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Um presidente folgadão

Há sete meses no cargo, Bush
decide que é hora de tirar férias
e
ir para a fazenda

AP
AFP
AP
Com seus cães, Bush parte em férias: tempo para jogar golfe e curtir a vida no campo

George W. Bush é o homem mais poderoso do mundo. Bem, é cansativo ter de se preocupar com problemas globais, sobretudo quando todos os outros países estão errados e só o dele está certo. Há uma semana, farto de tudo isso e atormentado pelo calor do verão americano, Bush avisou que estava saindo de férias, pegou os cachorros e foi embora para sua fazenda em Crawford, no Texas. Os americanos ficaram pasmos, visto que o presidente, com apenas sete meses de mandato, nem sequer esquentou a cadeira no Salão Oval. Os trinta dias em que estará longe de Washington serão as férias mais longas de um presidente americano desde 1969. O último foi Richard Nixon, que decidiu ficar 31 dias numa praia da Califórnia, há 32 anos. Se tudo correr como programado, quando retornar ao trabalho, no dia 3 de setembro, Bush terá passado um quarto do mandato em sua fazenda no Texas. Considerando os fins de semana em que esteve em Camp David, a casa de campo da Presidência, ele terá cumprido 42% de seu mandato fora do gabinete oficial.

Seus assessores tentaram justificar o sumiço. "Nesse período, ele estará sempre trabalhando", disse, sem graça, o porta-voz Scott McClellan. O motivo de tanto embaraço é que uma pesquisa divulgada na segunda-feira passada mostrou que 55% dos americanos acham que o presidente trabalha pouco. Nos EUA, onde o período médio de férias é de apenas duas semanas por ano, um sumiço de um mês soa como extravagância. "Eu não me preocupo com pesquisas", desdenhou Bush. Mas não se trata apenas das férias. Bush é conhecido por seu horário confortável. Encerra o expediente às 17 horas, como se fosse um funcionário qualquer, e durante o dia faz pausas para malhar numa academia instalada na Casa Branca.

Logo depois de assumir, ele já deixou claro que pretendia passar uns dias longe do tumulto da capital americana no verão. Afinal, nesta época do ano, Washington fica jogada às traças com o recesso do Congresso. A idéia de descansar em sua fazenda foi do próprio presidente. Ele é tão obcecado pelo lugar que pretende, em novembro, receber ali o presidente russo Vladimir Putin, para uma reunião de cúpula. A idéia tem quebrado a cabeça dos assessores, que ainda não sabem como instalar 500 linhas de telefone e acomodar diplomatas e jornalistas num lugarejo que não tem sequer um hotel. Mas é em Crawford que o presidente se sente em casa. Lá, ele promove churrascos com a família, pesca num lago e joga conversa fora com outros fazendeiros.

A Casa Branca, preocupada com o impacto negativo das férias, agendou alguns compromissos oficiais durante o período. Entre uma partida de golfe e uma corrida pela manhã, Bush foi fotografado despachando com funcionários do governo e falando ao telefone com a assessora Condoleezza Rice. Nada que tire o fôlego. Não é de hoje que as férias de um presidente americano se transformam num debate sobre a austeridade do cargo. No início do século passado, Theodore Roosevelt foi passar uma temporada no parque nacional de Yellowstone e pediu privacidade absoluta. Ao perceber que estava sendo seguido por um repórter a cavalo e acompanhado de um cachorro, Roosevelt mandou prender o jornalista, confiscou o cavalo, e o cão terminou abatido a tiros. Outros presidentes ficaram famosos pelo tempo que passaram em seu refúgio preferido, longe da Casa Branca. O recordista é Ronald Reagan, que descansou 335 dias em sua casa, na Califórnia, em oito anos como presidente. A lista dos mais folgados reúne ainda Dwight Eisenhower, que teve 222 dias de repouso numa propriedade na Geórgia, em oito anos. Se mantiver o mesmo ritmo, com 54 dias de folga no Texas ainda em seu primeiro ano como presidente, George W. Bush caminha a passos largos para ocupar o topo da lista.

 
 
   
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