Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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Divertimento
Uma febre chamada sudoku

Criado na Suíça e difundido graças
a um ex-juiz de Hong Kong,
o quebra-cabeça virou moda

 

Max Nash/AP

COMO SE JOGA O SUDOKU
O desafio do passatempo é preencher uma grade de 81 espaços com números de 1 a 9. O mesmo algarismo, contudo, não pode ser repetido nos quadrantes, nas linhas nem nas colunas. Cada um desses espaços deve conter todos os números de 1 a 9

DA INTERNET
O novo jogo (faça o download)

Na Inglaterra, país em que os principais jornais têm alcance nacional, uma das batalhas mais acirradas da imprensa vem sendo travada nas páginas de entretenimento. É a guerra do sudoku – um quebra-cabeça lógico no qual é preciso preencher uma grade com 81 espaços com números de 1 a 9, sem repetir o mesmo algarismo nas linhas, nas colunas e nos quadrantes de nove casas. O tradicional Times foi o primeiro a veiculá-lo, em novembro do ano passado. O sucesso foi imediato, e a concorrência não ficou atrás: quase todos os jornais ingleses hoje trazem o passatempo. Longe de estar restrita à imprensa, a febre dos sudokus é um daqueles estranhos momentos em que uma bobagem galvaniza a atenção de um país e torna-se fenômeno cultural. Uma revista mensal dedicada ao quebra-cabeça tem tiragem de 200.000 exemplares e livros com enigmas de sudoku são best-sellers. Tornou-se possível acessar o jogo em telefones celulares e a rádio BBC 4 mantém um programa devotado a ele. De repente, a Inglaterra só fala em sudoku. Celebridades como Carol Vorderman, apresentadora de um programa de sucesso no Channel 4, renderam-se à mania. "Estou viciada. É uma coisa sádica", declarou ela. Exageros já começam a surgir. Segundo o jornal The Independent, um médico recentemente prescreveu a uma paciente com fadiga crônica uma terapia à base de palavras cruzadas – e ela garante ter se curado com o sudoku. "A transformação foi incrível", contou ao jornal.

Para resolver um sudoku, são necessários apenas um lápis e alguma paciência. Não é preciso fazer contas e não se exige nenhum conhecimento prévio. "O jogo pode ser apreciado por qualquer um, e por isso estou seguro de que vai ganhar o mundo", prevê Wayne Gould, criador de um programa de computador que produz problemas de sudoku. Juiz aposentado em Hong Kong, o neozelandês Gould é o responsável pela febre inglesa desse jogo. Ele o descobriu numa revista de desafios lógicos comprada em Tóquio – isso explica por que, embora tenha sido criado no século XVIII por um matemático suíço, o quebra-cabeça hoje é conhecido pelo nome japonês, que quer dizer "número único". Gould fornece o jogo ao Times e a outros cinqüenta jornais no mundo todo. No Brasil, o passatempo aparece há quatro anos, com o nome "De um a nove", na Numerox, revista de quebra-cabeças do grupo Coquetel. Ainda não é uma febre: da tiragem mensal de 2 milhões de revistas do Coquetel, a Numerox responde por 70.000.

 
 
 
 
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