Edição 1909 . 15 de junho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Essa gente está confundindo o verde da Amazônia com o verde dos dólares."
José Carlos Aguiar de Almeida
Anchieta, ES

Corrupção

Passei boa parte de minha vida ouvindo besteiras. Petistas diziam que o grande perigo para a Amazônia vinha dos Estados Unidos, pois esses queriam sua internacionalização. Das ONGs vinham "dados" para sustentar esses "fatos". Hoje vemos que a devastação serve a interesses europeus, origem da maioria das ONGs instaladas na Amazônia, e que são petistas alguns dos cupins da dilapidação ("Lutar contra a corrupção já é uma vitória", 8 de junho).
José Roberto dos Santos
Fortaleza, CE  

Mato Grosso não definiu as áreas de transição com uma canetada. Na verdade, a tipologia denominada área de transição consta da Lei Complementar Estadual nº 38, de 21 de novembro de 1995. Essa lei, em seu Artigo 62, define que as áreas de florestas ou matas de transição devem manter como reserva legal no mínimo 50% de sua superfície. Nessa época, o Código Florestal, Lei nº 4771, de 15 de setembro de 1995, também definia a área de reserva legal das florestas nos mesmos 50%. A canetada de fato ocorreu, mas foi de responsabilidade do governo federal, que, por meio da Medida Provisória nº 1511, de junho de 1996, portanto em data posterior à Lei Complementar Estadual de Mato Grosso, veio a definir a reserva legal em 80%. Tal MP teve 67 reedições, e esse monstro legislativo, que em sua origem continha apenas seis artigos, em sua versão Frankenstein de nº 2116-67, de 24 de agosto de 2001, em vigor até hoje, pois não foi votada no Congresso, altera substancialmente o Código Florestal.
João Ricardo Moreira
Advogado especialista em direito agroambiental
Cuiabá, MT  

A área plantada de soja na Amazônia Legal é de 62 076 quilômetros quadrados, ou 1,2% de seu território. Desse porcentual, 98,3% estão nos estados de Mato Grosso, do Tocantins e do Maranhão, portanto fora da Floresta Amazônica. Toda a atividade agrícola da Amazônia ocupa 2% de seu território. A campanha difamatória de Mato Grosso e do governador Blairo Maggi, na imprensa internacional, tem como objetivo truncar o desenvolvimento da nossa agricultura e a internacionalização da Amazônia. E o governo brasileiro, mesmo com a soberania nacional arranhada, fica quieto. Parabéns por exporem de forma clara a ação da máfia do Ibama. É um absurdo.
Cloves Vettorato
Secretário de Projetos Estratégicos de Mato Grosso
Cuiabá, MT

A diversidade da Amazônia pode ser explorada de forma sustentável, gerando empregos, respeitando o meio ambiente e as comunidades locais e impulsionando a economia. Óleos, frutos e a madeira da nossa floresta já estão sendo bem manejados por comunidades e empresas que conquistaram a certificação do FSC (Forest Stewardship Council), o "selo verde" com credibilidade mundial. Vale ressaltar que o maior comprador da madeira da Amazônia é o próprio brasileiro, que consome mais de 70% da produção. Cabe aos governos, empresários, construtores e ao cidadão usar o poder de força da demanda de forma positiva e inteligente, comprando de empresas idôneas e preferindo a madeira certificada, que garante sua rastreabilidade da origem até o produto final.
Karla Aharonian
Gerente da EcoLeo, revenda de madeira certificada
Por e-mail  

Por favor, remetam exemplares das três últimas edições da revista VEJA ao presidente Lula e ao senhor José Dirceu. Debitem em minha conta de assinatura. Esses senhores estão fora de órbita.
Ronaldo Vilela de Melo
Arcos, MG

 

Radar

Em relação à nota "Na pindaíba" (Radar, 8 de junho), o Ministério do Esporte esclarece que a prestação de contas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) não foi examinada a tempo. No entanto, no dia subseqüente à publicação da nota, a pasta já se encontrava adimplente no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), não tendo causado nenhum prejuízo na assinatura de convênios desse órgão com a administração pública.
Flávia Rochet
Assessora de comunicação
Ministério do Esporte
Brasília, DF  

