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Televisão
A novela GLS
A TV brasileira nunca teve um
folhetim com tantas referências
ao mundo gay quanto A Lua Me Disse

Ricardo Valladares
Divulgação
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| A Lua Me Disse: guerra de cabelos e
sadomasô |
Nunca se viu uma novela tão GLS
sigla para "gays, lésbicas e simpatizantes" quanto
A Lua Me Disse. O atual folhetim das 7 da Rede Globo tem
três personagens homossexuais: Samovar (Cássio Scapin),
bon vivant que sofre de amores por um heterossexual; Coriolano (Agildo
Ribeiro), um gay da terceira idade; e Dona Roma (Miguel Magno),
marmanjo que se veste de mulher. A "simpatia", no entanto, vai muito
além disso. É uma questão de tom: há
referências ao universo gay em vários detalhes, do
figurino aos diálogos. "A novela é GLS mesmo. O mundo
se tornou GLS!", diz o autor Miguel Falabella, com exagero tipicamente...
GLS. A audiência tradicional do horário das 7, formada
por crianças, adolescentes e donas-de-casa, pode nem notar.
Mas o público homossexual se diverte com cenas como aquela
em que a megera Madô (Débora Bloch) tem uma "briga
de cabelos" com outra personagem quer dizer, elas se golpeiam
com as madeixas. "O pessoal se identifica com os diálogos
escrachados e a estética da novela", diz o doutor em teoria
estética pela USP e militante gay Wilton Garcia. Além
de Madô, há peruas como Ademilde (Arlete Salles), que
se vestem num estilo camp a versão gay do cafona.
E a toda hora os personagens usam expressões correntes no
circuito do arco-íris, como "bofe" (para definir homens másculos)
e "bas-fond" (agito).
Divulgação
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| Falabella e Maria Carmen: o apelo gay é assumido
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Até agora, a audiência parece não ter se incomodado
com os liberalismos de A Lua Me Disse. No ar há quase
dois meses, a novela registra a média de 35 pontos no ibope
marca que a Globo considera satisfatória para o horário.
Como a trama recorre àquele besteirol típico dos folhetins
das 7, muitas referências se diluem em meio ao puro nonsense.
Dez dias atrás, houve até uma cena de sadomasoquismo
de brincadeira, é claro. Em encontro com um namorado
que conheceu pela internet, a personagem de Arlete Salles descobre
que o sujeito gosta de se vestir de couro e ser chicoteado. O ator
Ricardo Petraglia, que encarnou o tal namorado, ficou constrangido.
Na semana passada, houve outro momento emblemático: o abdômen
do ator Pedro Neschling foi mostrado em close, enquanto ele fazia
ginástica ao som de dance music. No que depender de Falabella
e de sua parceira na autoria da novela, Maria Carmen Barbosa, o
apelo GLS não vai parar. Eles prevêem a entrada de
uma lésbica na trama em breve. E, no fim do mês, deve-se
gravar uma cena na Parada Gay do Rio de Janeiro. Definitivamente,
A Lua Me Disse é uma novela que saiu do armário.
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