Edição 1 640 - 15/3/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
– No mínimo... falemos baixo, por favor...

 

ECONOMIA

Problemas à vista

A Sharp viverá dias para lá de complicados se não sair rápido a pretendida superfusão com a CCE e a Gradiente.

Mil e uma confusões

Os acionistas minoritários da Bombril entrarão na Justiça nos próximos dias contra o bilionário italiano Sergio Cragnotti, controlador da empresa. Eles acusam Cragnotti de ter emprestado a si próprio, por meio de uma complicada operação financeira, 750 milhões de reais pertencentes ao caixa da Bombril. A mesma história está rendendo a Cragnotti um inquérito na Comissão de Valores Mobiliários.

Contenda baiana

Chama a atenção a preferência de ACM pela paulista Ultra contra a baianíssima Odebrecht na disputa pela compra da Copene. O motivo da divergência entre ACM e Emílio Odebrecht, segundo o senador disse a um empresário do setor petroquímico, seria pessoal e não empresarial. Certa vez, o empreiteiro teria tentado intrigá-lo com seu filho, o deputado Luís Eduardo Magalhães, morto há dois anos.

Torneiras abertas

Veja como virou o vento para os países da América Latina e, em especial, para o Brasil. Entre abril de 1997 e novembro do ano passado, as empresas brasileiras não conseguiram fazer um único lançamento de ações no mercado internacional. Ninguém queria saber de Brasil. O Morgan Stanley andou fazendo umas contas e descobriu que serão emitidos 19 bilhões de dólares em ações nos Estados Unidos e na Europa neste ano por empresas latino-americanas. Mais da metade dessa dinheirama virá de empresas brasileiras.

Insistência

Os controladores da Paranapanema ainda não desistiram de empurrar parte da empresa (mais precisamente a Caraíba Metais) para a boca da Vale do Rio Doce. A Previ, sócia das duas companhias, é quem insiste em tocar a sinfonia da Paranapanema nos ouvidos da Vale – mas as resistências ao negócio são fortes no comando da ex-estatal.

Contra-ataque

Vem chumbo grosso por aí. Nos próximos dias, o governo pegará pesado contra as distribuidoras de petróleo que driblam o Leão sem a menor cerimônia. Finalmente, descobriu-se um modo de pegá-las pelo pescoço (não era sem tempo: elas sonegaram 1,5 bilhão de reais no ano passado).

 

CERVEJAS

Sem gorduras

Na fusão Antarctica-Brahma um dos itens que mais tiram o sono da Kaiser é a redução de custos da concorrente. Chega a 14%. É uma marca formidável. Quando a Dow se uniu à Union Carbide em 1999, esse porcentual foi de 2%. Na fusão entre os laboratórios britânicos Glaxo e Wellcome há alguns anos a redução bateu os 5%. Ou seja, a AmBev teria bala de sobra para cumprir a promessa de reduzir os preços de seus produtos em todas as regiões do país.

 

GRAMPO

Língua presa

O fantasma da arapongagem do BNDES deixa marcas mais duradouras do que se pensa. Recém-entronizado na presidência do BNDES, no mesmo gabinete onde ocorreu o célebre grampo em 1998, Francisco Gros já tomou algumas precauções. Como não acredita na eficácia das varreduras periódicas que são realizadas em sua sala, decidiu que a linguagem que usará nos telefonemas será a mais formal possível. Mesmo quando estiver conversando com familiares.

 

GOVERNO

Agitação pefelista

O PFL anda ouriçado com a sucessão do combalido ministro Rafael Greca. Os paranaenses querem porque querem manter o ministério no Estado e batalham pelo deputado e ex-ministro Affonso Camargo. Os mineiros, por sua vez, inflam o nome do deputado Roberto Brant, que sempre teve bom trânsito no Palácio do Planalto.

 

SINDICATOS

Contando dinheiro

As centrais sindicais estão fazendo a maior festa. A capacidade de mobilização pode continuar perto do chão, mas o caixa anda encorpado – e via dinheiro público. Para qualificar 540 000 afiliados, a Força Sindical e a CUT receberão neste ano 38 milhões de reais cada uma do Fundo de Amparo ao Trabalhador, FAT.

 

INTERNET

Esperto.com.br

Você quer alugar os títulos jornalnacional.com ou pmdb.com.br para usá-los na internet? Custa 3 000 dólares mensais cada. Se quiser comprá-los, reserve algo como 15 000 dólares para cada um e eles serão seus. Quem está por trás desse negócio não é a Globo ou o senador Jader Barbalho, presidente do PMDB. O dono dessa mina é o baiano Marcel de Oliveira, que desde 1997 já registrou em seu nome 113 domínios – quase todos de empresas ou organizações conhecidíssimas e com as quais ele não tem o menor vínculo. A Telemar, por exemplo, foi obrigada a comprar de Marcel o domínio telemar.com.br. E a Globo está na Justiça querendo retomar os títulos jornalnacional. com.br e globoesporte. com.br.

 

Estilo de captação

Ricardo Leal

O encrencado Guilherme Fontes (foto) tem uma tática toda especial de arrancar mais dinheiro para tentar finalizar o filme Chatô – O Rei do Brasil. Recentemente, ele foi ao presidente da BR Distribuidora, Luiz Antônio Viana, pedir mais uns trocados. Argumentava que se a BR não lhe desse um dinheirinho seria pior para a própria empresa. Afinal, ela já enterrara 300 000 reais na fita e, se Chatô unca ficasse pronto, a BR também perderia. Viana não gostou do estilo, digamos, agressivo de Guilherme e botou um ponto final na conversa no mesmo momento.