que todos ganharam a companhia do
xeque, que chegou no avião particular. A dolce vita do governante
do Catar resumiu-se a sair de manhã para passear por locais históricos
e a passar as tardes no hotel, em companhia de algumas das esposas. Ele
só ficou furioso com a divulgação dos detalhes da
gastança pela imprensa italiana. No Catar, os jornalistas sabem
que o nababesco estilo de vida do governante é um assunto que deve
ser tratado com discrição. Apesar disso, Hamad Al-Thani
goza de boa reputação entre os súditos. Seis anos
atrás, ele tomou o poder ao depor o próprio pai. Mostrou-se
um adepto da modernidade: relaxou a censura, organizou eleições
municipais, permitiu o voto feminino e se tornou uma figura popular. Conseguiu
forjar uma imagem de filantropo ao criar uma fundação que
financia projetos científicos e educacionais. Mas ainda não
descobriu como levar a família para passar férias sem chamar
a atenção de meio mundo. Grande parte de sua fortuna se
confunde com a riqueza da própria nação. Mesmo sendo
minúsculo do tamanho de metade do Estado de Sergipe ,
o Catar tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo. Quase
90% de suas exportações são de óleo cru. Se
os preços do produto continuarem em alta, estima-se que a economia
do país tenha crescimento superior a 15% em 2001. A renda per capita
já é quatro vezes maior que a brasileira, e o padrão
de vida da população é um dos melhores da região.
Bom para o xeque, que assim pode continuar pagando férias dignas
de família real.
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