Polícia

Devassa na PF

Governo demite delegados acusados de crimes

O ministro
Calheiros:
"Joio do trigo"
Foto: Ricardo Stuckert  

Em quase 34 anos de existência, a Polícia Federal nunca passou por uma devassa tão profunda como a iniciada na semana passada pelo Ministério da Justiça. Há meses, a instituição vinha sendo bombardeada por uma série de denúncias de crimes e irregularidades cometidos por delegados, agentes e peritos em vários Estados. A gota d'água foi o assassinato, em junho, do delegado Alcioni Serafim Santana, em São Paulo, quando investigava um caso de extorsão aparentemente cometido por colegas. Na semana passada, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, anunciou que irá demitir de imediato sete policiais. Alguns foram condenados em primeira instância pela Justiça, outros foram considerados culpados em investigações internas da PF. Treze suspeitos de corrupção serão afastados dos cargos de confiança que ocupam. E uma comissão do ministério irá analisar a situação administrativa e jurídica de mais 52 policiais, acusados de diversos crimes.

Os decretos de expulsão estão redigidos e foram encaminhados para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa leva estão seis agentes e um delegado acusados de tentativa de extorsão contra o Banco de Israel. "Vamos separar o joio do trigo dentro da corporação", diz o ministro Renan Calheiros. Dos nomes que agora passarão a ser investigados constam vários figurões da estrutura da PF. No gabinete do superintendente-geral, Vicente Chelotti, estão dois deles: Alberto Lasserre, coordenador de gabinete, e Celso Lemos, assessor especial. O superintendente da Amazônia, Mauro Spósito, e o superintendente do Rio de Janeiro, Jairo Kuhlmann, também estão na lista.




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