O PLANETA PAULO COELHO

Como o mago açoitado pela crítica se transformou
no escritor brasileiro mais vendido ao redor do mundo

Marcelo Camacho

Foto: Paulo Jares
Paulo Coelho: patrimônio de 11 milhões de dólares
e novo livro previsto para agosto

Paulo Coelho, que no Brasil é conhecido por seus admiradores como "mago" e por seus detratores como "picareta", acaba de bater um recorde histórico: é o segundo brasileiro a atingir a marca de 20 milhões de livros vendidos ao redor do mundo. A façanha o transforma num fenômeno sem paralelo na cultura brasileira. Sobre o outro autor nacional que já vendeu a mesma quantidade de livros, Jorge Amado, Paulo Coelho leva três vantagens. A primeira é que chegou a esse número impressionante em muito menos tempo — dez anos, contra mais de sessenta anos de carreira do autor de Dona Flor e Seus Dois Maridos. A segunda é que, enquanto o venerável baiano publicou 37 livros, ele atingiu a mesma vendagem com apenas oito volumes editados. A terceira é que conseguiu chegar a esse patamar graças, unicamente, a seus próprios méritos — apesar de seu indubitável talento literário, Jorge Amado, militante comunista, contou com a ajuda dos partidões espalhados pelo mundo para propagar sua obra. Sem a ajuda do ouro de Moscou, e provavelmente sem nenhuma mandinga poderosa, Paulo Coelho conquista mercado atrás de mercado, principalmente na Europa, onde ele não é conhecido nem como "mago" nem como "picareta", mas por uma palavra que os críticos brasileiros em geral não têm coragem de pronunciar quando se referem a ele: "escritor".

Os integrantes do Ministério da Cultura, por exemplo, não acham que Paulo Coelho mereça essa qualificação, tanto que não o convidaram para a delegação que representou o país oficialmente no Salão do Livro de Paris, no mês passado, que teve o Brasil como tema principal. Mesmo assim, Paulo Coelho apareceu por lá por conta própria, convidado por sua editora, e roubou a cena lançando em solo europeu O Monte Cinco, seu último romance, que saiu no Brasil há dois anos. Enquanto a maioria dos escritores brasileiros passou praticamente despercebida da multidão, ele recebeu do público francês a atenção dispensada a uma estrela pop. Em visita à feira, o presidente Jacques Chirac cobriu-o de gentilezas — afinal de contas, o brasileiro havia sido condecorado, em 1996, com a Comenda das Artes e das Letras pelo governo da França. Sua tarde de autógrafos menos concorrida o fez assinar livros durante quatro horas ininterruptamente. No melhor dos dias, ficou sete horas autografando. "Os organizadores do Salão do Livro disseram que nunca viram nada igual em mais de dez anos", diz Anne Carrière, a editora de Paulo Coelho na França. "Em três semanas, já vendemos 200.000 exemplares de O Monte Cinco."

Agenda de estrela: recebendo a Comenda
das Artes e das Letras
na França, em 1996 e
(
abaixo) dando entrevista
à TV canadense, na
semana passada
Foto: Antonio Ribeiro  

O ponto alto de sua passagem por Paris, que incluiu incontáveis entrevistas para TVs e jornais, foi um jantar para 700 pessoas no Carroussel, área de eventos localizada no subsolo do Museu do Louvre que costuma abrigar os grandes desfiles da capital da moda. Mônica Antunes, a agente de Paulo na Europa, comanda de Barcelona a operação que o transformou em sucesso em todo o globo terrestre. "O Alquimista foi traduzido para 38 idiomas, e não é todo autor que consegue isso. O Mundo de Sofia, do norueguês Jostein Gaarder, que foi um livro badalado, não chegou a tanto. E o Paulo escreve numa língua que não é inglês, francês nem alemão. É difícil fazer sucesso escrevendo em português. Mas hoje o idioma do Paulo já não importa, ele é universal", diz ela. Com 20 milhões de livros vendidos, Paulo Coelho é um fenômeno para um escritor brasileiro, mas não chega perto ainda dos grandes best-sellers internacionais, como John Grisham, o escritor mais bem-sucedido da atualidade, com 87 milhões de livros vendidos no mesmo período de Paulo Coelho, ou Danielle Steel, que vendeu 360 milhões de cópias em vinte anos. Essas cifras só são possíveis no mercado em que esses dois escritores atuam, o americano, maior do mundo. A façanha de Paulo Coelho, hoje publicado em 73 países, além do Brasil, é conseguir penetrar em vários mercados distintos e, em todos eles, conseguir uma legião de seguidores.