Em relação à nota "A estranha história do depósito devolvido" (Radar, 8 de junho), esclareço o seguinte: no dia 6 de outubro de 2003 foi constatado depósito bancário em favor de Andréa Haas, minha esposa, no valor de 6 000 reais. Verificada a procedência do crédito, Andréa emitiu cheque no mesmo valor, com data de 3 de novembro, no verso do qual registrou que a quantia de 6 000 "refere-se a um depósito indevido em minha conta corrente, feito no dia 6/10/2003". O documento foi entregue à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que, alegando erro administrativo, descontou o cheque, conforme registro de 11 de dezembro do extrato bancário. A documentação que comprova os fatos se encontra em meu poder e já estava à disposição da revista VEJA antes mesmo da publicação da nota.
Henrique Pizzolato
Diretor de marketing e comunicação do Banco do Brasil
Brasília, DF

 

Justiça

A Constituição Federal não privilegia o exercício de um direito ou garantia individual sobre outro. A regra que consagra a liberdade de expressão não instituiu salvo-conduto autorizador de delitos contra a honra e a imagem das pessoas, invioláveis segundo a mesma norma constitucional. Diante de um conflito entre direitos constitucionais, compete ao Poder Judiciário decidir acerca da aplicação da regra ao caso concreto. Foi o que fez o deputado federal Ronaldo Caiado, em virtude do mau jornalismo exercido pelo escritor Fernando Moraes, que publicou inverdades sem ouvi-lo ("O marketing da censura", 8 de junho).
Ovídio Martins de Araújo
Advogado do deputado Ronaldo Caiado
Goiânia, GO

 

Pesca

O Programa de Modernização da Frota Pesqueira Oceânica (Prófrota Pesqueira) foi criado em 2003 com o objetivo de recuperar a combalida condição pesqueira do Brasil, por meio da concessão de crédito para a construção de novas embarcações, totalmente adequadas à realidade da zona costeira e da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). A meta do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR), é apoiar a construção ou conversão de 200 novas embarcações, gerando empregos em nossos estaleiros e na indústria pesqueira e sustentando a soberania brasileira sobre nossa ZEE. Paralelo a esse programa, mantemos um Programa Nacional de Entrepostos e Terminais Pesqueiros, destinado à recuperação da infra-estrutura portuária e aquaviária e um Programa de Arrendamento de Embarcações Pesqueiras Estrangeiras, além de um sistema de monitoramento de embarcações e um Programa de Observador de Bordo. O sistema de arrendamento é uma política temporária, voltada à garantia da exploração sustentada de nossa ZEE e de nossa área costeira, enquanto a nova frota nacional não fica pronta. A frota arrendada, de 62 embarcações, é responsável pela captura de cerca de 50.000 toneladas de pescado. A produção total, oceânica e costeira, do Brasil é de 484 000 toneladas ao ano ("Deixa eles pescarem nossos peixões, Lula!", 8 de junho).
Sheila Oliveira
Coordenadora-geral de relações públicas
Presidência da República
Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca
Brasília, DF

 

André Petry

É preciso ficar claro, de uma vez por todas, que o que a Lei de Biossegurança está autorizando nada mais é que o uso de células fecundadas que nem deveriam ser chamadas de "embriões", pois estão ainda na fase de blástula (estágio primitivo de desenvolvimento). Não há ainda nenhuma função vital. Não há ainda nada que se aproxime de vida. Mas há, sim, vida, e muita, nos doentes congênitos e lesionados medulares que esses pequenos "aglomerados de genes" podem curar e salvar ("Isso deve ser pecado", 8 de junho).
Rosana Puga de Moraes Martinez
Presidente da Associação de Doenças Neuromusculares de Mato Grosso do Sul
Campo Grande, MS  

Equivocou-se o senhor André Petry no artigo ao asseverar: "pela norma jurídica em vigor no país, a vida começa com o nascimento, e não antes disso", e ainda "é ao nascer que passa a existir a pessoa física, com personalidade jurídica, direitos e deveres". Com efeito, tanto a lei penal quanto a civil deixam evidenciado que a "vida" (no sentido jurídico do termo) existe antes do nascimento, conferindo-lhe, sem dúvida, salvaguarda jurídica, porquanto o Código Penal situou o crime de aborto no capítulo dos crimes dolosos contra a vida, cujo julgamento cabe ao júri popular. Outrossim, nosso Código Civil, em seu artigo 2º, estabeleceu que "a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro".
Márcio José de Oliveira
Promotor de Justiça
Divinópolis, MG

