Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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VEJA Recomenda

DVDs

A Força de um Amor (Breathless, Estados Unidos, 1983. Fox) – Jesse (Richard Gere) é um trambiqueiro que usa roupas espalhafatosas, adora a música de Jerry Lee Lewis e ama mais ainda Monica (a bonita e fraquinha Valérie Kaprisky), estudante francesa com quem teve um caso em Las Vegas e que, agora, quer reencontrar em Los Angeles. Antes, porém, Jesse e seu Porsche roubado encontram um guarda rodoviário, com resultados desastrosos. Inspirado por Acossado, que pôs o suíço Jean-Luc Godard no mapa do cinema, o americano Jim McBride fez um filme que é típico dos anos 80, mas retém seu charme até hoje – um feito raro –, como mostra a maravilhosa cena do beijo na piscina. O exibicionista Jesse, por sua vez, é o papel da vida de Gere, que só em Justiça Cega, de 1990, atingiria voltagem semelhante.

AP
Gueto de Varsóvia: homenagem aos sobreviventes do holocausto


Rompendo o Silêncio
(Broken Silence,
Estados Unidos e outros, 2002. Universal) – Durante anos, Steven Spielberg e a Fundação Shoah recolheram depoimentos de sobreviventes do holocausto, para que suas histórias não se perdessem. Uma amostra da beleza desse trabalho está nesse DVD duplo, em que cineastas da Argentina, Polônia, República Checa, Hungria e Rússia organizam parte do material na forma de documentários sobre a perseguição aos judeus. Em seu segmento, o argentino Luiz Puenzo estabelece um paralelo com a ditadura em seu país nos anos 70. O polonês Andrzej Wajda mostra por que é um dos grandes diretores do século XX. O segmento mais devastador, contudo, é o de Pavel Chukhraj, de O Ladrão, dedicado apenas a sobreviventes que eram crianças à época da invasão da Ucrânia pelos nazistas. Veja cenas.

 

LIVROS

 
 O cachorro Enrico: mais um infantil de Madonna

Enrico de Prata, de Madonna (tradução de João Ximenes Braga; Rocco; 50 páginas; 38 reais) – A cantora americana Madonna encerra com esse livro uma série de cinco obras destinadas ao público infantil, iniciada em 2003 com As Rosas Inglesas. Enrico de Prata conta a história de um rico mercador que só encontra a felicidade depois de dividir seus bens. A narrativa é pontuada por lições morais do tipo "Sorrir é contagioso" e "Quando você aprende a partilhar, você não encontra só felicidade. Encontra também um amigo". Assim como nos demais livros da série, Madonna buscou um ilustrador de primeira linha como parceiro. O grande achado do moçambicano Rui Paes foi transformar todos os personagens em animais – Enrico, o protagonista, é um simpático cachorro. Leia trecho.

O Nascimento de Vênus, de Sarah Dunant (tradução de Ana Luiza Dantas Borges; Record; 406 páginas; 45,90 reais) – Autora de romances policiais como Marcas de Nascença, a escritora britânica Sarah Dunant resolveu trocar de gênero – e saiu-se bem. O Nascimento de Vênus é um delicado romance histórico, que reconstitui a Florença do fim do século XV. É uma perspectiva feminina da Renascença: a heroína é Alessandra, uma menina de 14 anos que se identifica apaixonadamente com os ideais da nova arte e sonha em ser pintora. Na contramão das ambições da moça, está a pregação do frei dominicano Girolamo Savonarola, figura histórica real que exerceu uma rigorosa vigilância puritana sobre Florença. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Divulgação
Springsteen: baladas sobre gente comum  

Devils & Dust, Bruce Springsteen (Sony/BMG) – Ao longo da carreira, o cantor e compositor americano sempre exibiu duas facetas. Na primeira, Springsteen veste a roupa de salvador do universo e compõe temas panfletários. Foi o caso de Born in the USA, de 1984. Em sua outra – e melhor – encarnação, ele cria baladas acústicas sobre gente comum dos Estados Unidos. Devils & Dust, seu novo álbum, investe nessa vertente. O disco foi cercado pela polêmica: uma rede de lojas dos Estados Unidos se negou a vendê-lo, por considerar que a faixa Reno abusa de termos chulos. Pura bobagem, já que o disco revela um Springsteen particularmente inspirado como letrista. Um exemplo é a faixa-título, na qual ele canta a história de um soldado relutante em servir a seu país.

With Teeth, Nine Inch Nails (Universal) – O cantor, músico e produtor Trent Reznor foi uma das figuras mais influentes do pop alternativo dos anos 90. A combinação de rock e eletrônica de discos como Broken (1992) inspirou desde David Bowie até as bandas do chamado nu metal – para não falar do esquisitão Marilyn Manson, que Reznor praticamente inventou. Seus discos, contudo, tornaram-se tão experimentais que passaram a dar sono – Fragile, de 1999, é exemplo disso. Seis anos depois daquele CD, Reznor volta a fazer o que sabe melhor: pop dançante movido por sintetizadores e sua voz rascante. Dave Grohl, ex-Nirvana, toca bateria em várias faixas.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Vencedor da quinta edição do Big Brother Brasil, Jean Wyllys não se contentou com o prêmio de 1 milhão de reais. O professor baiano se esforça para continuar em evidência. Está trabalhando como repórter no programa de Ana Maria Braga. E fez uma investida literária, Ainda Lembro (Globo; 112 páginas; 14,90 reais), que está há três semanas na lista de VEJA. O melhor que se pode dizer da obra é que se trata de uma versão editada das preleções que ele costumava dar a seus pacientes companheiros de reality show: "lições de vida" pontuadas por citações de Caetano Veloso e Clarice Lispector. Sobre o BBB – que é, afinal, a razão única da existência do livro –, não é dito nada que o telespectador que acompanhou o programa já não saiba. Ainda Lembro tem duas seções, uma de crônicas e memórias e outra de contos já publicados numa coletânea anterior. Mas a ficção de Jean só se distingue de seu texto, digamos, ensaístico pelos toques melodramáticos – suicídios e beijos carnavalescos ao som de Daniela Mercury (a axé music, avalia o autor, é positiva, apesar da "sujeira que mancha a engrenagem" – seja lá o que isso queira dizer). Do livro transborda a inestimável sabedoria do autor: "A vida toda é um doer. Mas também é rara e única, e por isso a suporto com alegria crítica". Ainda Lembro, porém, não é alegre nem crítico. É apenas chato. Leia trecho.

Jerônimo Teixeira

 

 

 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.

 

 
 
 
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