Imagem da Semana
Por trás da máscara
O que há num
nome? Uma história complicada, como
demonstrou outra vez o quebra-quebra na Moldova

Vilma Gryzinski
John Mcconnico/AP
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Você sabe que um
país está encrencado quando muda muito de nome.
Por esse critério, a Moldova é praticamente
campeã: já foi Moldávia e Bessarábia;
já fez parte, voluntariamente, da Romênia e,
muito involuntariamente, da Rússia czarista, da Rússia
comunista, de novo da Romênia, dessa vez pró-nazista,
voltou para o domínio stalinista e hoje se debate sob
a influência da Rússia putinista. Independente
na era pós-União Soviética, tirou um
"i", mudou o nome da capital de Kishinev para Chisinau
(a pronúncia é quase a mesma) e anos depois,
bizarramente, elegeu um governo de maioria comunista. Isso
só para fazer um resumo rápido dos últimos
noventa anos e chegar às manifestações
de protesto da semana passada. Ao contrário das
imagens que correram mundo nas últimas semanas, de
quebra-quebras genericamente designados de anticapitalistas
nos locais das recentes reuniões de cúpula,
o bafafá na Moldova foi anticomunista. Houve eleições,
os de sempre ganharam e os de oposição denunciaram
roubalheira. O método de convocação foi
moderno via Facebook e Twitter , e o resultado
tão antigo quanto a história das explosões
de fúria popular: o Parlamento e a sede da Presidência
foram invadidos e destroçados. A Moldova é um
país pequeno, pobre e, como já deu para perceber,
complicado. Tem 4 milhões de habitantes em 30.000 quilômetros
quadrados. Etnicamente, a maioria é romena, o que explica
as simpatias pelo país vizinho. O presidente Vladimir
Voronin, alvo dos protestos dos caras limpas ou mascaradas,
bufou: "A Romênia está envolvida em tudo
o que aconteceu". Existe, na verdade, um desejo de reunificação.
E você sabe que um país está encrencado
quando quer mudar, de novo. E voltar a ser Romênia.