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Com bala de festim
Pacote
contra rebelião
policial é pífio

Lourenço
Flores
O pacote
sobre segurança pública anunciado pelo governo na semana
passada não tem bala de prata para conter as rebeliões de
policiais que, nos últimos três meses, já levaram
a baderna a oito Estados. As medidas passam ao largo do problema dos baixos
salários, uma atribuição dos governos estaduais,
e aplicam um torniquete na disciplina. Conforme o pacote, as entidades
de policiais, civis ou militares, que fizerem paralisações
poderão ter suas portas fechadas, os grevistas estarão sujeitos
a afastamento definitivo da corporação e quem ocupar prédio
público como delegacias ou quartéis poderá
ser punido com até um ano de prisão. As medidas são
saudáveis, mas devem apenas reforçar a autoridade dos governadores
na hora de falar grosso com policiais grevistas, pois pouco ajudam a mudar
o quadro nacional. Até sexta-feira passada, policiais civis de
Pernambuco, Pará e Rio Grande do Norte, ignorando o anúncio
do novo pacote, permaneciam de braços cruzados.
"No geral,
é um pacote de medidas extremamente tímidas", avalia o sociólogo
Luís Antônio de Souza, pesquisador do Núcleo de Estudos
da Violência da Universidade de São Paulo (USP). O dado alentador
é que fica claro que o governo não gosta da existência
de duas polícias pelo menos do modo como é hoje.
De agora em diante, Brasília passará a condicionar a liberação
de verbas a uma ação efetiva dos Estados, visando a integrar
as polícias civil e militar. O ministro da Justiça, José
Gregori, divulgou uma lista de quinze medidas consideradas "integradoras".
Nela, exige-se que policiais civis e militares tenham a mesma formação
curricular e que as duas polícias fiquem subordinadas a um comando
único. Hoje, os civis e militares estudam em academias diferentes
e cada polícia tem seu comando. Na estrutura administrativa dos
Estados, a Casa Militar costuma comandar a PM e a Secretaria de Segurança
Pública se encarrega da Polícia Civil.
O pacote
poderá servir como primeiro passo para acabar com a atuação
dispersa e muitas vezes contraditória das duas polícias.
Para isso, no entanto, é preciso que o governo não se finja
de morto. Em junho do ano passado, quando lançou o Plano Nacional
de Segurança Pública, o governo anunciou 124 medidas, cujo
cumprimento seria monitorado por cinco comissões. Passado mais
de um ano, nenhuma dessas comissões sequer se reuniu.
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