
Exercícios
O inimigo se chama sedentarismo
Uma forma eficaz de combatê-lo é a corrida, que faz
bem
para todo
o organismo e não
exige equipamentos
Ernani d'Almeida
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| A atriz Ana Paula Arosio, que há oito anos corre todo dia: "Correr
é um comprometimento consigo mesmo, uma forma de ser mais cuidadoso com
o corpo e a mente" |
O tempo cobra do corpo um preço alto.
A partir dos 30 anos, o metabolismo fica mais lento, a capacidade pulmonar diminui,
coração e vasos sanguíneos perdem elasticidade. Ossos e
articulações tornam-se mais frágeis, o que mais tarde pode
comprometer a mobilidade e o bem-estar. Combater de maneira eficaz os efeitos
da idade é um dos grandes desafios da medicina. Para os especialistas,
o recurso que mais se aproxima de um elixir da juventude é simples: a
prática regular de exercícios físicos. Os médicos
são unânimes em afirmar que as pessoas que se exercitam vivem mais
e com melhor qualidade. Como escolher o exercício ideal? Depende do gosto
de cada um, mas os que mais ajudam a melhorar o condicionamento físico
e desenvolver a capacidade cardiorrespiratória são os aeróbicos,
ou seja, aqueles que fazem suar. No Brasil, o exercício que mais tem
adeptos, depois do futebol, é a corrida. Calcula-se que, hoje, 4 milhões
de brasileiros corram regularmente. A corrida se tornou um sucesso porque todos
podem praticá-la. Tomadas as precauções necessárias
em qualquer esporte como exames cardiológicos e uma avaliação
física , basta colocar um par de tênis apropriado e preparar
o fôlego.
Quem corre costuma falar de sua atividade com entusiasmo. A atriz Ana Paula
Arosio, de 33 anos, começou a correr em 2001. Ela precisava treinar a
respiração para ensaiar uma peça na qual ficava em cena
por duas horas, sem interrupção. Desde então, tornou-se
fã incondicional da corrida. Diz ela: "Correr é um comprometimento
consigo mesmo, uma forma de ser mais cuidadoso com o corpo e a mente. Às vezes
corro mais de uma vez por dia, pois nunca sei se no dia seguinte terei tempo
disponível". A corrida beneficia o organismo de diversas formas.
O médico fisiologista Rogério Teixeira da Silva, coordenador do
Núcleo de Estudos em Esportes e Ortopedia, explica: "Correr diminui
os riscos de doenças cardiovasculares, respiratórias e das articulações.
Além de tudo, ajuda a manter o humor em alta, porque aumenta os níveis
de serotonina, neurotransmissor associado às sensações
de bem-estar e felicidade. Uma pessoa livre de todos esses problemas certamente
vive mais e melhor". A corrida, quando aliada a uma alimentação
saudável, torna-se uma das melhores atividades para enxugar as gordurinhas,
o que contribui, também, para a boa relação com o espelho.
Muita gente tem dificuldade em conciliar as atividades diárias com a
prática de exercícios físicos. Vale a pena tentar, já
que os riscos do sedentarismo são consideráveis. A Organização
Mundial de Saúde recomenda a prática de, no mínimo, vinte
minutos de atividade aeróbica vigorosa como a corrida três
vezes por semana. O sedentarismo, somado a outros fatores de risco, como o fumo
ou os maus hábitos alimentares, pode resultar em doenças como
a hipertensão e favorece a ocorrência de derrames. Esses males
afetam 23 milhões de pessoas no Brasil
e estão entre as principais causas de morte no país.
O arquiteto paulistano Marcelo Faisal, de 47 anos, corre desde os tempos de
colégio. Há um ano, passou a abdicar do carro para ir trabalhar
vence correndo os 8 quilômetros do percurso. Faz o mesmo quando
vai a locais próximos de sua casa, como o parque e o supermercado. Segundo
seus cálculos, hoje ele faz 20% de seus trajetos correndo. Diz ele: "Correr
e trabalhar são as minhas duas fontes de juventude. Tive de integrar
a corrida à minha rotina de trabalho para não abandonar essa prática,
que me faz tão bem". Qualquer folguinha durante o dia é suficiente
para dar o primeiro trote. Basta ter força de vontade para começar.
