Edição 1 640 - 15/3/2000

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Um sucesso só

De uns tempos para cá, essa parece ser
a maldição da maioria dos grupos jovens

Sérgio Martins

 
Divulgação

O vocalista Carlos Santos (à frente), do P.O. Box: até quando durará esse sorriso?

A canção Papo de Jacaré é o maior sucesso das rádios brasileiras na atualidade. A música tirou do ostracismo o grupo P.O. Box, formado por músicos de baile veteranos de Goiás. Hoje eles são presença constante em programas como Domingão do Faustão e Xuxa Park, cobram 12.000 reais de cachê por show e estão com a agenda lotada até maio. Constatado o sucesso, surge a questão: irá o P.O. Box se transformar na nova sensação da música jovem brasileira, ou ele entrará para a seita das bandas de um sucesso só? Recentemente, formaram nesse time os grupos Cravo e Canela, Virgulóides e Só no Sapatinho (veja quadro). Costuma-se usar a expressão "grupo descartável" quando se fala de conjuntos programados para durar um ou dois verões, como É o Tchan ou Companhia do Pagode. O que dizer então dos que não passam da música de estréia?

Os grupos de uma só canção existem, principalmente, porque as gravadoras não querem mais saber de risco. Antes de o mercado de discos entrar em recessão, elas eram capazes de perder dinheiro com um ou dois discos se acreditavam num determinado artista ou banda. Foi assim com Fernanda Abreu e o Pato Fu, que só deram lucro no terceiro CD. Com a crise na área fonográfica, as gravadoras se tornaram mais imediatistas. Quando farejam que uma composição poderá fazer sucesso, lançam o cantor com estardalhaço, independentemente de ele ter ou não estofo suficiente para prosseguir na carreira. "Hoje em dia são poucas as que pensam a longo prazo", reconhece Carlos Eduardo Miranda, diretor artístico do selo Trama. O caminho que leva ao descobrimento dos artistas efêmeros está cada vez mais curto, já que anda fácil gravar um CD caseiro e jogar cópias nos mercados regionais. Se uma música de um disco desses cai no gosto popular, uma gravadora grande compra o pacote e, sem maior trabalho, o catapulta para o plano nacional. Foi exatamente isso que aconteceu com o P.O. Box. O vocalista Carlos Santos, no entanto, jura que emplacará um segundo sucesso. "Já temos uma nova música tocando em Goiânia", diz ele. É pagar para ver.

 

Cinco minutos de fama

O que aconteceu com conjuntos que estouraram nas paradas tempos atrás

Cravo e Canela (1994)

 
Antonio Milena

Sucesso: Lá Vem o Negão
Lá vem o negão, cheio de paixão
Te catá, te catá, te catá

Quanto vendeu: 300 000 discos
Quanto tempo durou: quatro meses
O que faz agora: a banda voltou ao anonimato

 

Virgulóides (1997)

 
Polygram

Sucesso: Bagulho no Bumba
É, é, é Eu acho que o bagulho
É de quem tá de pé

Quanto vendeu: 200 000 discos
Quanto tempo durou: quatro meses
O que faz agora: a banda foi demitida
da gravadora Universal e acaba de
assinar contrato com a BMG

 

Só no Sapatinho (1998)

 
Ana Paula Albe

Sucesso: Só no Sapatinho
Só no sapatinho, ô ô
Só no sapatinho, ô ô

Quanto vendeu: 100 000 discos
Quanto tempo durou: dois meses
O que faz agora: tentou emplacar outra canção, Bichinho de Pelúcia, e fracassou. Lança disco novo em abril