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Europa Tipo pós-modernoSem apegos nacionais, Holanda assume
Bandeira, moeda, fronteiras é duro para a maioria dos europeus, em processo de unificação, redefinir quando não simplesmente abandonar esses poderosos símbolos nacionais. Não para os holandeses, provavelmente os membros da União Européia que mais se enquadram nas exigências do Estado pós-moderno. Faltando menos de um ano para o euro entrar em vigor, o desaparecimento das moedas nacionais causa arrepios em muitos países europeus os ingleses já decidiram não trocar a libra esterlina, e os alemães continuam a acreditar mais no marco do que em Deus, segundo uma brincadeira com certo fundo de verdade. Já os holandeses aguardam entusiasmados a extinção do florim. Nesta hora, a vocação mercantil da Holanda, um país onde as exportações geram 55% do PIB, confunde-se com a identidade nacional. O sentimento atávico de proteção ao território nacional? Os postos fronteiriços não só estão em extinção como policiais de países vizinhos podem entrar à vontade na Holanda para perseguir suspeitos. Hino nacional? É difícil entusiasmar-se com uma letra que faz referência ao rei da Espanha, herança de longínquas confusões dinásticas. País pequeno, de 15 milhões de habitantes, a Holanda de certa forma sempre esteve à frente de seu tempo. Há 300 anos, quando criaram um império comercial, os holandeses eram precoces cultivavam o patriotismo e o civismo, sentimentos que só se desenvolveram em outros países ocidentais, da forma como os conhecemos atualmente, depois da Revolução Francesa. Hoje, estão na linha de frente da integração européia e se orgulham de que a cidade de Maastricht tenha sido a sede da cerimônia de assinatura do tratado sobre a união monetária. A proteção da identidade nacional é um instinto que não existe, pelo menos tal como se vê na França, que tenta limitar o uso de estrangeirismos no idioma e definir exatamente o que é um queijo camembert. Na Holanda, com uma população poliglota, florescem os letreiros em inglês, francês e alemão. "Ficou mais fácil viajar", resume o jornalista Roel Jansson, autor de um livro sobre os efeitos da unificação. "Terceira via" O pragmatismo de um país que no século XVII criou a primeira multinacional da História a Companhia das Índias Orientais se reflete nas soluções internas. Saídas alternativas aliaram ação do Estado e participação coletiva, buscando uma "terceira via", em que posições políticas da direita e da esquerda se embaralham. A luta conjunta de governo e sindicatos contra o desemprego, por exemplo, fez uso do mesmo remédio que em outros lugares não deu certo: flexibilização das leis trabalhistas e redução da jornada de trabalho. Na Holanda, essas medidas derrubaram a taxa de desemprego de 10% para os atuais 6,1%. Em vez de cortar benefícios da seguridade social, o governo liberou a abertura do comércio à noite e legalizou o emprego de meio período, estimulando a criação de 200.000 novos postos em dois anos. Hoje um holandês trabalha em média 1.400 horas por ano, o índice mais baixo do mundo. O crescimento econômico de 2,7% foi o melhor da União Européia no ano passado, e há análises indicando que até o fim do século o país será o melhor lugar do mundo para fazer negócios, superando Hong Kong. Quando o bolso vai bem, a integração certamente fica mais fácil.
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