Um sucesso só
De uns tempos para cá, essa parece
ser
a maldição da maioria dos grupos jovens
Sérgio Martins
Divulgação
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O vocalista Carlos Santos (à
frente), do P.O. Box: até quando durará
esse sorriso?
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A canção Papo de Jacaré é
o maior sucesso das rádios brasileiras na atualidade.
A música tirou do ostracismo o grupo P.O. Box, formado
por músicos de baile veteranos de Goiás. Hoje
eles são presença constante em programas como
Domingão do Faustão e Xuxa Park,
cobram 12.000 reais de cachê
por show e estão com a agenda lotada até maio.
Constatado o sucesso, surge a questão: irá
o P.O. Box se transformar na nova sensação
da música jovem brasileira, ou ele entrará
para a seita das bandas de um sucesso só? Recentemente,
formaram nesse time os grupos Cravo e Canela, Virgulóides
e Só no Sapatinho (veja
quadro). Costuma-se usar a expressão
"grupo descartável" quando se fala de conjuntos programados
para durar um ou dois verões, como É o Tchan
ou Companhia do Pagode. O que dizer então dos que
não passam da música de estréia?
Os grupos de uma só canção existem,
principalmente, porque as gravadoras não querem mais
saber de risco. Antes de o mercado de discos entrar em recessão,
elas eram capazes de perder dinheiro com um ou dois discos
se acreditavam num determinado artista ou banda. Foi assim
com Fernanda Abreu e o Pato Fu, que só deram lucro
no terceiro CD. Com a crise na área fonográfica,
as gravadoras se tornaram mais imediatistas. Quando farejam
que uma composição poderá fazer sucesso,
lançam o cantor com estardalhaço, independentemente
de ele ter ou não estofo suficiente para prosseguir
na carreira. "Hoje em dia são poucas as que pensam
a longo prazo", reconhece Carlos Eduardo Miranda, diretor
artístico do selo Trama. O caminho que leva ao descobrimento
dos artistas efêmeros está cada vez mais curto,
já que anda fácil gravar um CD caseiro e jogar
cópias nos mercados regionais. Se uma música
de um disco desses cai no gosto popular, uma gravadora grande
compra o pacote e, sem maior trabalho, o catapulta para
o plano nacional. Foi exatamente isso que aconteceu com
o P.O. Box. O vocalista Carlos Santos, no entanto, jura
que emplacará um segundo sucesso. "Já temos
uma nova música tocando em Goiânia", diz ele.
É pagar para ver.
Cinco
minutos de fama
O que aconteceu com conjuntos
que estouraram nas paradas tempos atrás
Cravo
e Canela (1994)
Antonio Milena
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Sucesso: Lá
Vem o Negão
Lá vem o negão, cheio de paixão
Te catá, te catá, te catá
Quanto vendeu: 300 000 discos
Quanto tempo durou: quatro meses
O que faz agora: a banda voltou ao anonimato
Virgulóides
(1997)
Polygram
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Sucesso: Bagulho
no Bumba
É, é, é Eu acho que o bagulho
É de quem tá de pé
Quanto vendeu: 200 000 discos
Quanto tempo durou: quatro meses
O que faz agora: a banda foi demitida
da gravadora Universal e acaba de
assinar contrato com a BMG
Só no
Sapatinho (1998)
Ana Paula Albe
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Sucesso: Só
no Sapatinho
Só no sapatinho, ô ô
Só no sapatinho, ô ô
Quanto vendeu: 100 000 discos
Quanto tempo durou: dois meses
O que faz agora: tentou emplacar outra canção,
Bichinho de Pelúcia, e fracassou. Lança
disco novo em abril
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