— Isso é uma prisão? — perguntou à vigilante, que tinha abandonado a leitura do livro e agora acompanhava todos os seus movimentos.

— Não. Um hospício.

— Eu não sou louca. A mulher riu.

— É exatamente o que todos dizem aqui.
Trecho do livro Veronika Decide Morrer

Essa "universalidade" de que fala sua agente parece ser uma das causas do sucesso internacional de Paulo Coelho. O Brasil praticamente não aparece em seus livros, que despertam igual interesse em umbandistas baianos e espíritas suecos. Suas fábulas contendo ensinamentos costumam ser ambientadas em lugares como a Espanha ou o norte da África, mas poderiam passar-se em qualquer tempo e lugar. Ecumênicos, seus livros podem ser lidos sem susto por gregos e troianos, religiosos e materialistas. Em fevereiro passado, ele foi convidado a participar do Fórum Mundial de Economia em Davos, na Suíça. No evento, discorreu para empresários e banqueiros sobre insuspeitas ligações entre misticismo e economia. Ao final de uma palestra em que, entre outras coisas, falou sobre a importância de cada um despertar "a mulher que todos trazem dentro de si", foi procurado por um estranho. "Ele me perguntou se eu me importaria em encontrar o Shimon Peres, que queria me conhecer", lembra Paulo Coelho, que não titubeou em aceitar a proposta. "Li todos os seus livros", foi logo dizendo o ex-primeiro-ministro de Israel ao avistar o escritor, que, desde novembro passado, é conselheiro especial da Unesco para o programa Convergências Espirituais e Diálogo Intercultural, cujo principal objetivo é estabelecer o diálogo inter-religioso.

Neste ano, Paulo Coelho fez uma solicitação a sua editora italiana, a Bompiani: queria conhecer o papa. Para conseguir sinal verde de sua santidade, a editora teve de submeter seus livros a especialistas do Vaticano, que os analisaram durante dois meses. As mesmas obras que servem de ponto de partida para palestras empresariais não foram consideradas danosas à fé católica, e Paulo Coelho conseguiu o encontro com João Paulo II. Católico fervoroso, desses que fazem três orações por dia — ao acordar, às 6 da tarde e antes de dormir —, ficou emocionadíssimo. "Como católico, admiro o papa por ter devolvido o sentido do sagrado à Igreja. O mundo está passando por uma conscientização da sua espiritualidade", teoriza.

