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Medicina Para
prevenir e remediar Novas vacinas apresentam perspectivas
animadoras no combate a doenças de difícil controle e tratamento

Paula Neiva
As vacinas estão entre
as frentes de pesquisa mais promissoras da medicina. A proteção
proporcionada por elas mudou o curso das doenças. Graças às
imunizações, a varíola foi erradicada mundialmente em 1980
e o Brasil não registra um só caso de poliomielite desde 1989. As
vacinas servem tanto para o tratamento quanto para a prevenção de
doenças. O princípio é o mesmo: fortalecer o sistema imunológico.
Quando usadas de maneira preventiva, elas preparam as defesas do organismo para
que reajam ao ataque de um agente infeccioso. Se utilizadas de forma terapêutica,
as vacinas têm por objetivo estimular a imunidade orgânica e assim
controlar ou debelar uma doença. Nos últimos vinte anos, a tecnologia
envolvida na confecção das vacinas foi aprimorada. Dessa forma,
as imunizações ficaram mais eficazes e seguras. Além disso,
graças aos avanços na biologia molecular, hoje já se experimentam
vacinas para males contra os quais até pouco tempo atrás havia pouco
ou nada a fazer, como é o caso do rotavírus e do HPV. Herpes-zoster
Provocado pelo mesmo vírus da catapora (varicella-zoster), o herpes-zoster
afeta cerca de 1% da população adulta. A doença se manifesta
por feridas na pele e dores lancinantes, que podem se prolongar por mais de seis
meses. Um estudo publicado neste mês na revista científica The
New England Journal of Medicine analisou, por mais de três anos, cerca
de 40 000 pessoas com 60 anos ou mais, divididas em dois grupos. Um deles recebeu
doses de uma nova vacina, 100 vezes mais potente do que a usada contra a catapora.
No grupo imunizado, a incidência da doença se mostrou 51% menor e
os episódios de dor foram reduzidos em 66%. Fabricada pelo laboratório
Merck & Co., a vacina contra o herpes-zoster deve chegar ao mercado em 2007.
Rotavírus
Está previsto para este ano o lançamento no Brasil de uma vacina
contra o rotavírus, agente causador de quadros graves de diarréia,
o que pode levar à morte por desidratação. Desenvolvida pelo
laboratório Glaxo, ela será administrada oralmente, em duas doses.
Feita a partir de uma versão atenuada do vírus, a vacina preveniu
até 90% dos casos graves de desidratação causada pelo agente
da doença. A expectativa é que a vacina contribua para baixar em
até 25% a mortalidade infantil por diarréia, a segunda causa de
mortes de crianças no mundo. A única vacina disponível contra
o rotavírus foi retirada do mercado em 1999, por levar à obstrução
intestinal. Outra vacina, do laboratório Merck & Co., deve chegar ao
mercado em 2007. Gripe
Ainda que não se tenha conseguido formular uma vacina capaz de dar conta
de todas as variações do vírus da gripe, a medicina busca
aprimorar as imunizações disponíveis. Uma novidade é
a vacina inalável. Como o vírus influenza ataca sobretudo as vias
aéreas, os pesquisadores investem em vacinas inaláveis, que, além
de ganhar a circulação sanguínea, protegem mais diretamente
a mucosa do aparelho respiratório. Uma delas foi lançada nos Estados
Unidos há dois anos e se mostrou eficaz em 93% dos casos. Seu uso é
restrito a crianças a partir de 5 anos e adultos de até 49 anos.
Os especialistas dizem que ainda faltam estudos sobre a segurança da vacina
em crianças e idosos as principais vítimas da gripe.
Ebola e Marburg
O Ebola e o Marburg estão entre os vírus mais violentos de que se
tem conhecimento. Neste ano, um surto de Marburg em Angola, na África,
provocou cerca de 350 mortes. Ambos os vírus são transmitidos por
secreções como saliva, sangue e fezes de pessoas contaminadas.
Em poucas semanas, deflagram sintomas parecidos, culminando num processo hemorrágico
generalizado, que mata cerca de 90% dos infectados. Neste mês, pesquisadores
canadenses e americanos divulgaram os resultados positivos dos testes em macacos
com duas vacinas uma contra o Ebola, outra contra o Marburg. Elas são
feitas a partir dos vírus das doenças inativados e modificados.
O próximo passo é testar as vacinas em seres humanos, o que só
deve ocorrer dentro de cinco anos. HPV
Uma pesquisa publicada recentemente apresentou dados promissores da primeira vacina
contra o vírus papiloma humano, o HPV. A infecção pelo HPV
é a doença viral sexualmente transmissível mais comum e está
relacionada a quase todos os casos de câncer de colo de útero
o segundo tipo de tumor maligno mais freqüente entre as brasileiras. A vacina
utiliza uma proteína encontrada na superfície do vírus que,
em contato com o organismo, estimula a produção de anticorpos específicos
contra o HPV. A imunização requer três doses e seu efeito
dura, estima-se, até quatro anos. Essa vacina está prevista para
chegar ao Brasil em meados do ano que vem. HIV
A criação de uma vacina antiaids é um dos maiores desafios
da medicina. Já foi testada mais de uma centena de produtos, com diversos
mecanismos de ação, mas nenhum deles apresentou resultados satisfatórios.
As tentativas continuam tanto para a prevenção quanto para o desenvolvimento
de vacinas terapêuticas que estimulem o ataque dos anticorpos contra o HIV.
Vários fatores prejudicam essa busca, como a incrível capacidade
de mutação do vírus HIV. Para escapar dos ataques do sistema
imunológico, o vírus se aloja na principal célula de defesa
do organismo, o que dificulta sua identificação e destruição.
Esta reportagem teve
como consultores os médicos Alexandre
Linhares, Calil Farhat, David Uip, Jessé Alves e Jorge Kalil
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