Edição 1909 . 15 de junho de 2005

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Uma nova chance

Ana Araújo
Junior, de VEJA: "O jornalismo não pode deixar de vigiar o poder"


O Congresso Nacional finalmente decidiu instalar a CPI dos Correios, cuja missão será investigar as denúncias de corrupção na estatal. A criação da CPI, que virou um palco de batalha acirrada entre governistas e oposicionistas, é conseqüência direta do trabalho da imprensa, em especial de uma reportagem publicada por VEJA na edição de 18 de maio passado, na qual se divulgou o vídeo em que um funcionário dos Correios embolsa uma propina de 3.000 reais.

A leitura dos requerimentos de criação das CPIs que ajudaram a elevar o padrão ético da política no Brasil nos últimos anos mostra que, invariavelmente, o trabalho da imprensa é citado como uma das razões, quando não a principal razão, para a abertura das investigações. O jornalista Policarpo Junior, 40 anos de idade e há dezesseis trabalhando na sucursal de VEJA em Brasília, é o autor da reportagem que serviu de pedra fundamental para a CPI dos Correios. Junior também deu o pontapé inicial na série de reportagens que culminou com a instalação da CPI do Orçamento, criada em 1993. Seis anos mais tarde, Felipe Patury, outro repórter de VEJA, daria os primeiros subsídios jornalísticos para o longo e complexo processo de apuração que desembocaria na CPI do caso Marka, que se debruçou sobre o vazamento de informações privilegiadas do Banco Central. Uma primorosa investigação de Junior revelou mais tarde detalhes das relações entre dois protagonistas daquele escândalo, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola e Chico Lopes, então presidente do Banco Central.

"Ninguém trabalha para criar CPI, mas o jornalismo não pode abrir mão de sua missão de vigiar o poder", diz Junior. Assim tem sido nas quase quatro décadas de vida de VEJA, cujas reportagens já ajudaram a apontar desvios de conduta de políticos direitistas, centristas e esquerdistas. A imprensa não tem nem deve ter mandato para ir além de apurar e publicar denúncias de corrupção. Daí em diante cabe às instituições conduzir o processo e garantir que ele resulte em avanços para o país e punição para os culpados. Felizmente, ao contrário do que muita gente quer fazer crer, as investigações feitas por CPIs produzem bons resultados práticos. Uma delas, fortemente calcada em reportagens de VEJA, resultou até mesmo na destituição de um governo corrupto, comandado pelo então presidente Fernando Collor. VEJA se une à sociedade brasileira na esperança de que a CPI dos Correios também seja lembrada como uma bem-sucedida faxina ética.

 
 
 
 
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