Quando se tenta entender o fenômeno Paulo Coelho, a primeira explicação que vem à mente é o crescente interesse que assuntos místicos e religiosos, abordados por seus livros, despertam no mundo atual. Às voltas com um cotidiano repleto de solicitações materialistas, das quais nem sempre podem dar conta, as pessoas precisariam de um escape espiritual, de um sentido transcendental para as suas vidas. A explicação é válida, mas há uma outra razão para o sucesso de Paulo Coelho, bem mais terrena. Ele sabe vender sua imagem, é um especialista em marketing, esquecidas as conotações negativas atribuídas ao anglicismo "marketing" e ao adjetivo "marqueteiro". Antes de se tornar escritor, Paulo Coelho foi executivo da indústria do disco. Entre suas criações nessa área está a figura de Sidney Magal, o falso cigano que rebolava em churrascarias da noite carioca e, mediante uma armação de gravadora, foi transformado num supersucesso fonográfico em meados dos anos 70. Paulo Coelho domina as leis do sucesso na indústria fonográfica, e essas leis são as mesmas que regem o tipo de literatura popular que pratica. A operação de lançamento de um livro seu é geralmente parecida com a de uma nova banda de rock. Sua editora na Itália, por exemplo, fechou, durante uma semana, cinco pequenas ruas em cinco cidades italianas — Roma, Milão, Bolonha, Orvieto e Nápoles — e batizou cada uma delas de Via Paulo Coelho. Viraram o que se poderia chamar de ruas temáticas. Em Orvieto, O Monte Cinco estava em todas as vitrines — e a rua coberta de cartazes e balões de gás. Numa casa de carnes de caça, um javali morto, de óculos de grau, "lia" o livro de Paulo arrumado entre suas patinhas. Numa loja de roupas, um manequim de vitrine trazia O Monte Cinco no bolso do casaco. Paulo se mantém a par dessas estratégias e, para usar um jargão da indústria fonográfica, "trabalha" seus livros da mesma maneira que um cantor "trabalha" uma música participando de programas de auditório e entrevistas no rádio.

No colo do pai,
Pedro; na primeira
comunhão; com o
parceiro Raul
Seixas; meditando
nos anos 70;
durante uma aula
de teatro: o mau
desempenho
escolar levou-o
a um hospital
psiquiátrico

"O sucesso é muito bom, não tenho nenhum conflito com ele", diz Paulo Coelho. "Mas para obtê-lo é preciso um esforço hercúleo, um rigor muito grande." Na semana passada, ele voltou ao Brasil para uma curta temporada de um mês. Em maio voa para a Grã-Bretanha, onde passa oito dias divulgando O Monte Cinco em entrevistas e tardes de autógrafo. Cada dia dormirá numa cidade diferente. Só terá um dia de folga. De lá segue para o Japão, onde fica mais quinze dias. Nem quando está no Brasil ele descansa muito. Na última terça, em seu apartamento de frente para o mar de Copacabana, no Rio de Janeiro, deu uma entrevista para o programa Bons Baisers d'Amerique, da TV5 canadense. Na quarta, por telefone, falou com repórteres de dois prestigiados jornais ingleses, o Sunday Times e o The Guardian. "Fico cansado só de ler a agenda do Paulo, que tem uma dedicação absoluta ao que faz. Ele poderia preocupar-se menos com entrevistas e noites de autógrafo, mas faz tudo com uma humildade de estreante", diz seu editor no Brasil, Roberto Feith.

Apesar de honrar tantos compromissos profissionais, Paulo Coelho é, na verdade, um grande preguiçoso. Quando não está viajando, sua rotina consiste em acordar depois do meio-dia, checar seus e-mails no computador e dar uma caminhada na praia com a mulher, a artista plástica Cristina Oiticica, de 46 anos, com quem está casado há dezoito. Depois disso, não sai mais de casa. Das 4 às 6 da tarde, resolve por telefone e fax problemas burocráticos referentes à administração de sua obra. A única refeição que faz ao dia é o jantar. Passa suas madrugadas lendo, vendo televisão ou navegando na Internet. "Somos o oposto um do outro. Ele é a noite e eu, o sol", diz o compositor e produtor Roberto Menescal, o melhor amigo do escritor. Paulo não vai ao cinema nem ao teatro. Outro dia cogitou assistir a um show do cantor paraibano Chico César, que ele considera genial. Mas bateu aquela preguiça. "Ir a um show é um sacrifício inumano. Só saio de casa forçado." Paulo não bota o pé na rua nem para cortar os cabelos. Seu barbeiro, Paulinho, o visita de tempo a tempo. Para encarar a rotina dentro de casa, ele conta com um bom argumento: seu apartamento de 380 metros quadrados de frente para o mar de Copacabana. Não bastasse a metragem privilegiada, quase todas as paredes do imóvel foram derrubadas. O quarto-escritório-banheiro do casal é surpreendentemente despojado. As paredes são pintadas de branco — a mesma cor do chão —, há pouquíssimos quadros nas paredes e, de móveis, só o essencial: cama, mesa, cadeiras, sofás. Ele não gosta de guardar quinquilharias em casa porque acha que dá azar. A única exceção fica por conta da coleção de isqueiros da marca Camel.