Será que Fonteles faz idéia de quantas pessoas dependem dessas experiências para continuar vivendo? Elas têm tanta fé e esperança em que um dia haverá cura para sua doença que suportam situações inimagináveis. Em que grau de superioridade divina Fonteles se encontra, capaz de julgar por essas vidas? Já que está em função das ideologias católicas, faça algo realmente útil; a Igreja também condena a corrupção, e não será crime nem pecado combatê-la!
Ricardo F. Spindola
Passo Fundo, RS

 

Diogo Mainardi

Todo o Ministério da Cultura, envolvendo as fundações, autarquias, museus, bibliotecas e arquivos nacionais, receberia para o exercício de 2005 cerca de 500 milhões de reais. Contudo, 57% desse montante (289 milhões) foi contingenciado, resultando em míseros recursos para ações culturais. É, Diogo, desse jeito teremos de agüentar esses filmes chatos, Julianas e Luanas ganhando rios de dinheiro. Enquanto isso, o corpo técnico do Ministério da Cultura recebe bem menos que um ascensorista do Planalto. Os acervos documentais e iconográficos se deterioram a olhos vistos. Em breve, o cinema nacional e a televisão não terão como realizar produções que privilegiem nossa trajetória histórica por não ter onde pesquisar. Procurem se inteirar da situação da Biblioteca Nacional, por exemplo ("Verbas em transe", 8 de junho)!
Marcia Regina Lessa
Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Por e-mail

 

Claudio de Moura Castro

Como educadora, eu não poderia deixar de manifestar meu apoio às idéias de Claudio de Moura Castro ("A culpa é do tataravô", Ponto de vista, 8 de junho). O Brasil precisa correr atrás do prejuízo. Diogo Mainardi, na edição de 1º de junho, afirma que "Lula é iletrado", e eu digo que, com esse contingente de crianças que não se apropriaram do código da escrita, mesmo o Estado sendo responsável pela compra de quase metade dos exemplares de livros produzidos no Brasil, teremos num futuro muito breve candidatos a presidente da República não iletrados, mas analfabetos.
Celeste Cristina Pinheiro Pereira
Assistente pedagógica
Votuporanga, SP  

Claudio de Moura Castro situou historicamente a problemática que envolve a educação brasileira. Fez a denúncia, mas ao mesmo tempo anunciou o que é fundamental para mudarmos esse contexto: não nos lamentar do que passou e começar a projetar ações inovadoras para esse campo.
Elisvânia da Cunha
Pedagoga
Pelotas, RS

 

Meninos do Rio

Nossos "meninos da rua" não são muito diferentes dos "meninos soldados" de Serra Leoa ou das "pequenas vítimas" do regime de Pinochet. Infelizmente, o Brasil está cometendo contra suas crianças a mesma violência que cometem outros países contra os direitos humanos dos pequeninos. Os brasileiros não devem se escandalizar com o que ocorre em outros países. Diariamente vemos, insensíveis, o que sofrem nossas crianças, sem escola, sem família, sem infância, sujeitas a maus-tratos, à prostituição, às drogas e à morte em cada esquina ("Uma vida abaixo do tolerável", 8 de junho).
Helga Saboia Bezerra
Oviedo, Astúrias, Espanha  

É de causar náuseas: num país com tamanhas desigualdades sociais, onde faltam verbas públicas para tantas necessidades básicas da população, agüentar o odor insuportável do mergulho em esgoto a céu aberto de muitos políticos. Enquanto isso, seres humanos excluídos dessa farra milionária são transformados em ratos de esgoto, morando em bueiros.
Ângela Luiza S. Bonacci
Pindamonhangaba, SP

 

Chile

A fórmula adotada pelo Chile para crescer é simples: prefere ser o último entre os ricos, adotando as regras e os princípios que deram certo naqueles países, enquanto o Brasil insiste em ser o primeiro entre os pobres, compartilhando corrupção e atraso. Assim fica fácil entender por que nunca chegamos lá, já que trilhamos caminhos tão diferentes... ("Por que o Chile dá certo", 1º de junho).
Gisele Mendes de Carvalho
Zaragoza, Espanha

 

