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Divertimento Uma
febre chamada sudoku Criado na Suíça
e difundido graças a um ex-juiz de Hong Kong, o quebra-cabeça
virou moda
Max Nash/AP
 | COMO
SE JOGA O SUDOKU O desafio do passatempo é preencher
uma grade de 81 espaços com números de 1 a 9. O mesmo algarismo, contudo, não
pode ser repetido nos quadrantes, nas linhas nem nas colunas. Cada um desses espaços
deve conter todos os números de 1 a 9 | |
Na Inglaterra,
país em que os principais jornais têm alcance nacional, uma das batalhas
mais acirradas da imprensa vem sendo travada nas páginas de entretenimento.
É a guerra do sudoku um quebra-cabeça lógico no qual
é preciso preencher uma grade com 81 espaços com números
de 1 a 9, sem repetir o mesmo algarismo nas linhas, nas colunas e nos quadrantes
de nove casas. O tradicional Times foi o primeiro a veiculá-lo,
em novembro do ano passado. O sucesso foi imediato, e a concorrência não
ficou atrás: quase todos os jornais ingleses hoje trazem o passatempo.
Longe de estar restrita à imprensa, a febre dos sudokus é um daqueles
estranhos momentos em que uma bobagem galvaniza a atenção de um
país e torna-se fenômeno cultural. Uma revista mensal dedicada ao
quebra-cabeça tem tiragem de 200.000 exemplares e livros com enigmas de
sudoku são best-sellers. Tornou-se possível acessar o jogo em telefones
celulares e a rádio BBC 4 mantém um programa devotado a ele. De
repente, a Inglaterra só fala em sudoku. Celebridades como Carol Vorderman,
apresentadora de um programa de sucesso no Channel 4, renderam-se à mania.
"Estou viciada. É uma coisa sádica", declarou ela. Exageros já
começam a surgir. Segundo o jornal The Independent, um médico
recentemente prescreveu a uma paciente com fadiga crônica uma terapia à
base de palavras cruzadas e ela garante ter se curado com o sudoku. "A
transformação foi incrível", contou ao jornal.
Para resolver um sudoku, são necessários apenas um lápis
e alguma paciência. Não é preciso fazer contas e não
se exige nenhum conhecimento prévio. "O jogo pode ser apreciado por qualquer
um, e por isso estou seguro de que vai ganhar o mundo", prevê Wayne Gould,
criador de um programa de computador que produz problemas de sudoku. Juiz aposentado
em Hong Kong, o neozelandês Gould é o responsável pela febre
inglesa desse jogo. Ele o descobriu numa revista de desafios lógicos comprada
em Tóquio isso explica por que, embora tenha sido criado no século
XVIII por um matemático suíço, o quebra-cabeça hoje
é conhecido pelo nome japonês, que quer dizer "número único".
Gould fornece o jogo ao Times e a outros cinqüenta jornais no mundo
todo. No Brasil, o passatempo aparece há quatro anos, com o nome "De um
a nove", na Numerox, revista de quebra-cabeças do grupo Coquetel.
Ainda não é uma febre: da tiragem mensal de 2 milhões de
revistas do Coquetel, a Numerox responde por 70.000. |