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Medicina Um
novo gatilho Médicos canadenses advertem:
a depressão aumenta o risco de uma pessoa sofrer de diabetes 
Giuliana Bergamo
Antonio Milena  |
"Há um ano descobri
que, além de depressão, sofria também de diabetes. Foi um
susto tremendo. Desde então, passei a seguir rigorosamente os dois tratamentos.
Além disso, mudei também meus hábitos de vida. Hoje, consigo
conviver bem com ambas as doenças. Mas é só ter uma crise
de stress que os meus níveis de glicose sobem bastante."
Flora Burd, de 51 anos | | Médicos da Universidade
de Alberta, no Canadá, acabam de identificar um novo fator de risco para
o diabetes tipo 2. Em artigo publicado na revista científica Diabetes
Care, eles mostram que a depressão pode elevar em até 25% a
probabilidade de alguém vir a sofrer do mal do excesso de glicose no sangue.
Obtidos a partir da análise do histórico clínico de cerca
de 30.000 homens e mulheres entre 20 e 50 anos, os resultados do trabalho canadense
são alarmantes. Afinal de contas, a depressão e o diabetes tipo
2 estão entre as mais comuns e mais graves doenças crônicas
da modernidade. Quando uma serve de gatilho para a outra, o perigo aumenta. Nos
últimos vinte anos, o número de diabéticos tipo 2 sextuplicou.
Pulou de 30 milhões para 170 milhões, em todo o mundo. E, segundo
a Organização Mundial de Saúde, 17% da população
mundial sofrerá de depressão, pelo menos uma vez, ao longo da vida.
"O estudo de Alberta deve servir de alerta para que se adotem medidas preventivas
contra o diabetes no tratamento de pacientes deprimidos", diz o endocrinologista
Ricardo Botticini Peres, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Os especialistas canadenses não conseguiram estabelecer uma conexão
direta de causa e efeito entre os dois males. Mas levantaram três hipóteses
para explicar por que a depressão pode deflagrar o diabetes tipo 2. Os
fatores podem se manifestar tanto isolada quanto concomitantemente. Pessoas deprimidas
tendem à prostração e, conseqüentemente, abandonam os
cuidados com a própria saúde. Ou seja, ficam mais sedentárias
e passam a se alimentar de maneira inadequada, abusando sobretudo dos doces. Como
resultado, engordam. Há que levar em conta ainda que o ganho de peso é
um dos efeitos colaterais mais comuns da imensa maioria dos antidepressivos. Seis
em cada dez pacientes deprimidos, depois de um ano de tratamento medicamentoso,
estão 20% mais pesados. De todos os fatores
de risco para o diabetes tipo 2, a obesidade é o mais importante deles
80% dos doentes pesam além do tolerável. O excesso de células
adiposas faz com que o organismo se torne resistente à ação
do hormônio insulina. A insulina é a responsável pela entrada
nas células da glicose, a principal fonte de energia para o corpo humano.
Quando a insulina não consegue cumprir seu trabalho, os níveis de
glicose no sangue aumentam. Sem tratamento, o diabetes pode até matar.
Entre suas complicações mais nefastas estão: infarto, derrame,
cegueira, impotência sexual, insuficiência renal crônica e amputação
de pés e pernas. Outra grande ameaça
para o surgimento do diabetes tipo 2 é o stress. Quando um organismo é
submetido a períodos de muita tensão, angústia e ansiedade,
ocorre uma liberação exagerada na corrente sanguínea de três
hormônios cortisol, adrenalina e noradrenalina. Sob o bombardeio
constante desses hormônios, o metabolismo se desequilibra. Uma das conseqüências
é que a glicose permanece na corrente sanguínea o primeiro
passo para o diabetes tipo 2. É por isso que as vítimas de situações
de muito stress, com grande desgaste emocional, podem se tornar diabéticas.
Há também uma relação entre stress, depressão
e diabetes. "Quando uma pessoa já está deprimida, ela fica muito
mais vulnerável à ação dos hormônios do stress
do que alguém que não sofre de depressão", diz o psiquiatra
Ricardo Moreno, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ou seja,
em muitos casos a depressão serve de gatilho para o diabetes tipo 2 em
decorrência do stress. Há cerca de
três anos, a comerciante paulistana Flora Burd, de 51 anos, começou
a apresentar sintomas de depressão. Sentia-se extremamente cansada, irritada,
sem energia nem ânimo para realizar tarefas rotineiras. Flora começou
a tomar antidepressivos, mas, no início de 2004, um problema de saúde
na família agravou sua depressão. As doses dos remédios aumentaram.
Nada, porém, conseguia controlar as crises de enjôo, falta de apetite
e fadiga profunda. Feita uma bateria de exames, Flora descobriu que tinha diabetes
tipo 2. Desde então, ela tenta conviver com as duas doenças ao mesmo
tempo. Graças aos antidepressivos, psicoterapia, injeções
de insulina, exercícios físicos e um controle rigoroso da alimentação,
Flora tem se saído bem.
| Relação estreita 16
milhões de brasileiros têm diabetes tipo 2 As
vítimas do diabetes tipo 2 têm 2 vezes mais probabilidade
de sofrer de depressão 36 milhões
de brasileiros sofrem de depressão
Pessoas
com depressão têm 25% a mais de risco de desenvolver o diabetes
tipo 2 | |
| Por que a depressão pode levar ao diabetes
Ganho de peso pelo consumo de antidepressivos
Sedentarismo devido à prostração provocada pela doença
Stress associado a muitos casos de depressão Fonte:
Ricardo Botticini Peres, endocrinologista | |
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