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Banqueiro
tem razão
"Vou
abrir conta nos bancos estrangeiros
que recomendaram a seus clientes que diminuíssem os investimentos
no Brasil.
Quero que eles cuidem do meu dinheiro. Quero que me deixem rico"
Vou abrir uma conta no ABN Amro. Ou no Santander. Ou num dos outros bancos
estrangeiros que, diante do crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais,
apostaram contra o Brasil, recomendando a seus clientes que diminuíssem
os investimentos no país. Quero que eles cuidem do meu dinheiro.
Quero que me deixem rico. Quem ouviu seus conselhos só se deu bem
nos últimos tempos. De fato, logo depois que eles lançaram
o alerta sobre o Brasil, apareceu a notícia envolvendo as estripulias
financeiras do ex-arrecadador de fundos de José Serra, e o resultado
foi exatamente o que haviam previsto: a bolsa de valores caiu, o real
se desvalorizou, o C-Bond foi para o espaço e o risco-país
encostou no do Equador.
Até aquele momento, os bancos estrangeiros tinham sofrido verdadeiro
massacre, com ataques provenientes de todos os lados. Lula os acusou de
dar início a uma "onda de terrorismo". ACM disse que se tratava
de uma "grande bobagem". Malan os definiu "precipitados". Serra falou
em "equívoco". Um diretor da Cepal afirmou que eles eram "primários".
Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central na época da ditadura,
julgou-os "despreparados", acrescentando que "a capacidade de cometer
erros desses bancos é ilimitada". Vendo as coisas agora, depois
de tudo o que aconteceu durante a semana, quem se mostrou primário
e despreparado foram os que esnobaram os bancos estrangeiros e mantiveram
os investimentos no Brasil.
Dizem que a classe média tem medo de Lula porque ele é ignorante.
Seria ótimo se fosse verdade. Mas o fato é que os investidores
nunca se importaram com os conhecimentos gramaticais dos candidatos. Os
Estados Unidos, por exemplo, elegeram um presidente reconhecidamente ignorante.
O primeiro-ministro da Itália também é ignorante,
apesar de ser um dos homens mais ricos do mundo. Ninguém liga para
isso, porque o que os investidores querem é lucro. Nada de pessoal.
Na mesma semana em que os bancos estrangeiros desaconselharam os investimentos
no Brasil, o J.P. Morgan alertou contra a indústria americana de
semicondutores e todos os bancos europeus sugeriram fugir dos títulos
da Fiat.
Existe um problema político, porém. Os bancos estrangeiros
desconfiam de FHC, Malan, Fraga e Serra, tanto que nos cobram juros de
agiota. Mas desconfiam ainda mais do PT. Para entender o motivo dessa
desconfiança, basta ouvir o assessor econômico de Lula, Guido
Mantega. Ao comentar as advertências dos analistas estrangeiros
contra um eventual governo petista, ele reclamou que esses bancos "não
se importam se o povo está passando fome ou está desempregado.
O que interessa é que o Brasil pague os juros". Por que o Morgan
Stanley ou o Merryll Lynch deveriam preocupar-se com a fome e o desemprego?
Não é o papel deles. Sua função é ajudar
os clientes a investir corretamente e a lucrar com isso. Eu jamais compraria
títulos da Lituânia se soubesse que o país criaria
dificuldades na hora de pagar os juros. Você também não.
Mantega também não.
Eu, como escritor, ficaria feliz e esperançoso se as pessoas tivessem
medo de Lula por causa de seus erros gramaticais. Não é
assim. Infelizmente, a gramática não conta nada. O PT só
dá medo porque acha que banco não precisa ganhar dinheiro.
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