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Beto Guedes Lumiar, Amor de Índio, Sol de Primavera, O Sal da Terra |
| Fotos: Divulgação |
O compositor Beto Guedes está de CD novo na praça, Dias de Paz. Havia sete anos que ele não lançava discos, e é provável que pouca gente tenha percebido isso. Não porque Beto Guedes seja mau compositor ou lhe falte público ao contrário. Um dos grandes talentos do chamado Clube da Esquina, turma de compositores mineiros apadrinhada por Milton Nascimento, ele lota as casas de espetáculo onde se apresenta pelo Brasil. Ocorre que Beto faz parte de um grupo peculiar de artistas da MPB. Esses artistas sustentam sua carreira com as mesmas músicas de sucesso, ou variações delas, durante décadas. Têm um público fiel, que vai a seus shows ou compra seus discos para ouvir exatamente a mesma coisa. Das quinze faixas de Dias de Paz, apenas três são inéditas. As demais são regravações de sucessos de Beto Guedes. Desta vez, o compositor vestiu suas canções com arranjos suntuosos. O resultado é muito bom e, como as músicas são as de sempre, nenhum fã reclamará.
A dupla Sá & Guarabyra também se ampara nessa estratégia para trabalhar. Eternos cronistas das paisagens interioranas brasileiras, não aparecem no Fantástico mas fazem cerca de 150 shows por ano. No repertório, obrigatoriamente, as canções que os consagraram há duas décadas. Caso não as toquem, a platéia pede de volta o dinheiro do ingresso. Estão também lançando um novo disco, Rio-Bahia, com canções novas tão boas quanto inspiradas nos antigos sucessos. Outro caso é o do cantor e compositor Belchior. Ele foi o grande estouro da MPB em 1976 com o disco Alucinação. Depois disso, aparentemente, sua carreira foi declinando. Ledo engano. Belchior faz uma média de 200 shows anuais (exatos 239 no ano passado) e já lançou outros 22 discos, cinco deles com regravações das próprias músicas. Quase todos esses discos estão ainda em catálogo, em CD.
| Sá & Guarabyra Sobradinho, Espanhola, Dona e Roque Santeiro |
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Artistas que desenvolvem esse tipo de carreira não são exclusividade da MPB. A dupla americana Simon & Garfunkel cruzou mais de uma década cantando apenas Bridge Over Troubled Water e as músicas do filme A Primeira Noite de um Homem. A cantora Carly Simon até hoje é lembrada pelas mesmas baladas do tempo em que era namorada de Mick Jagger. Os próprios Rolling Stones não atrairiam a metade do público a seus shows se deixassem de cantar Satisfaction e uma penca de outras velharias. Tanto no exterior como no Brasil, esses artistas são largamente amparados pela indústria fonográfica. Se ela dependesse apenas de talentos novos ou de repertórios inéditos, estaria frita. Para cada É o Tchan que aparece, muitos outros estreantes lançam discos que não acontecem. Por isso mesmo são tão numerosas as compilações com músicas consagradas de compositores. As gravadoras também incentivam os artistas a regravar seus sucessos. Por meio desse artifício, os Titãs, por exemplo, venderam 1,5 milhão de cópias de seu último CD, Acústico. Não por acaso, a decisão de que Beto Guedes regravaria suas músicas, em vez de lançar uma nova safra, partiu não do compositor, mas da Sony Music. É dinheiro certo na caixa registradora.
Okky de Souza
Copyright © 1998, Abril
S.A. |