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Home  »  Revistas  »  Edição 2121 / 15 de julho de 2009


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Gente

Editado por Lizia Bydlowski
colaboraram Juliana Linhares e Suzana Villaverde

 

O show tem que continuar

Ninguém esperava que a cerimônia de adeus de Michael Jackson
fosse normal. E não foi mesmo: caixão de 15 000 dólares, espetáculo
de 1,4 milhão, família vestida de Versace e pouquíssimas lágrimas sinceras

 

Mark Terril/AP
• Para crianças que passaram a vidinha envoltas em véus ou máscaras e foram se despedir do pai num show em ginásio de 1,4 milhão de dólares, PRINCE, 12, PARIS, 11, e o príncipe número dois, apelidado de BLANKET, 7, pareciam comparativamente normais. De unhas pintadas e reluzentes olhos azuis, Paris chorou em público – dizem que nos bastidores também, porque não queria falar. Mas falou e comoveu. Prince e Blanket, o menor agarrado a um bonequinho igual ao pai, fizeram escova no cabelo. No almoço pós-velório num hotel chique, brincaram e jogaram videogame pelo celular com seu bando de primos.


Harrison Funk/Getty Images

• Michael sempre gostou de usar Versace, certo? Sendo assim, bastou um telefonema para Donatella Versace concordar em vestir para a ocasião a família inteira do cantor – os três filhos, as três irmãs, os cinco irmãos, o pai e a mãe. Com roupas, chapéus, joias e saltões milimetricamente combinados, JANET, LATOYA e REBBIE protagonizaram o trio velório elegante. Idênticos no figurino enluvado e nos inseparáveis óculos escuros, os irmãos eram a expressão da melancólica sobriedade. Mas, aqui e ali, via-se um riso de quem cansou da pose: eles não se dão entre si, nem se davam com o falecido. Seus nomes, sempre relevados: RANDY, TITO, MARLON, JACKIE e JERMAINE.

Kevin Mazur/AP



Harrison Funk/AP
• Nem em show sertanejo se vê tal quantidade de vibratos. Desafinados, ainda por cima. "Nos dias de hoje, não tem show ao vivo, é tudo meio pré-gravado, as vozes processadas, acertadas. Neste, não deu tempo. Então, ficou aquele desastre", analisa o crítico André Forastieri. MARIAH CAREY teve a decência de pedir desculpas pela falha. "Fiquei engasgada quando o vi ali, na minha frente", justificou-se. Não que os prestadores de homenagens fossem assim tão próximos do homenageado. Queen Latifah, que abriu os trabalhos, admitiu: "Nunca nos falamos". John Mayer, que tocou guitarra, e Jennifer Hudson, que cantou, idem. Brooke Shields, a "namoradinha" que fez um discurso esquisito, mas pelo menos aparentemente sincero, não via Jackson fazia dezoito anos. A própria Mariah gravou com ele em 2001 e nunca mais.

 

Tammie Arroyo/AP


• Cerimônia encerrada, o caixão metálico de 15 000 dólares foi levado não para o descanso eterno – longe disso. A família, como sempre, está brigando sobre o destino final. Para piorar, ARNOLD KLEIN (na foto ao lado), o dermatologista de Michael Jackson e ex-patrão da enfermeira Debbie Rowe, mãe de Prince e de Paris, reacendeu a boataria de que seria o verdadeiro pai das crianças. "Até onde sei, não sou", declarou, dubiamente. "De fato, doei esperma, mas não para Michael, para um banco." Klein informa que seu paciente sofria de vitiligo e lúpus e que despigmentava, sim, a pele, para disfarçar manchas. Além de abusar de fortíssimos analgésicos. Revelou-se agora que no curso da investigação da acusação de pedofilia, em 2005, foram encontradas na casa dele quantidades hospitalares do opiáceo Demerol (no Brasil, Dolantina). A causa da morte do cantor é dada como "pendente". O resultado da autópsia deve sair em uma semana. O descanse em paz demorará um pouco mais.

 


Melhor ainda de frente

Fotos Jason Reed/Reuters


Vladimir Putin, Silvio Berlusconi, Lula, Muamar Kadafi, o papa e sua própria e flamejante mulher, Michelle, mais uma longa lista de poderosos: ninguém disputou em notoriedade com a carioca MAYARA TAVARES no quesito foto com BARACK OBAMA, pelo motivo que o mundo inteiro viu na cena acima – o presidente francês NICOLAS SARKOZY também conferiu. Os longos cabelos encaracolados, claro. Mayara, de 17 anos, integrou o grupo de quatro jovens brasileiros convidados para o Junior 8, formado por 56 adolescentes de catorze países que participaram de uma reunião promovida pela Unicef, paralela ao encontro dos líderes mundiais, na Itália. A foto com Obama poderia insinuar algo de embaraçoso, mas a articulada e bem orientada Mayara só tem do que se orgulhar. Selecionada por sua atuação com jovens de bairros da periferia do Rio de Janeiro, "Magrela", como seus amigos a chamam, é estudiosa, frequenta a Igreja Universal do Reino de Deus e gosta de Justin Timberlake. De Roma, onde a reunião do J8 continuaria até domingo, a reação de Mayara às ocorrências na foto da escadaria foi a de qualquer adolescente: correr para o Orkut e escrever: "Gente, conheci o Lula e o Obama!".

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