Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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Aposentadoria sem trauma

Um estudo feito em dez países, encomendado pelo banco HSBC e divulgado recentemente, mostra que apenas 13% dos brasileiros – o sexto pior índice entre os pesquisados – pensam em contribuir para um plano de previdência privada. "A tendência é priorizar outros projetos e deixar o assunto para depois, quando pode ser tarde demais", diz o planejador financeiro Silvio Paixão, responsável pelo site drprevidencia.com.br.

Quem não pretende depender apenas da renda do INSS, cujo teto atual é de 2 508,72 reais, deve prever quanto antes um rendimento extra. É consenso entre os especialistas que a idade ideal para começar a contribuir é de 25 a 35 anos. Para escolher, é preciso pensar em duas questões: com que idade se pretende parar de trabalhar e quanto se pode guardar por mês até lá. Deve-se ouvir o conselho da consultora Márcia Dessen, da BankRisk: "Não compre o que não conhece. Faça todas as perguntas e, se as condições não ficarem claras, não entre".

 

Os grandes detalhes

Qualquer que seja o modelo de previdência complementar escolhido, os analistas financeiros recomendam atenção para pontos que devem ser levados sempre em conta.

É fundamental que a instituição que vai tomar conta das reservas financeiras seja sólida. Afinal, é bom que ela ainda exista na época da aposentadoria.

Devem-se pesquisar as taxas. A chamada "taxa de carregamento", cobrada sobre a contribuição, pode ir de 0% a 5%, e a taxa de administração costuma variar entre 1,5% e 4%. "Esses porcentuais podem parecer pequenos, mas fazem uma grande diferença a longo prazo", diz Eduardo Bom Angelo, presidente da Brasilprev.

É importante conhecer o perfil de aplicação do patrimônio – há alternativas conservadoras e arrojadas. Se a rentabilidade estiver muito alta, certifique-se de que o gestor não está aplicando em ativos de muito risco.

O poupador deve tomar cuidado com contas otimistas demais. "As administradoras costumam fazer simulações com rendimentos de 10% ou 12% ao ano acima da inflação", diz o consultor Mauro Halfeld, professor titular na Universidade Federal do Paraná. Halfeld aconselha contas menos otimistas, em torno de 6% ao ano além do índice de preços ao consumidor amplo (IPCA). O motivo é que há grande possibilidade de as taxas de juros, atualmente altíssimas, caírem a longo prazo, reduzindo a remuneração dos planos.

 

Os fundos ligados a empresas

As empresas estatais e algumas das grandes companhias privadas criaram fundos de aposentadoria para seus empregados. O maior atrativo dessa modalidade de previdência é a contribuição mensal do empregador, que é adicionada à do empregado, em alguns casos na proporção de 1 real para cada real depositado pelo funcionário. Enquanto o emprego não está ameaçado, não há maiores preocupações. Quando ocorre o desligamento da empresa antes do prazo de carência, porém, o funcionário tem quatro alternativas para remanejar seu investimento:

Transferir o dinheiro para a nova empresa, caso ela tenha um fundo, ou para um plano de previdência privada. Essa opção pode preservar os valores depositados pelo empregador, mas o dono do plano está sujeito ao período de carência estabelecido no novo fundo.

O chamado autopatrocínio: o ex-funcionário continua contribuindo com o fundo, devendo, nesse caso, depositar a parte dele junto com aquela que antes cabia à empresa. É uma boa alternativa para quem está próximo da aposentadoria e quer receber o rendimento integral.

Deixar o montante acumulado no próprio fundo e receber, na aposentadoria, o benefício proporcional ao tempo de contribuição. É uma opção que pode ser mais vantajosa do que levar o dinheiro para planos do tipo PGBL ou VGBL, mas é preciso comparar as taxas de cada alternativa.

Resgatar o total acumulado. Além de perder a parte depositada pela empresa, pagam-se até 27,5% de imposto de renda, pela tabela atual.

 

Editado por André Fontenelle. Colaborou Bianca Ribeiro

 
 
 
 
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