A coleção de isqueiros
do escritor: todos
da mesma marca

Em seu novo livro, Veronika Decide Morrer, já concluído e com lançamento previsto para o próximo mês de agosto no Brasil, o escritor Paulo Coelho acerta as contas com um episódio de sua juventude. Em 1965, quando tinha 18 anos de idade, ele foi levado pelo pai a uma clínica psiquiátrica. O engenheiro Pedro Coelho de Souza, de formação rígida, suspeitava que o filho estivesse com algum problema mental porque o jovem havia repetido de ano duas vezes seguidas, não conseguia concentrar-se nos estudos e, para completar, cismara que queria fazer teatro e se tornar escritor. Depois do exame médico saiu o diagnóstico: loucura. O passo seguinte foi interná-lo num hospital psiquiátrico carioca, onde permaneceu um mês, até que conseguiu fugir. O pesadelo, no entanto, teria continuação: no ano seguinte, o pai resolveu interná-lo de novo. Dessa vez, foram dois longos meses de reclusão, durante os quais recebia a visita da namorada, uma aspirante a atriz chamada Renata Sorrah. Desesperado, ele fugiu novamente — só que, em vez de voltar imediatamente para casa, passou vários meses viajando pelo Nordeste. Em Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho contará a história de uma mulher que, a certa altura da vida, é dada como louca. "Fui tido como louco porque queria escrever. Hoje sou um escritor de sucesso. Acho fundamental passar essa mensagem para as pessoas", diz Paulo Coelho.

Passado o trauma das internações, ele mergulhou de cabeça num mundo novo: o movimento hippie. Deixou crescer os cabelos, andava sem documentos e experimentou quase todas as drogas. "Só nunca usei heroína. Custava caro e me dava medo." No final da década de 60, ele foi preso pela primeira vez. Tudo por causa de uma partida de futebol a que foi assistir no Paraguai, país cujo nome não suporta, até hoje, ler, ouvir ou pronunciar. É sua maior superstição. O ano era 1969. Paulo Coelho, sua namorada na época e mais dois amigos resolveram ir de carro ver um jogo de eliminatória da Copa do Mundo. Na volta para casa, os quatro estavam numa pizzaria comemorando a vitória do Brasil quando militares armados os levaram presos. Foram tomados como assaltantes de banco. "Eu era hippie, minha namorada, iugoslava e nossos amigos, comunistas. Deu tudo errado", lembra. Ficaram presos durante uma semana e depois liberados.

A implicância com o Paraguai também tem a ver com sua segunda prisão, em 1974. Ele e Raul Seixas já eram parceiros musicais, amigos, adeptos da magia negra e viviam muito doidões. Durante um show de Raul Seixas em Brasília, Paulo Coelho caiu na besteira de subir ao palco e falar a favor da anarquia. Corria o regime militar e, na volta ao Rio, Raul foi chamado para depor na polícia. Paulo Coelho resolveu ir junto. Antes de sair de casa, vestiu uma camisa que sua mãe lhe havia dado, fabricada no torrão natal do general Alfredo Stroessner. Trajando sua camisa paraguaia, o futuro escritor foi preso e torturado. Ficou em cana durante um mês. Dessa experiência, a pior recordação foi o dia em que se viu jogado, completamente nu, numa cela escura, com ar-condicionado ligado no máximo e na qual reverberava o som agudo de uma sirene. "O lugar era chamado de geladeira. Entrei em pânico e prometi para mim mesmo que, se saísse vivo dali, meus anos loucos terminariam."