A corrida da boa saúde
Correr é a atividade física cujo número de adeptos mais
cresce no país.
Calcula-se que 4 milhões de brasileiros pratiquem
corrida, esporte que
proporciona benefícios como...
Lailson Santos
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O arquiteto Marcelo Faisal, que faz 20% de
seus trajetos correndo: "É a minha fonte
da juventude" |
...JUVENTUDE PROLONGADA
O ritmo de envelhecimento do organismo de um corredor
acima de 50 anos é 50% mais lento que o de um sedentário
...MENOR RISCO DE VIDA
A probabilidade de morrer por infartos, derrames e cânceres é
60% menor nas pessoas com mais de 50 anos
...BOM HUMOR
Atividades aeróbicas intensas, como a corrida, reduzem pela metade os
sintomas da depressão
...VISÃO PRESERVADA
O risco de sofrer de degeneração macular,
a principal causa de cegueira em pessoas
com mais de 60 anos, cai 20% para quem
corre 2 ou mais quilômetros por dia
...MELHOR CAPACIDADE RESPIRATÓRIA
Ela pode aumentar 50% em comparação ao início do treinamento
...ARTICULAÇÕES SAUDÁVEIS
Problemas articulares, como artrite reumatoide
e artroses, manifestam-se, em média,
doze anos mais tarde entre corredores
Fontes: Daniel Magnoni, cardiologista e
nutrólogo; Maria Cecília Damasceno,
química médica; Rene Abdalla,
ortopedista; e Carlos Hossri,
cardiologista
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Primo atleta X primo sedentário
Veja submeteu ambos ao teste ergométrico
Fotos Lailson Santos
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GABRIEL
COMPLETOU O TESTE |
FLÁVIO
PAROU NO MEIO |
O empresário Gabriel Salomão Neto, de 31 anos, e o arquiteto Flávio
Jancowski, de 35, são primos de primeiro grau. Ambos são saudáveis
e têm biótipo parecido mas estilo de vida completamente
diferente. Gabriel é esportista. Faz sete horas de ginástica por
semana, entre sessões de musculação, pilates, corrida e
bicicleta. Flávio é sedentário. Não costuma se exercitar
nem mesmo nas horas de lazer com os dois filhos pequenos. A pedido de VEJA,
ambos se submeteram a um teste de esforço na esteira com a supervisão
de médicos do Hospital do Coração, em São Paulo,
para avaliar seu condicionamento físico. Quanta diferença nos
resultados.
Gabriel, o esportista, correu por treze minutos, completando as seis etapas
do teste. Flávio, o sedentário, abandonou a esteira pouco depois
da metade do exame. O consumo de oxigênio de Flávio foi inferior
ao do primo, o que mostra que Gabriel está mais bem condicionado. Em
repouso, a frequência cardíaca de ambos era de 78 batimentos por
minuto. Ao final, a de Gabriel subiu para 192 batimentos, considerada ótima,
enquanto Flávio atingiu o limite máximo de segurança antes
de completar o teste. A pressão arterial do primo atleta, inicialmente
12 por 7, aumentou para 16 por 7, dentro do esperado. "A pressão
sistólica aumentou e a diastólica se manteve, o que significa
que o coração bombeou o sangue para as artérias com mais
intensidade e eficiência durante o exercício", diz o cardiologista
Raul Santos, do Instituto do Coração. A pressão arterial
cardíaca de Flávio subiu de 13 por 8, ligeiramente alta, para
18 por 9. "A pressão mínima e a máxima subiram, mostrando
que o coração, embora tenha bombeado mais sangue para as artérias,
precisou se esforçar muito para fazê-lo", diz Santos. Conclusão:
o sistema cardiovascular do primo esportista teve uma resposta mais adequada
ao exercício.
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