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Um
autor superlativo
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Amado,
em VEJA de 1972, e
a capa de Quincas...: homenagem |
Esta
edição de VEJA traz o texto
integral
de A Morte e a Morte de
Quincas Berro Dágua, um dos livros mais notáveis
de Jorge Amado. Com isso, a revista procura homenagear o escritor baiano,
que morreu na semana passada, ao mesmo tempo em que oferece a seus leitores
a oportunidade de entrar em contato com o universo literário do
autor ou voltar a ele, no caso dos milhões de brasileiros
que já o percorreram anteriormente. A obra de Amado constitui um
fenômeno sem paralelos na história da literatura brasileira.
Como registra uma reportagem
desta edição, ele escreveu 32 livros, dos quais se venderam
20 milhões de exemplares. O lançamento de um romance de
Amado costumava extrapolar as seções de resenhas literárias.
Em dezembro de 1972, o escritor mereceu uma capa de VEJA. Sua foto trazia
uma legenda fora do comum: "Jorge Amado, autor do futuro best-seller Tereza
Batista, Cansada de Guerra". Em 1984, VEJA publicaria uma segunda
capa sobre ele, desta vez a propósito do lançamento de Tocaia
Grande.
Os números de venda de Amado se tornam ainda mais superlativos
quando se leva em conta que no Brasil, apesar do crescimento do mercado
editorial verificado nos últimos anos, o hábito de leitura
é pouquíssimo disseminado. O consumo de livros per capita
no país, entre adultos, é de pouco mais de um por ano. Os
livros de Amado são um sucesso e ainda continuarão
a sê-lo porque expressam, num misto equilibrado de realismo
e fantasia, vários Brasis. O Brasil dos esquecidos. O Brasil que
não tem vergonha de ser moreno e inzoneiro. O Brasil sensual e
gaiato. O Brasil cordial e ao mesmo tempo cruel. Por essas características,
Jorge Amado entrou para o clube restrito dos clássicos nacionais.
É um clássico lido com deslumbre e prazer pelas multidões.
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