A mulher, Cristina
Oiticica, cuida das obras
assistenciais nas quais
Paulo Coelho gasta
400.000 reais por ano

Longe vai esse tempo sombrio. Hoje, aos 50 anos, Paulo Coelho tem uma fortuna estimada em 11 milhões de dólares. O dinheiro de Paulo permite que ele e Cristina vivam com conforto, mas sem ostentação. Seu apartamento em Copacabana custou 300.000 dólares. A mesma quantia foi empatada na reforma do imóvel. A maior parte do dinheiro está aplicada em investimentos bancários de pouquíssimo risco. Paulo tem apenas um carro, um Renault 19, preto, sempre conduzido pelo motorista José Carlos. "A primeira providência que tomei quando ganhei dinheiro foi contratar um motorista. Acho estacionar no Rio de Janeiro desumano", diz o preguiçoso incorrigível. Através do Instituto Paulo Coelho, ele destina 400.000 reais por ano a instituições infantis e asilos para idosos. À frente do instituto está Cristina, encarregada de fiscalizar o bom uso do dinheiro.

Fenômeno nas livrarias, agora só falta Paulo Coelho chegar às telas. Quatro livros de Paulo estão com seus direitos negociados para adaptações cinematográficas. O Alquimista pertence aos estúdios Warner Bros., que pagaram 270.000 dólares pelos direitos de filmagem do livro, uma quantia irrisória para os padrões hollywoodianos, e até agora não fizeram um roteiro que agradasse ao escritor. "Já quis o livro de volta, pelo dobro do preço, mas não consegui", lamenta Coelho. Com a produtora Virgin aconteceu coisa parecida. "Odiei os três roteiros que eles fizeram de O Diário de um Mago." O livro As Valkírias está nas mãos do produtor Santiago Pozo, do Arenas Group, filiado à Sony. Pozo, que é membro da Academia de Hollywood, quer fazer um filme internacional, claro, mas para os papéis de Paulo e Cristina — que são personagens do livro — o produtor quer atores brasileiros. "Para o meu papel ele disse que está pensando na Cláudia Abreu. Para fazer o Paulo, ele pensou em Pedro Cardoso", diz Cristina. Paulo Coelho ri da idéia. "Devem ser os únicos atores brasileiros que ele conhece. O Santiago deve ter visto O que É Isso, Companheiro? na disputa pelo Oscar e tirou daí esses nomes", diverte-se. A opção de compra dos direitos de Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei pertencia, há dois anos, à belíssima atriz francesa Isabelle Adjani. Por um descuido, os advogados dela deixaram de renovar o contrato. Agora, a agente americana do escritor quer vender o livro para a atriz Julia Roberts, que está interessadíssima na história. Paulo Coelho já fez a sua escolha. "Prefiro a francesa", diz ele. Descartar Julia Roberts, optar por Isabelle Adjani: sucesso é isso. O resto, convenhamos, não passa de literatura.

Os leitores assíduos

ANGÉLICA

24 anos, apresentadora de TV

"Minha paixão por Paulo Coelho começou aos 13 anos. Foi a primeira vez que comprei um livro sozinha. Descobri que entre nós havia uma grande ligação. Ele consegue colocar em seus livros lições de vida, ensinamentos e situações que estão espalhados nos corações das pessoas".

LEONARDO BOFF

59 anos, teólogo

"O fenômeno Paulo Coelho está relacionado a uma tendência cultural mundial de voltar-se profundamente para o discurso místico e religioso. É a espiritualidade como dimensão humana. O Paulo está em sintonia fina com essa tendência, ele capta a mágica da vida e passa essa experiência do divino".

CAROLINA FERRAZ

30 anos, atriz

"Não sei explicar por que gosto. O Paulo Coelho tem alguma coisa especial, um carisma, e passa isso para o trabalho dele. Ele merece todo o respeito. Não sou muito mística, mas até gostaria de acreditar mais nessas coisas mágicas".