Saúde

Importantes as informações publicadas sobre o câncer de tireóide ("A hipo que é híper no Brasil", 8 de junho). O principal exame pré-operatório para determinar a malignidade de um nódulo da tireóide é a punção aspirativa por agulha fina, que é um procedimento ambulatorial, tecnicamente simples, em que se estudam as células colhidas de órgãos e/ou de lesões císticas e sólidas, fazendo-se esfregaços em lâminas. O exame de ultra-sonografia indica a presença, a localização, as características e o tamanho do nódulo. Nas lesões não palpáveis se utiliza a ultra-sonografia para direcionar a agulha para a coleta do material no local exato. Espero com isso ter contribuído para maior esclarecimento de um assunto relevante para a saúde de nossa população.
Gilda da Cunha Santos
Patologista
Toronto, Ontario, Canadá

 

Corrupção 2

Ao ler a reportagem "Mesada de 400.000 reais para o PTB" (25 de maio), fiquei surpreso com as informações divulgadas pela polícia, que não condizem com a verdade no que se refere a minha pessoa. Devo esclarecer que a conversa com uma colega de trabalho, que motivou minha prisão na chamada máfia dos combustíveis, não aconteceu naquele teor. Foi uma armação para me colocar na cadeia. Fui preso em conseqüência de uma denúncia anônima. Cabe ressaltar que, antes de conhecer pessoalmente o deputado Roberto Jefferson, eu já era chefe do setor de operações especiais da PRF do RJ. Também não é verdade que na gravação com a colega existam as expressões "dizem gostar de dinheiro, de acertos, propinas, considerar uma corrupção light, desaparecimento de multas, facilitar passagem de combustível", como foi relatado pela polícia. As transcrições foram manipuladas para me incriminar. Já representei junto ao MPF, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal sobre esses absurdos cometidos contra mim pela polícia.
Luiz Carlos Roque
Rio de Janeiro, RJ

 

 

 

CORREÇÕES: O estudo "Early life risk factors for obesity in childhood" foi realizado por um grupo de médicos do Avon Longitudinal Study of Parents and Children e publicado no British Medical Journal ("Os riscos da obesidade infantil", Contexto, 8 de junho). A miss Venezuela foi a quinta colocada, e não a segunda, no concurso que elegeu a miss Universo 2005 (Datas, 8 de junho).

 

 

No combate ao câncer de mama

O site cancerdemama.com.br: pioneirismo na internet

Depois de ler a reportagem "O fim dos mitos sobre o câncer" (18 de maio), José Luís Neto Francisco, de Santos, no litoral paulista, escreveu a VEJA para falar do Instituto Neo Mama de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, do qual é coordenador de projetos. Ele informa: "O Instituto Neo Mama, sem fins lucrativos, desenvolve um trabalho pioneiro no Brasil, com atendimento multidisciplinar gratuito às mulheres acometidas pelo câncer de mama, com apoio extensivo aos familiares. O instituto é fruto do site www.cancerdemama.com.br, criado pela enfermeira Gilze Maria para relatar e compartilhar sua luta contra a doença, que a acometeu em 1999. Nosso programa Um Toque pela Vida, via internet (www.neomama.com.br), atende às várias solicitações relacionadas a câncer de mama, saúde e qualidade de vida e proporciona ao público entrevistas com especialistas das mais diversas áreas da saúde, como mastologistas, oncologistas, radioterapeutas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogas e enfermeiras".

 

A novo foto do colunista

 

André Petry, antes e agora: sucesso com as leitoras

Diante da nova fotografia que ilustra a coluna do jornalista André Petry, o leitor Leandro Coelho, da cidade de Resende Costa, em Minas Gerais, escreveu: "Os leitores tiveram uma surpresa ao abrir a edição desta semana. Para quem já está acostumado com a revista, ao abrir a página que contém a coluna de Petry pergunta-se: quem é este senhor de óculos dourados, cavanhaque e cabelos longos e mesclados?". Coelho lembrou que esse tipo de mudança costuma provocar comentários elogiosos por parte do público feminino de VEJA. Ele cita como exemplo o colunista Diogo Mainardi, cuja troca de fotografia despertou calorosas cartas ("Fã-clube", 9 de maio de 2001). Ele estava certo. "Fiquei surpresa quando vi a nova fotografia. Pensei até que fosse outra pessoa", afirmou por e-mail a leitora Ana Lima. Fabrícia M. Carvalho, de Montes Claros, em Minas Gerais, escreveu: "Fiquei surpresa ao deparar com a foto de Petry. As edições anteriores apresentavam uma pessoa bem mais sisuda. Confesso que foi uma surpresa bem agradável". A paraense Kassia Lima, de Belém, faz coro: "André Petry é muito charmoso, e a foto antiga não valorizava isso".

 
 
 
 
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