Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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Amiguinhos de bolso

Escondidos na bolsa e tratados como
bebês, cachorrinhos de estimação são
o acessório ideal da garota solitária


Laura Ming


Roberto Setton
Cristina e Mouche: em restaurante e no supermercado, com carteira e celular


Repare: seja festa de celebridades, noite de autógrafos ou inauguração da Daslu, são cada vez maiores as chances de que pelo menos uma mulher exiba, ao lado de adendos indispensáveis como bolsa de grife, jóias e cabelão liso, um microcachorrinho. Funcionando simultaneamente como acessório de luxo, apoio emocional e catalisador de atenções, os cachorrinhos de bolso são bichos comportadíssimos. Ao contrário da cachorrada que vive ao nível do chão, acompanham os acontecimentos com aplomb no colo de suas donas ou acomodados em bolsas chiques, sem latir, rosnar, atacar pés de móveis, atracar-se a estranhos com intenções suspeitas ou atender a imperativos da natureza. Alguns, carregados para baixo e para cima por celebridades, ficam tão famosos quanto elas. Viram até protagonistas de fofocas. Tinkerbell, por exemplo, o chihuahua da herdeira Paris Hilton, há poucos meses foi pivô de uma briga com Britney Spears. A cantora declarou que seu Bit Bit (que dorme em quarto próprio, com caminha e cômoda para as roupas) era mais fofo que Tinkerbell. Diante da irritação da ofendida Hilton, a ofensora Spears se retratou: "Falei de brincadeira".

Companheiros, em geral, de mulheres solitárias – os homens tendem a conviver mal com essas coisinhas mimadas – ou de jovens modelos tiradas precocemente do convívio familiar, esses cachorrinhos oferecem o amor incondicional que se espera dos amigos caninos e, como não crescem, ainda funcionam como bebês substitutos. "É cada vez mais comum encontrar mulheres que não desgrudam de seu cachorro", observa a psicóloga Denise Gimenez Ramos. Os cuidados que demandam reforçam o vínculo. Aviões, por exemplo, admitem animais que caibam dentro de uma bolsa nas dimensões aceitas para bagagem de mão e exigem que esta passe a viagem no chão, aos pés do passageiro (o preço é 1% do valor da passagem, por quilo). Assíduo na ponte aérea São Paulo–Madri, o maltês Gucci foi o único remanescente da separação de Daniella Cicarelli e Ronaldo a voltar para o Brasil – os outros dois cachorros do casal ficaram na Europa. Gucci é educado e cortês, mas invocado: late toda vez que vê um cachorro, mesmo que seja na tela da televisão.

Outra acumuladora de milhagem aérea é Vida, a yorkshire de Gisele Bündchen, que não só acompanha a dona (na primeira classe, sempre), como comparece em suas campanhas – já foi modelo de Dior e Valentino, além de aparecer na capa da Vogue americana. Acostumada à fama, mesmo assim tem seus deslizes: fez xixi no palco do Jô Soares, quando Gisele estava sendo entrevistada. Todo mundo achou lindo. Também muito viajada é Billie, que só usa roupinhas e acessórios comprados em Nova York. "Eu fico triste quando não estou com ela", conta a socialite Márcia Barata Ribeiro, de São Paulo; juntas, as duas já visitaram Buenos Aires, Fernando de Noronha, Angra dos Reis e Chapada dos Veadeiros. A yorkshire Mouche também faz o gênero inseparável com sua dona, a economista Cristina de Souza e Silva: vão juntas a toda parte, inclusive restaurante e supermercado. "Ela é tão pequenininha que ninguém percebe", diz Cristina, que a contrabandeia dentro da bolsa, junto com carteira e celular. A dupla está sempre coordenada, inclusive na indumentária.

As melhores raças para carregar na bolsa, por ser pequenas e tranqüilas, são maltês, lhasa apso e yorkshire. Mas, por mais apaixonado que seja, o dono não pode esquecer que cachorro é cachorro, alerta o veterinário Angelo Darezzo – se não andar solto, lamber, cheirar e morder o que não deve, pode ficar estressado e vir a sofrer de doenças de pele e queda de pêlo. Pior ainda é quando entra em crise de identidade, passando a sentir medo de seus pares – inclusive os do sexo oposto.

 
 
 
 
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