DOC COMPARATO

48 anos, roteirista e escritor

"As pessoas acham que o Paulo tira tudo o que escreve da cartola, mas não é assim. Ele estuda, é altamente disciplinado. Sidney Sheldon e Michael Crichton são umas porcarias e fazem sucesso. Por que não Paulo Coelho? "

EDUARDO SUPLICY

56 anos, senador

"Ele escreve com facilidade, sabe lidar com a palavra escrita. Tem um texto atraente e fácil de ler. Li O Alquimista há uns quatro anos. A história mexe com o anseio das pessoas pelas descobertas, pelo desconhecido. Hoje, todos buscam algo interessante que dê sentido à vida. Paulo Coelho dá isso".

TAÍS ARAÚJO

19 anos, atriz

"Foi minha mãe quem recomendou que eu lesse Brida e eu adorei porque fala da possibilidade de outros caminhos dentro de nós mesmos. Os livros dele sempre passam mensagens ótimas sobre as relações entre as pessoas e têm enorme carga de espiritualidade. Como sou muito mística, adoro. Não conheço o Paulo pessoalmente, mas o considero uma pessoa muito carismática".

RITA LEE

50 anos, cantora

"Ele tem o mérito de ter sido o primeiro escritor brasileiro a abordar assuntos esotéricos com conhecimento de causa. Ele sempre foi um estudioso dos mistérios ocultos e, por isso, não me surpreendo com seu sucesso. Não se trata de um pára-quedista de plantão vendendo essas manias new age que tanto deslumbram as dondocas californianas".

Fotos: Elena Vetorazzo, Ricardo Stuckert, Paulo Jares


Os críticos incrédulos

SILVIANO SANTIAGO

"Primeiro, é preciso desmitificar o sucesso que ele faz na França. Antes de Paulo Coelho, o grande bestseller brasileiro na França foi Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. O público francês é tão medíocre ou pouco sofisticado quanto o grande público de qualquer outro país. Em segundo lugar, o fenômeno Paulo Coelho confirma a existência, hoje em dia, de um gosto globalizado e de um mercado de livros globalizado. Ele é o nosso único representante nesse mercado".

DAVI ARRIGUCCI JUNIOR

"Não li e não gostei".

WILSON MARTINS

"É injusto julgá-lo por critérios literários. Ele é um fenômeno sociológico, responde a injunções do nosso momento histórico, a essa ansiedade que reaparece em todo final de milênio. Quando o mundo não acabar no ano 2000, talvez todo esse interesse pela obra de Paulo Coelho acabe. Se fôssemos tentar aplicar algum critério literário àquilo que ele faz, poderíamos dizer que ele faz a paráfrase dos grandes místicos. Mas é um misticismo barateado. Assim como existe o marxismo vulgar, existe um misticismo vulgar, e é isso o que Paulo Coelho faz".

CANDIDO MENDES DE ALMEIDA

"Já li todos os livros dele de trás para frente, o que dá no mesmo. Paulo Coelho já se avantajou à glória de Santos Dumont na França. Só que não é daqui, mas do mundo global do facilitário da mente e da ignorância transformada em submagia. Nosso simpaticíssimo bruxinho serve a esse imaginário domesticado e sem sustos. Essa subcultura disfarçada de prosperidade encontrou seu autor exemplar. Não é um texto, mas um produto de loja de conveniência. Na França, grandes sociedades mágicas repudiaram o que ele escreve e faz".

BARBARA HELIODORA

"Não li uma linha dele. Ouço dizer que é horrível e acredito. A única coisa que me fascina é sua capacidade de autopromoção".

JOSÉ PAULO PAES

"Tenho ojeriza por literatura esotérica. Como disse um crítico americano chamado Wimsatt, é o tipo de livro que resolve todos os seus problemas enquanto você está lendo, mas, assim que você o fecha, as dificuldades aparecem com ímpeto redobrado".

Fotos: Nani Gois, Oscar Cabral e Antonio Milena

Com reportagem de Roberta Paixão, Carlos Graieb e Virginie Leite




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