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Especial
Luiz
Garrido
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"Eu
tinha só 14 anos quando a gente se conheceu e ele sempre teve muito ciúme.
É até engraçado, porque o famoso e bonitão era ele.
Mas o fato é que desde o início do meu casamento volta e meia os
desentendimentos terminavam em violência física. A gente se separava
e depois voltava. Passei muito tempo evitando enxergar, acreditando no amor, tentando
preservar a família. O Kadu é um ótimo pai, do tipo que acorda
cedo para fazer vitamina para as crianças, ajuda a fazer o dever de casa.
Eu não queria privar os meninos dessa convivência, mas hoje consigo
enxergar que isso foi um erro. Numa situação de violência
a auto-estima fica lá embaixo, você não consegue produzir
nada, só uma fantasia de que aquilo tenha algum futuro. Acaba se prejudicando
e também prejudica a família. No Carnaval, quando ele me bateu,
acabei explodindo e expondo todo mundo exatamente da maneira que sempre lutei
para evitar." Ingrid Saldanha,
32 anos, carioca, atriz
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 | MORTE
ANUNCIADA Núbia Haick, morta pelo marido no ano
passado: queixa na polícia não adiantou |
"O
sofrimento da minha cunhada começou um dia depois do casamento. Ela apanhou
do marido ainda na lua-de-mel. Mas, por medo e vergonha, ela dizia que havia caído
ou se batido. A família demorou a saber o que se passava, mas ela fez várias
denúncias à polícia. Dezenas de boletins de ocorrência
e laudos do Instituto Médico Legal que comprovaram as agressões
que ela sofria não foram suficientes para colocar o Ismael (Haick, ex-marido
de Núbia) na cadeia. Fui uma testemunha do terror que esse homem impôs
a toda família. Um dia, já depois da meia-noite, recebi um telefonema
da babá dos meus sobrinhos dizendo que Núbia não havia chegado
em casa. Na hora eu pensei: meu Deus, perdemos a Núbia. Na manhã
seguinte fomos à delegacia e soubemos que um corpo de mulher havia sido
encontrado num matagal. Quando reconheci o corpo no IML, fui tomado pela revolta.
Todas as denúncias que a Núbia apresentou à polícia
não serviram de nada para evitar que ela fosse morta."
Nelson Furtado, tesoureiro, cunhado da professora Núbia Conte Haick,
de 42 anos, assassinada no ano passado pelo ex-marido |
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Liane
Neves
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"Casei
com 19 anos e não imaginava que existisse nada parecido com o que aconteceu
comigo. A primeira atitude de violência foi um mês depois, por causa
de um armário que comprei sem avisar, para fazer uma surpresa. Ele me deu
um soco no queixo que me deixou com problema no maxilar para o resto da vida.
Passei fiascos em público com cena de ciúme. Agüentei esse
tipo de coisa seis anos. Ele me batia, me esgoelava, me punha arma na cabeça.
Eu continuava achando que ele precisava de ajuda e que eu era a única pessoa
que podia ajudá-lo. Não tinha medo. No dia em que tive medo, saí
de casa. Saí também da minha cidade, e só consegui voltar
quase vinte anos depois. Foi tamanho o bloqueio que não conseguia lembrar
das coisas ligadas ao casamento. A violência soterra lembranças,
doçura, meiguice. Mas é possível se restaurar, juntar os
cacos, sem ficar dura e empedernida para sempre." Salma
Teresinha Vilaverde, 46 anos, gaúcha,
produtora cultural | |
Liane
Neves
 | "Estava
separada do pai dos meus filhos quando conheci um homem doze anos mais novo e
me apaixonei. Isso foi há dois anos. Durante seis meses minha vida foi
muito boa. Depois ele passou a beber demais e começaram as agressões.
Foram três. A primeira, por ciúme de um primo meu. Ele me chamou
de p... e me bateu no rosto. Avisei que não fizesse de novo. A segunda
vez foi porque eu cheguei tarde da casa dos meus pais. Esperou no ponto do ônibus
e me deu um tapão ali mesmo. Depois pediu desculpas e eu dei mais uma chance.
Em novembro do ano passado, foi a gota d'água. Ele queria o meu cartão
do banco. Recusei e levei vários chutes na barriga. Dessa vez foi demais.
Saí de casa e decidi dar queixa. Fui ameaçada, ele disse que não
ia dar em nada porque é primário e tem primo delegado. Dei queixa
mesmo assim. Ele me procurou dizendo que, se eu retirasse a queixa, ele voltaria
para mim. Eu respondi: 'Entenda isso: não foi você que me largou,
eu é que larguei você. Acabou'." Sandra
Fernanda Alves Farias, 36 anos, pernambucana,
funcionária da prefeitura de Olinda | |
Com reportagem de Fernanda
Guirra (Goiânia), José Edward (Belo Horizonte) e
Leonardo Coutinho (Belém) |