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Estilo
Amiguinhos de bolso
Escondidos na bolsa e tratados como
bebês, cachorrinhos de estimação são
o acessório ideal da garota solitária

Laura Ming
Roberto Setton
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| Cristina e Mouche: em restaurante e no supermercado,
com carteira e celular |
Repare: seja festa de celebridades, noite de autógrafos ou
inauguração da Daslu, são cada vez maiores
as chances de que pelo menos uma mulher exiba, ao lado de adendos
indispensáveis como bolsa de grife, jóias e cabelão
liso, um microcachorrinho. Funcionando simultaneamente como acessório
de luxo, apoio emocional e catalisador de atenções,
os cachorrinhos de bolso são bichos comportadíssimos.
Ao contrário da cachorrada que vive ao nível do chão,
acompanham os acontecimentos com aplomb no colo de suas donas
ou acomodados em bolsas chiques, sem latir, rosnar, atacar pés
de móveis, atracar-se a estranhos com intenções
suspeitas ou atender a imperativos da natureza. Alguns, carregados
para baixo e para cima por celebridades, ficam tão famosos
quanto elas. Viram até protagonistas de fofocas. Tinkerbell,
por exemplo, o chihuahua da herdeira Paris Hilton, há poucos
meses foi pivô de uma briga com Britney Spears. A cantora
declarou que seu Bit Bit (que dorme em quarto próprio, com
caminha e cômoda para as roupas) era mais fofo que Tinkerbell.
Diante da irritação da ofendida Hilton, a ofensora
Spears se retratou: "Falei de brincadeira".
Companheiros, em geral, de mulheres solitárias
os homens tendem a conviver mal com essas coisinhas mimadas
ou de jovens modelos tiradas precocemente do convívio
familiar, esses cachorrinhos oferecem o amor incondicional que se
espera dos amigos caninos e, como não crescem, ainda funcionam
como bebês substitutos. "É cada vez mais comum encontrar
mulheres que não desgrudam de seu cachorro", observa a psicóloga
Denise Gimenez Ramos. Os cuidados que demandam reforçam o
vínculo. Aviões, por exemplo, admitem animais que
caibam dentro de uma bolsa nas dimensões aceitas para bagagem
de mão e exigem que esta passe a viagem no chão, aos
pés do passageiro (o preço é 1% do valor da
passagem, por quilo). Assíduo na ponte aérea São
PauloMadri, o maltês Gucci foi o único remanescente
da separação de Daniella Cicarelli e Ronaldo a voltar
para o Brasil os outros dois cachorros do casal ficaram na
Europa. Gucci é educado e cortês, mas invocado: late
toda vez que vê um cachorro, mesmo que seja na tela da televisão.
Outra acumuladora de milhagem aérea
é Vida, a yorkshire de Gisele Bündchen, que não
só acompanha a dona (na primeira classe, sempre), como comparece
em suas campanhas já foi modelo de Dior e Valentino,
além de aparecer na capa da Vogue americana. Acostumada
à fama, mesmo assim tem seus deslizes: fez xixi no palco
do Jô Soares, quando Gisele estava sendo entrevistada. Todo
mundo achou lindo. Também muito viajada é Billie,
que só usa roupinhas e acessórios comprados em Nova
York. "Eu fico triste quando não estou com ela", conta a
socialite Márcia Barata Ribeiro, de São Paulo; juntas,
as duas já visitaram Buenos Aires, Fernando de Noronha, Angra
dos Reis e Chapada dos Veadeiros. A yorkshire Mouche também
faz o gênero inseparável com sua dona, a economista
Cristina de Souza e Silva: vão juntas a toda parte, inclusive
restaurante e supermercado. "Ela é tão pequenininha
que ninguém percebe", diz Cristina, que a contrabandeia dentro
da bolsa, junto com carteira e celular. A dupla está sempre
coordenada, inclusive na indumentária.
As melhores raças para carregar na
bolsa, por ser pequenas e tranqüilas, são maltês,
lhasa apso e yorkshire. Mas, por mais apaixonado que seja, o dono
não pode esquecer que cachorro é cachorro, alerta
o veterinário Angelo Darezzo se não andar solto,
lamber, cheirar e morder o que não deve, pode ficar estressado
e vir a sofrer de doenças de pele e queda de pêlo.
Pior ainda é quando entra em crise de identidade, passando
a sentir medo de seus pares inclusive os do sexo oposto.
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