Edição 1 640 - 15/3/2000

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Discos

BBC Sessions, The Who (Universal) – Um dos grupos seminais do rock inglês dos anos 60, o Who sempre rendeu mais nos palcos do que nos estúdios de gravação. Mesmo tendo lançado discos estupendos como a ópera-rock Tommy (1969) e Who's Next (1971), ele sempre será mais lembrado por suas atuações incendiárias – como as apresentações nos festivais de Monterey, em 1967, e Woodstock, em 1969. Além disso, o ritual de reduzir sua aparelhagem a cacos após cada show é copiado até hoje por bandas que desejam posar de rebeldes. Este CD confirma a boa fama do Who nos palcos, em gravações feitas para a emissora de rádio inglesa BBC entre 1965 e 1973. Traz uma dúzia de clássicos do repertório do Who, como My Generation e Substitute, e, a título de curiosidade, dois jingles que o quarteto fez especialmente para a BBC.

Summer of Sam, vários intérpretes (Roadrunner) – O cineasta americano Spike Lee costuma mostrar talento não apenas com a câmara, mas também ao selecionar as trilhas sonoras de seus filmes, o que faz pessoalmente. Em geral, elas são recheadas com o melhor do rap, da soul music e do jazz. Summer of Sam, o mais recente filme de Lee, não fez grande carreira nos cinemas brasileiros, mas sua trilha sonora é uma boa coletânea. Como o filme se passa em 1977, o diretor garimpou o melhor dos ritmos negros da época. A disco music é representada por gravações antológicas do gênero, como La Vie en Rose na voz de Grace Jones e Don't Leave Me This Way com Thelma Houston. Já o funk e o rhythm & blues estão presentes por meio de Marvin Gaye, Elvin Bishop e do grupo First Choice.

 

Livros

Lendas Brasileiras, de Câmara Cascudo (Ediouro; 176 páginas; 19,90 reais) – O potiguar Câmara Cascudo (1898-1986) escreveu 150 livros durante a vida e seu principal tema de estudo era o folclore brasileiro. Nesta obra, ele narra com muita graça 21 das mais famosas lendas do país. Entre as histórias estão a do Negrinho do Pastoreio e a da Serpente Emplumada da Lapa. O livro é editado com muito capricho: tem introdução, uma pequena biografia de Cascudo, notas explicativas e, de quebra, desenhos de Poty, um dos maiores ilustradores de livros do Brasil, que enfeitou com seu traço várias edições originais de Guimarães Rosa e Jorge Amado. Boa indicação para iniciar as crianças na leitura.

De Confidência em Confidência, de Paule Constant (tradução de Maria Helena Kühner; Bertrand Brasil; 191 páginas; 25,50 reais) – Dois tipos de "romance feminino" competem hoje no mercado: os açucarados e os modernosos. Os primeiros contam histórias de amor, os outros falam das ansiedades de mulheres jovens. Este não se encaixa em nenhum dos filões. As personagens são mulheres maduras e a francesa Paule Constant demonstra ser uma escritora inteligente, capaz de expressar idéias sobre os mais diversos temas. Seu livro fala de sexo, de envelhecimento e até de filosofia. Mas ninguém pense que o texto é "cabeça". Ele é escrito com clareza, emoção e humor. A obra consagrou Paule ao lhe valer, em 1998, o Prêmio Goncourt, a maior honraria literária francesa.

 

Vídeo

Columbia Tristar

O Cadete Winslow: história verídica


O Cadete Winslow
(The Winslow Boy, Estados Unidos, 1999, Columbia/ Tristar) – Especialista em tramas que envolvem duplicidade e em cunhar diálogos afiados, o dramaturgo e diretor americano David Mamet escolheu um caso verídico ocorrido na Inglaterra para exercitar essas suas habilidades. No início do século XX, um pai desafia a Coroa para provar que seu filho não roubou um vale-postal na escola naval em que estudava. Em vez de se concentrar nos detalhes do caso, Mamet focaliza os efeitos inesperados que o julgamento tem sobre a família do garoto. O resultado é um exemplo de precisão dramática.

 

Televisão

Sons da Era do Cinema Mudo (terça-feira, às 19h30, no Film & Arts) – Sob o título curioso, o canal mostra na mesma noite cinco documentários que traçam um panorama dos filmes realizados nos primórdios do cinema. O primeiro deles é As Deusas do Amor, sobre as divas que provocavam suspiros no início do século XX, entre elas a insuperável Theda Bara. O último apresenta o equivalente masculino de Theda, Rodolfo Valentino. Nos outros três documentários há atrações como um perfil de Stan Laurel, o magro da dupla O Gordo e o Magro, e cenas de grandes perseguições.