Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Sai quem tem mandato
Lula confidenciou a um ilustre congressista que pensa em mandar os ministros que têm mandato de volta ao Congresso para que encorpem a linha de defesa do governo. Se for isso mesmo, significa sobretudo tirar José Dirceu do governo e entronizar Antonio Palocci como potência hegemônica do ministério.

A culpa é do mordomo
Lula tem culpado Luiz Gushiken por parte da crise e já reclamou disso com o ministro. Acha que Gushiken está errando feio na política de comunicação.

Amigo de fé
Nos meios publicitários, a pessoa mais próxima de Delúbio Soares é Marcos Valério Souza, da SMPB, dona, entre outras, da conta dos Correios. Faz o tipo amigão do peito do tesoureiro do PT.  

A divisão do bolo
Nos grandes fundos de pensão estatais, como Previ, Petros e Funcef, quem manda, como se sabe, é o ministro Luiz Gushiken. Em vários dos fundos menores, como o Postalis (dos funcionários dos Correios) e o Nucleos (ligado às estatais da área nuclear), as indicações-chave foram feitas por Delúbio Soares. São "menores" na comparação, mas movimentam dinheiro de gente grande. O Postalis, por exemplo, tem um patrimônio de 2,2 bilhões de reais.

 

• PT

Medo de fantasmas
Trecho da cartilha do PT intitulada "Respostas que não podem calar", feita para dar argumentos para que os militantes tentem defender o governo: "Neste momento em que a direita prepara sua volta para reverter as conquistas do nosso governo (...)". Tem gente que não se emenda: prefere continuar a enxergar fantasmas a consertar os furos no casco do próprio navio.

 

Enquanto isso, em Alagoas...

Valéria Gonçalves/AE
Collor: uma vistosa águia tatuada nas costas


Fernando Collor tem acompanhado de cadeira em Maceió as agruras do governo Lula. Esquiva-se, pelo menos por enquanto, da tentação de tripudiar sobre os petistas que, veja só que ironia, estão tremendo diante de seu ex-cão de guarda, o deputado Roberto Jefferson. Collor não tem dado declarações públicas sobre o assunto. Mesmo seu jornal, a Gazeta de Alagoas, tem feito uma cobertura até certo ponto discreta da crise. Recém-separado e de namorada nova (aliás, bem mais nova do que ele), Collor vem freqüentando com assiduidade a paradisíaca Praia do Francês, pertinho de Maceió, a preferida dos surfistas da capital alagoana. Lá, acaba de estrear seu novo visual: tatuou as costas, nas quais passou a exibir uma vistosa águia.

 

• PROPAGANDA

Liberdade
O total de investimentos em propaganda dos governos federal, estaduais e municipais somou 907 milhões de reais no ano passado – cerca de 6% da verba destinada nesse período a toda a mídia nacional, segundo um levantamento inédito feito pelo Meio & Mensagem. É um número de respeito, mas proporcionalmente muito menor do que o senso comum imagina.  

Força estatal
Os campeoníssimos nas despesas com propaganda são o Banco do Brasil e a Petrobras, que gastaram, respectivamente, 151 milhões e 136 milhões de reais em propaganda no ano passado.

 

• JUSTIÇA

Debate público
De "ATT para Mr. DD": "Está confirmada a entrega da encomenda desse final de semana". Esta frase faz parte de uma série de e-mails em mãos da Polícia Federal com diálogos muito interessantes. É um prato feito.

 

• ECONOMIA

Ao lado de Palocci
Publicamente, Delfim Netto tem batido forte nas taxas de juro. Apesar disso, tem sido um dos mais freqüentes interlocutores do ministro Antonio Palocci nestes dias de crise política.

Na pindaíba
Sensores de dois grandes bancos brasileiros registraram que a inadimplência voltou a subir nos dez primeiros dias de junho.

Briga nos ares
A acirrada briga entre a Boeing e a Airbus tem o Brasil como um de seus campos de batalha. Representantes das duas empresas vêm se reunindo com a diretoria da TAM para tentar vender seus novos modelos de aviões. Na terça-feira passada, os americanos da Boeing vieram ao Brasil pela segunda vez com esse objetivo. Dois dias depois, em Paris, a turma da Airbus fazia sua terceira investida sobre a TAM.

 

• TELEVISÃO

O telespectador Lula
Talvez seja só coincidência. Mas, num encontro reservado que teve em Nagóia com representantes da comunidade brasileira no Japão há duas semanas, Lula desceu a borduna no programa Cidade Alerta, da Record. O presidente atacou a "exposição exagerada da violência" do jornalístico-policial. Na semana passada, a emissora do bispo Macedo tirou o programa do ar.

 

• LIVROS

O livro do "Garganta"
O editor Paulo Rocco foi rápido no gatilho e comprou por 25 000 dólares na semana passada os direitos de O Homem Secreto. Trata-se do livro em que Bob Woodward contará tudo sobre sua relação com Mark Felt, o mitológico "Garganta Profunda", agora revelado. A obra chega às livrarias já no fim do mês que vem, nos EUA e no Brasil simultaneamente.

 

Um craque distante da política

Fotos Marcelo Campos/AE e Fabio Motta/AE
Ronaldinho e Queiroz: não ao convite

Numa busca desesperada para arranjar alguma agenda positiva para Lula, no meio da crise política instalada no país, o ministro Agnelo Queiroz convidou Ronaldinho Gaúcho para um encontro com o presidente. Assis, irmão e administrador da carreira do craque, desaconselhou sua ida ao Palácio do Planalto. Achou que não é hora de o camisa 10 da seleção brasileira trocar um campo de grama por um movediço. Foi também Agnelo o autor do convite (este bem-sucedido) para que Ronaldo se encontrasse com Lula na segunda-feira passada.

Colaborou Erin Mizuta

 

 

Foto Claudio Versiani

 

 
 
 
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